Ponto de Ordem

O INCÓMODO ESTRANHO DE TRUMP

Há décadas que o Médio Oriente está em chamas, mas desta vez os Estados Unidos da América e Israel transformaram-no num verdadeiro inferno a céu aberto. É que Donald Trump,  mancomunado com Benjamin Netanyahu, decidiu invadir o Irão, destruiu a estrutura do seu regime, matou o seu líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, incluindo uma boa parte da sua família.

A resposta não tardou e o caos político e económico instalou-se na região, com um Irão, acossado e desesperado, a disparar para todos os lados. Nem alguns países do Médio Oriente que jamais sentiram os efeitos dos mísseis balísticos e drones iranianos, tais como Oman, Qatar e Emirados Árabes Unidos, escaparam da força da República islâmica.

Trump acaba de meter, de novo, o dedo no gatilho para agudizar ainda mais a confusão nesta sanzala em que se transformou o mundo, onde muitos estados, cientes das suas pretenções, lutam pelo multilateralismo, pela democracia, pelo diálogo, e pelo respeito das regras  do Direito Internacional claramente contra as acções belicistas.

Definitivamente, este ataque ao Irão constitui a primeira fase da sua luta pela  hegemonia no Médio Oriente.Pelos vistos, a vitória da dupla invasora não será fácil, não obstante terem feito desaparecer o então Líder Supremo. Encontraram iranianos decididos a defender a pátria, ainda que o regime seja fundamentalista e ditador.

As consequências desta guerra no Médio Oriente são avassaladoras e com um futuro incerto nas relações económicas entre os estados a nível mundial. A fissura na relação geoestratégica mundial abriu-se ainda mais e certamente vai direccionar as relações de cooperação entre estados para um caminho desequilibrado e sem grandes perspectivas de respeito e dignidade entre os mais ricos e pobres.

Os dignatários dos países do continente africano devem reflectir no modelo das  suas relações com os EUA e Israel, declarados, directa ou indirectamente, como agressores. Devem fazê-lo também com  o Irão fundamentalista agredido.

Essa guerra não acaba nem hoje nem amanhã. Há muito jogo sujo no tabuleiro, onde são impostos, sobretudo, os interesses políticos,económicos, e comerciais de  Donald Trump, dos EUA, e de Israel. O petróleo, as terras raras e férteis de diamantes , ouro e outros minerais estão na mira destas negociatas. A África sempre esteve na agenda.

Enfim, mais uma guerra foi atiçada por Donald Trump, que anda à procura de uma hegemonia mundial, assente em agressões e invasões não declaradas a estados soberanos, tal como aconteceu na Venezuela. E a República de Cuba já foi apontada como o próximo alvo norte-americano, com Donald Trump já a aventar a hipótese de vir a ser uma “aquisição pacífica” do território. Pergunto-me: por que razão o mundo (pacífico) incomoda tanto a Trump, para além dos interesses do povo americano?

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