É com profunda indignação que a sociedade acompanha o desespero das famílias desalojadas pelo transbordo do rio Cavaco, em Benguela. A gravidade desta situação recai directamente sobre os ombros do Executivo, cuja negligência e falta de fiscalização preventiva transformam chuvas sazonais em desastres humanos previsíveis.
Diante do clamor popular por habitação, recordamos o lema que elegeu este governo: “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”. Infelizmente, em Benguela, o governo escolheu ignorar o que está mal e desamparar quem mais precisa.
A resposta das autoridades locais — que entregam meros 10 sacos de cimento, 100 blocos, 4 ripas, 5 folhas de chapa e 4 varões de ferro para reerguer uma vida inteira — é uma afronta que exige consequências imediatas. Se o Presidente João Lourenço é um líder humano, a sua única saída digna é a exoneração imediata do governador de Benguela e dos respetivos administradores municipais. A permanência destes dirigentes é a prova de que a má governação é tolerada ao mais alto nível, manchando definitivamente o fim do mandato presidencial.
A prioridade do Executivo em programar despesas milionárias com viaturas blindadas de protocolo, enquanto falta o básico para salvar vidas e dar tecto aos sinistrados, expõe uma falha moral inaceitável. O dinheiro público deve servir para proteger o cidadão, não para isolar os governantes da realidade. Deixamos um aviso claro ao partido que governa: a população de Benguela não esquecerá o desprezo e a humilhação sofridos. Nas urnas, o povo cobrará cada lágrima derramada sobre os escombros e cada promessa esquecida de melhoria e correção.Atentamente,
Quim do Kuito



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