Vítor Norinha
vnorinha@gmail.com
Desde os EUA até à América Latina, passando pela Europa, África e Ásia, este será o ano de todas as eleições. E com os novos ciclos eleitorais aumenta o nível de incerteza para empresas expostas ao mercado internacional, alerta o segurador francês Coface. Referem estes analistas que teremos eleições tensas, descontentamento social, mudanças na política dos EUA e reconfigurações geopolíticas o que se traduz num ano decisivo, mas “sem promessa de maior clareza”. Aquilo que se vê nos vários continentes “é a mobilização social que é mais frequente, mais organizada e mais estrutural e que cria focos de volatilidade que podem afetar operações empresariais, estabilidade regulatória e o clima de investimento”.
Por outro lado, temos o redesenho de fluxos comerciais e a exigir às empresas uma abordagem mais resiliente em face do risco-país. Estas orientações derivam de tensões militares, decisões tarifárias controversas e incerteza jurídica nos EUA.
Na análise anual de risco político e social são identificados os impactos diretos nas empresas, no comércio internacional e nas decisões de investimento. Refere o segurador que o risco político global atingiu os 41,1%, um máximo histórico, numa tendência que dizem ser estrutural e que é impulsionada pelo aprofundamento dosa conflitos armados, casos da Ucrânia e Médio Oriente, e pelo aumento da agitação interna violenta e que abala os poderes estabelecidos. Isto faz com que as empresas internacionais, as empresas que atuam no comércio internacional, incorporem os riscos políticos como um dos parâmetros nas suas estratégias de desenvolvimento e nas decisões de investimento durante o ano de 2026.
Os ciclos eleitorais significam instabilidade, a começar nos EUA com eleições intercalares em novembro e que poderá significar o redesenho do equilíbrio de poderes. Temos também o Brasil com eleições presidenciais em outubro e com a popularidade de Lula em queda. Na América latina temos eleições ainda na Colômbia e no Peru, enquanto na Europa temos eleições na Hungria, onde pode haver uma rutura depois de 15 anos de continuidade política. Também haverá eleições em França e que serão eleições autárquicas, mas que funcionarão como um barómetro para as presidenciais de 2027, e eleições ainda na Suécia. Em África teremos eleições na Argélia. Etiópia, Marrocos, República do Congo, Uganda e Benim, para além da Guiné-Bissau, enquanto Angola terá eleições gerais em 2027. Na Ásia é o Bangladesh que terá eleições ainda neste mês de fevereiro. Mas há também agitação social um pouco por todo o mundo, caso do Nepal, Indonésia e Filipinas, enquanto que há protestos em Marrocos e Madagáscar e turbulência na Guiné-Bissau. E de entre os regimes que merecem maior atenção dos media temos o Irão e onde há fortes movimentos de contestação. O Indicador Coface de risco-país refere que o Irão é o segundo país mais frágil em termos políticos e sociais e está atrás do Sudão.
Em conclusão, quer seja em países emergentes, quer em países desenvolvidos, há uma crescente frustração com as classes políticas no poder. E entre os desafios está a hegemonia americana na economia e na defesa, a par dos conflitos prolongados com a guerra Rússia-Ucrânia a fazer quatro anos e a aproximar-se do tempo de duração da II Guerra Mundial.



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