Não são dados absolutos , nem definitivos sobre esta tragédia que ensombrou o país, por conta do “trabalho” de S.Pedro. As chuvas torrenciais provocaram cerca de oitenta mortos em todo o país e não é seguro confirmar que não tenham sido muito mais as vítimas mortais num país em que 1+1 nem sempre é igual a 2. Dúvidas sobre este facto? Nenhumas, mas a verdade é que houve, de facto, uma tragédia que, para alguns, “foi só mais uma” e vai-se andando que amanhã é outro dia. Simples. Enquanto isso, rezemos para que este tempo não nos traga mais desgraças, depois de uma seca que matou a esperança daqueles que fazem tudo para que o país diversifique a sua economia, abrace o desenvolvimento agro-industrial desejado e preconizado solenemente pelo Executivo.
Fomos acompanhando os factos registados a partir de variadas fontes,que , na generalidade, alertaram para o facto de existir cada vez mais a necessidade de se rever os sistemas de saneamento básico do meio, a minimização urgente do acesso das populações às zonas de risco para a construção de “habitações”, bem como a existência de um plano eficaz de emergência das autoridades face às catástrofes naturais, com vista a acudir os mais necessitados.
O INAMET já tinha previsto uma carga pluviométrica capaz de causar o caos generalizado no trânsito em Luanda e noutras grandes cidades do país, uma vez que 90 mm do volume foi por demais suficiente para tirar o sossego do cidadão mais avisado de que em Abril é que seriam elas; as chuvas duraram mais de seis horas e , de facto, as consequências foram nefastas.
De alguns pontos do país, as notícias surgidas de imediato nas redes sociais davam conta de que o pior haveria de acontecer. O resultado , dois dias depois, se não foi, de todo, trágico pelo menos foi assustador. O número de mortos provocados pelas chuvas intensas, só na província de Benguela, calculava-se em 24. Segundo um comunicado do governo da província, as mortes ocorreram nos municípios da Catumbela (10), Lobito (8), Benguela (4) e na zona dos Navegantes (2), na sequência das chuvas registadas e que causaram “danos humanos e materiais severos”.
“O Governo Provincial de Benguela manifesta o seu mais profundo sentimento de pesar e consternação pelo trágico falecimento de concidadãos”, referiu o comunicado, que garantia apoio às populações afectadas e apelava à vigilância e ao cumprimento das orientações das autoridades, acrescentando que as equipas da Protecção Civil e dos Bombeiros, sob coordenação do Governo Provincial, estavam mobilizadas nos municípios, incluindo a Baía Farta, para prestar assistência de emergência e proceder ao levantamento detalhado dos danos.
Entretanto, em Luanda, o último balanço apontava, dois dias depois, para três mortos por afogamento, registados nos municípios dos Mulenvos e Cacuaco, além de milhares de habitações inundadas.
De acordo com a agência Lusa, já na província do Cuanza Sul, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB) reportou a morte de uma cidadã, o ferimento de outra pessoa e um desaparecido, após chuvas acompanhadas de ventos fortes que afectaram vários municípios.
Segundo o SPCB, o fenómeno provocou ainda danos em 603 infraestruturas diversas naquela província. Devido às chuvas, registaram-se inundações em vários pontos do país, que afectaram residências, comércio e vias de acesso, obrigando ao corte da circulação rodoviária.
Naquela circunscrição, as tempestades provocaram também a queda de árvores, postes eléctricos e o transbordo de bacias de retenção, além de deixarem várias ruas intransitáveis em diferentes pontos da capital.
Entretanto, em Luanda, o governador , Luís Nunes, reuniu com a Comissão Provincial de Protecção Civil, com o objectivo de avaliar o impacto das chuvas intensas. Além das mortes, entre os principais danos registados destacam-se habitações danificadas, quedas de árvores, transbordo de bacias de retenção, deslizamentos de terras e o agravamento de ravinas nos 16 municípios da capital angolana.
Ao mesmo tempo, as administrações municipais levaram a cabo trabalhos de sucção de águas pluviais, apoio às famílias afectadas, operações de limpeza e desobstrução de colectores, remoção e poda de árvores, bem como acções de sensibilização junto das comunidades, segundo uma nota divulgada nas redes sociais do Governo Provincial de Luanda.
Presidência atenta – O Presidente angolano manifestou profunda preocupação com os estragos provocados pelas chuvas intensas que atingiram várias regiões do país nos últimos dias e disse que as autoridades estão numa corrida contra o tempo para localizar e resgatar desaparecidos.
João Lourenço expressou condolências às famílias enlutadas e garantiu máximo empenho do executivo no apoio às pessoas afectadas.
“Temos a lamentar a perda de vidas enquanto outros cidadãos se encontram na condição de desaparecidos, obrigando-nos a empreender uma luta contra-relógio no esforço para a sua localização, resgate e assistência médica.Inúmeras casas ficaram inundadas ou desabaram, estradas foram cortadas e diversos outros equipamentos sociais como sistemas de fornecimento de água sofreram danos severos, desestruturando o funcionamento em normalidade de cidades, vilas e outros conglomerados humanos, escreveu o Chefe de Estado”, acrescentando que “face à dramática situação causada por este fenómeno natural, exprimo em nome do Executivo e no meu próprio, profundas condolências às famílias que perderam seus membros e encorajo a que tudo seja feito para o rápido restabelecimento dos que sofreram ferimentos e danos de outra natureza”.
João Lourenço termina a sua mensagem , garantindo que a assistência aos sinistrados “é um compromisso que o Executivo levará a cabo sem hesitações e com o máximo empenho, por via dos diferentes entes do Estado vocacionados para as intervenções correspondentes”.



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