
Victor Aleixo
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É verdade, a Venezuela, potência mundial de petróleo, sofreu, no passado dia 3 de janeiro, um colossal golpe, ao ver o suposto “primeiro líder mundial” , Donald Trump, raptar, prender e enxovalhar o casal presidencial do seu país, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez, na sua residência, em Caracas, alegadamente por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro forte. Soube-se que Trump acompanhou a acção ao vivo, cercado por assessores, no conforto do seu clube Mar-a-Lago, na Flórida.
Donald Trump devia é preocupar-se, como prioridade máxima, em proteger o seu país e o seu povo, mas o que se está a ver é a velha história das invasões estadunidenses que , hoje mais do que nunca, renasceu e da forma mais bizarra possível.
Este rapto à “Moda Trump” passou todos os limites da decência política e da moralidade civilizacional. Nesta altura, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, exercia a presidência pro-tempore da União Africana, e, nessa qualidade, evidentemente condenou a acção norte-americana, sem qualquer receio de represálias acentuadas por parte de Donald Trump. Com ambos os estados, o nosso país mantém boas relações económicas e há-de continuar assim por longos anos.
Os presidentes são eleitos provisoriamente como número Um dos respectivos Países, pelos quais juram cumprir e fazer cumprir as leis, por forma a salvaguardar os interesses legítimos dos seus povos, que são, na verdade , o seu “patrão”, citando e sublinhando o antigo presidente da República de Moçambique, Jacinto NHuzi.
Agora, se um cidadão qualquer, quer nos EUA, quer na Venezuela ou noutro país do mundo, acusasse o casal Maduro, como traficantes de drogas pesadas e corruptos, claro que devem ser, com base nas leis, julgados e, caso tudo seja provado, serem castigados, mesmo na qualidade de Presidente e Primeira-Dama da Venezuela.
Não pode Donald Trump, à revelia das instituições legais, quer sejam internas como externas, assaltar a Venezuela e arrastar o Presidente e sua esposa para o seu país. Lamentavelmente tal episódio vergonhoso já aconteceu em alguns países, curiosamente sempre com os EUA como protagonista.
A cada dia que passa, a situação geopolítica e económica mundial vai se agravando, pelas mais diversas razões, mas nesse caso específico do “Assalto a moda Trump” já se conhece a causa fundamental: o petróleo venezuelano, que alíás, foi capturado pelos Estados Unidos pela lei da força do costume.
No momento em que escrevo estas linhas, Donald Trump acaba de afirmar que o seu governo vai “administrar” a Venezuela e extrair
petróleo das reservas do país latino-americano “por muitos anos”. Está tudo dito!


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