Prognósticos para o corrente ano são geralmente reservados apesar do relativo optimismo do Banco Nacional de Angola (BNA) que antecipou em meados de Janeiro um crescimento de cerca de 3,5%, baseado na retoma do sector petrolífero avaliada em 1,1% após uma contração de 4,6% em 2025. Em termos líquidos e tomando em consideração o crescimento da população em níveis maiores ou similares à taxa de crescimento da economia, o país continuará a permanecer na zona vermelha em termos de pobreza.
Segundo dados apresentados pelo governador do banco central, Manuel Tiago Dias, espera-se uma evolução favorável do Produto Interno Bruto (PIB), alavancada pelo crescimento de 4,5% do setor não petrolífero, seguido há certa distância pelo sector petrolífero.
Seguem-se previsões mais optimistas para a inflação, a descer para os13,5% em 2026, um pouco menos dos 15,7% registados em 2025, que segundo o BNA vai basear-se num nível de liquidez compatível com o crescimento económico e ainda sustentada numa premissa difícil de garantir, que seria a relativa estabilidade dos preços dos bens alimentares no mercado internacional.
O governador do BNA adiantou igualmente na mesma ocasião que o ‘stock’ de crédito à economia atingiu 7,37 mil milhões de kwanzas (8,06 milhões USD), em dezembro de 2025, representando uma expansão acumulada de 22,6 por cento, o que corresponde a um aumento de 1,36 mil milhões de kwanzas (1,48 milhões USD), face a Dezembro de 2024.
Tiago Dias reportou também o que designou de aceleração digital no sistema de pagamentos de Angola em 2025 uma aceleração da digitalização, que se teria traduzido em melhoria da inclusão financeira em Angola, patente na maior utilização de canais electrónicos automáticos.
O volume de transações na rede Multicaixa e nos sistemas de transferências teve também uma evolução positiva, com maior utilização de pagamentos instantâneos por via do sistema Kwik, crescimento do número de caixas automáticas em 12% e recursos aos códigos QR.
Ainda segundo o governador do BNA, o mercado cambial primário exibiu melhorias, com a oferta regular de divisas, proveniente das companhias petrolíferas, diamantíferas e de clientes dos bancos comerciais, a aumentar em 23%, passando de 7,895 mil milhões de dólares, para 9,689 mil milhões de dólares, o que terá contribuído para a estabilidade da taxa de câmbio. A oferta de divisas do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Angola totalizou em 2025 cerca de 12 milhões USD.
Em matéria de reservas internacionais o panorama continua a não ser muito animador com o ‘stock’ das reservas internacionais a fixar-se em 15,903 mil milhões de USD, no fim do ano passado, contra os 15,767 mil milhões de USD, de 2024, traduzindo um aumento de 136 milhões de USD, proporcionando uma «manta de cobertura» de 7,6 meses de importações de bens e serviços.
Estes cenários contrastam com as previsões de outras fontes, designadamente a consultora britânica Oxford Economics que antecipa uma deterioração das condições financeiras em 2026, entremeadas com aumento de pressões cambiais, risco de incumprimentos da dívida soberana e fragilidades orçamentais.
Desde logo a colocação de Angola entre os quatro países da região mais vulneráveis a uma eventual reestruturação da dívida ou incumprimento financeiro paralelamente a Moçambique, Senegal e Malawi, conforme um relatório sobre as perspectivas económicas da África Subsaariana divulgado no início deste ano. Na base desta estimativa está o peso esmagador da dívida publica e a concomitante pressão sobre as finanças externas.
Noutra nota de contraste o referido relatório prognostica um constrangimento maior devido à deterioração da situação cambial e a evolução da política fiscal pressionando o BNA a aumentar a taxa de juro de referência ao longo do ano em curso.
Ainda segundo o relatório da Oxford Economics constata-se uma revisão em baixa da previsão de crescimento económico para Angola em 2026, de 3,2% para 2,8%, traduzindo uma queda do investimento, influenciada pela instabilidade cambial e pelo persistente percurso periclitante da economia não petrolífera.
De notar que estes aviso a navegação em matéria da dívida angolana tem sido recorrentes, com agências de notação financeira como a Fitch Ratings a assinalar no final de 2025, que apesar do rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) estar a descer, mas a um ritmo menor. De acordo com a Fitch, o rácio deverá passar de 54,2% em 2024 para 50% em 2025 e 48% em 2026.



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