Ponto de Ordem

MUDAR (OU NÃO) A CONSTITUIÇÃO?

Essa é a pergunta que circula na nossa Sociedade, tendo em vista que muitos a consideram como “atípica”, descontextualizada com o momento político, enfim, vigora à léguas do processso de democratização contínuo que se pretende. Todos sabem que saímos do regime  mono-partidário, onde o autoritarismo ditava as regras de jogo.

Hoje, a Sociedade, ou melhor, o Povo contesta os métodos e hábitos daqueles que impuseram a “Democracia Autoritária”, onde reinava o “eu estou no poder; logo, mando, posso e não tenho de respeitar a Constitituição”. Resultado: Hoje, passados 5 décadas da independência de Angola, não há alternância do poder no País, a  impunidade nos órgãos do poder governamental, legislativo e judicial está instalada, continuam a  existir  roubos descarados, às vezes com a conivência dos próprios órgãos dos poderes do  Estado, incluindo o judiciário.

A situação é caótica. Muitos  dos chamados “pesos pesados” da nossa política e economia doméstica, continuam a abandonar o País, fugindo como cães sem dono.

Não pode nem se deve admitir esta situação. Daí que sugiro que  nos reunamos em convenções ou assembleias  para que, despidos de cores partidárias, todos, juntos, políticos, governantes, militares, missionários, artistas, jornalistas, profissionais da educação, arquitectura, economia, psicólogos, sociólogos, enfim… a Sociedade Civil para se discutir e aprovar imediatamente uma Constituição mais abrangente, justa e reconciliadora, num período de até dois anos.

Mesmo sem o “carimbo” de um processo eleitoral, que haja um processo governativo de transição; que os políticos se abracem e se harmonizem para o bem de um país em que todos possam se beneficiar das suas riquezas.

Enfim, haja muita vontade política para que tenhamos os poderes do Estado mais fortes e que os homens do bem se reúnam em prol de um objectivo comum: fazer de Angola um país mais forte, coeso e à medida dos interesses dos seus cidadãos e de quem venha para contribuir para o seu crescimento económico.

Sou de opinião que, sim, temos de alterar as bases da Constituição em vigor. Vamos aprender com a Democracia que criarmos um País mais nobre,  mais forte; orientada para a defesa dos interesses dos angolanos.

Não pode haver brechas para a corrupção, para o roubo descarado que se assiste: Não pode haver, nunca, a pobreza extrema, o egoísmo e que se extinga para sempre a impunidade, o nepotismo que continua enraizado nas instituições do Estado.

 

NOTA DE REDACÇÃO: A revista Figuras&Negócios está de luto. Morreu em Luanda, por doença, o jornalista e diplomata Manuel Augusto, o nosso Nelito, durante muitos anos, sócio de Victor Aleixo na empresa Artimagem – Produtora, na altura, da revista Comércio Externo e o Semanário Comércio Actualidade.

Manuel Augusto, foi sempre nosso amigo, colega e acompanhante permanente do processo de edição das nossas publicações. Por isso, estamos de luto, a chorar pelo passamento físico deste grande homem e companheiro de todas horas

À  sua família, os nossos sentimentos de pesar.

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