Vítor Norinha
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O fenómeno não é novo, mas está a agravar-se na América Latina, em que oito em cada 10 empresas a trabalhar na região, sofre atrasos nos recebimentos de clientes, diz o segurador Coface. Adianta que as empresas desta região “estão a endurecer as suas condições de crédito para se protegerem, mas sem conseguir travar o aumento dos atrasos nos pagamentos”. Ou seja, estão a apertar prazos, mas não conseguem acelerar os recebimentos.
Este facto exerce uma pressão redobrada sobre a tesouraria das empresas, pois o ambiente geral é de custos de financiamento elevados e forte concorrência, diz ainda a Coface. O Brasil e a Argentina registam os prazos de pagamento concedidos mais longos e que são de 66 dias em média, e o Peru tem o prazo médio de pagamento concedido mais curto e que é de 43 dias. O setor como prazo de pagamento contratado mais curto é o da madeira, com 40 dias, sendo que todas as transações são liquidadas no máximo em 60 dias, enquanto os setores automóvel e farmacêutico têm os prazos de recebimento contratados mais longos e que se situam acima dos 90 dias.
Globalmente, os analistas dizem que os atrasos nos pagamentos estão mais disseminados do que há um ano, e 79% das empresas inquiridas reportam atrasos nos recebimentos, sendo que esta proporção é uma média, sendo mais grave no Brasil, Chile, Equador e Peru. Entre as justificações para os atrasos está o custo de financiamento elevado, sendo que o Brasil é particularmente sensível neste argumento. Para o corrente ano de 2026 os riscos continuam a ser a desaceleração económica, a concorrência, as tensões geopolíticas, a volatilidade cambial e as taxas de juro elevadas. O desafio nuclear das empresas da América Latina continua a ser a garantia de liquidez.



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