Ponto de Ordem

ÁFRICA, O NOSSO BERÇO

Victor Aleixo
victoraleixo12@gmail.com

África, sem dúvidas, é o berço da humanidade; menos dúvidas ainda se tem, quando se constata que são os africanos os que mais sofrem dentro do seu próprio berço. Existe em cada um de nós este sentimento, apesar de se conhecerem os enormes recursos que a natureza divina foi capaz de proporcionar ao continente. Há já a certeza que é por isso mesmo que a África continua na agenda  dos países mais industrializados do mundo, com vista a depredação concertada das suas riquezas. Séculos após séculos, a sangria continua, a “compra” dos cérebros mais brilhantes do continente se intensifica e hoje cada vez mais descarada, mais organizada, de forma mais institucionalizada pelos estados  desenvolvidos.

Para piorar a situação de África, surgiram ao longo da sua história – mesmo depois de a maior parte dos seus estados terem conquistado as respectivas independências – os herdeiros do império colonial, uns instalados dentro do  continente, outros fora. Os que  convivem com esta realidade vergonhosa; os que servem os antigos “donos”, têm as suas fortunas depositadas na Europa e nas Américas ou no Médio Oriente. São fortunas que poderiam tirar da miséria centenas de milhões de seres humanos, grande parte dos quais forçada a emigrar em busca de uma vida mais decente.

Os dirigentes  dos países que integram esta  África sofrida deviam aproveitar a oportunidade para, em fóruns próprios como a Assembleia Geral da ONU ou em sede da União Africana e tantas outras, repudiar, a uma só voz, as acções estrategicamente bem organizadas nas antigas sedes dos antigos impérios coloniais, que visam travar o desenvolvimento do chamado “berço da humanidade”.

Não é ficção nenhuma, mas, sim, o desejo de muitos desta  geração de jovens africanos que, com os olhos mais abertos, mais conhecedores da verdadeira história civilizacional de África; mais globalizados e intelectualmente mais bem preparados, pretendem abrir uma nova etapa de luta pela reconquista dos valores mais nobres dos povos africanos, visando sempre e sempre a sua prosperidade, a bem da própria humanidade.

Os dirigentes políticos devem ser firmes e escorreitos com aqueles que pretendem dividir para melhor reinar no continente. E o pior dos males é a corrupção e o nepotismo que grassa na maior parte dos nossos estados. Em alguns estados, parece que as coisas vão mudando neste aspecto e o caso mais evidente é o do Presidente João Lourenço que apostou forte no combate a este mal terrível para o desenvolvimento económico-social de Angola, preocupando-se ao mesmo tempo com a instabilidade político-militar instalada em várias regiões do continente..

“Infelizmente, o egoísmo e o desrespeito das normas do direito internacional e particularmente a ingerência nos assuntos internos de outros Estados por países mais fortes são factores que geram instabilidade, tensão e conflitos armados com consequências políticas e sociais graves, pondo em risco a segurança internacional”, afirmou o Chefe de Estado, quando se comemorava 40 anos de independência do seu país.

Importa relembrar aqui neste apontamento um extracto do discurso proferido por Barack Obama, quando esteve na sede da União Africana, em 2015: ” Quando vim para a África subsariana como Presidente, disse que a África não precisa de homens fortes, precisa de instituições fortes.  E uma dessas instituições é a União Africana. Aqui, vocês podem estar juntos, com um compromisso comum, em prol  da dignidade humana e o desenvolvimento. Aqui, as 54 nações africanas devem prosseguir uma visão comum de uma “África integrada, próspera e pacífica”.

Sim, no nosso “berço” devemos estar mais unidos!

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