Vítor Norinha
vnorinha@gmail.com
Há riscos acrescidos para as economias emergentes que são importadoras de combustíveis. O alerta está no “Energy Outlook” do segurador Crédito y Caución, e no qual se desta que “uma desaceleração estrutural na transição energética global aumenta a vulnerabilidade macroeconómica dos países importadores de energia.”
A situação de guerra, primeiro na Ucrânia, depois em Gaza e agora no Irão e no Líbano vai fazer atrasar a transição energética de combustíveis fósseis para a eletrificação proveniente de energias limpas. Isto significa que os combustíveis fósseis e a partir dos quais de produz gasóleo e gasolina, terão preços elevados durante mais tempo, e o que está a acontecer com as economias dependentes de importação de combustíveis é que estas contavam com a descida de preço dos combustíveis fósseis, mas, na verdade, isso não irá acontecer tão cedo. O segurador contabiliza no mundo cerca de 63 países com faturas líquidas de importação de combustível superior a 4% do seu Produto Interno Bruto, ou seja, um terço dos países do mundo. Parte destes países são mercados emergentes que já apresentam défices significativos na conta corrente, referem os mesmos analistas. Diz o economista sénior da Atradius, Niels de Hopg, que “o declínio estrutural da dependência do combustível ainda é demasiado modesto para os proteger.” Refere ainda que o progresso nas renováveis continua fraco na redução significativa da procura por combustíveis fósseis, pois a eletrificação está a ser lenta. Ainda se diz no relatório que mais de metade dos países importadores de energia analisados neste relatório, poderão experienciar uma deterioração do seu saldo da conta corrente até 2035, e dão o exemplo de países que enfrentarão mais dificuldades como a Tunísia, o Paquistão e o Líbano. As contramedidas passarão pela resiliência e a aceleração do investimento em renováveis locais para reduzirem a dependência das importações.



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