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De acordo com os dados do INE PECUÁRIA, PESCAS E APICULTURA EMERGEM PARA DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA ROBUSTA

Escrito por figurasnegocios

Na pecuária, os dados revelam igualmente forte predominância de pequenas explorações familiares. Caprinos e aves representam as espécies mais difundidas, seguidas dos bovinos e suínos. Províncias como Huíla, Huambo, Cunene, Benguela e Bié continuam a liderar a produção pecuária nacional, consolidando-se como principais corredores agro-pecuários do país.

Entretanto, o relatório aponta uma tendência preocupante: a redução dos efectivos de bovinos, suínos e caprinos entre 2024 e 2025. As possíveis explicações estão relacionadas com efeitos prolongados da seca no Sul, dificuldades de alimentação animal, doenças pecuárias, limitações veterinárias e pressão económica sobre pequenos criadores.

A estrutura produtiva pecuária permanece fortemente extensiva e de baixa escala, com a maioria das explorações possuindo poucos animais.

 

Pesca continental ganha importância – O sector das pescas apresenta outro dado relevante: a predominância da pesca continental sobre a pesca marítima em número de operadores.

Espécies como bagre e cacusso lideram as capturas em águas interiores, enquanto sardinha, carapau, corvina e cachucho dominam a pesca marítima.

Este crescimento da pesca continental possui implicações importantes para a segurança alimentar, o rendimento das famílias rurais, as economias locais e o abastecimento de proteína animal.

Entretanto, o sector continua dependente de práticas artesanais e enfrenta desafios de conservação, logística e processamento.

 

Apicultura emerge como actividade complementar – Embora ainda relativamente pequena, a apicultura surge no relatório como actividade económica complementar em expansão. O país registou mais de 14 mil explorações apícolas, com produção próxima de 2 milhões de litros de mel.

A apicultura apresenta vantagens estratégicas importantes tais como o baixo custo do investimento inicial, reduzido impacto ambiental, fácil integração com agricultura familiar, potencial exportador, e geração de rendimento adicional.

Em várias economias africanas, o mel tem-se tornado produto relevante para exportação e desenvolvimento rural sustentável.

O grande desafio reside na transformação do crescimento rural em modernização agrícola. O relatório do INE confirma que Angola possui enorme potencial agro-pecuário, mas também evidencia que o país continua distante de uma transformação estrutural plena do sector agrícola.

Persistem vários desafios fundamentais: baixa produtividade, reduzida mecanização, fraca integração agro-industrial, dificuldades logísticas, acesso limitado ao crédito, insuficiência de infra-estruturas rurais, vulnerabilidade climática e limitada assistência técnica.

Num contexto de pressão demográfica, volatilidade internacional dos alimentos e necessidade de diversificação económica pós-petróleo, a modernização agrícola torna-se uma questão estratégica para Angola.

Os dados do ICAPP demonstram que o futuro da segurança alimentar, do emprego rural e da diversificação económica angolana dependerá da capacidade do país em transformar milhões de pequenas explorações familiares em unidades produtivas mais eficientes, integradas ao mercado e tecnologicamente mais modernas.

Por: M.P.

 

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