Já lá vão cinco décadas desde que Angola sacudiu do trono quem ao longo de cinco séculos roubou o direito do seu povo viver em liberdade, dignidade e a satisfação de ser dono do seu próprio destino. Não foi fácil libertar-se das grilhetas de um regime colonial atroz, apenas resignado e derrotado por via da luta armada…Esta nação nascida sob sucessivas guerras violentas, cujas consequências catastróficas ainda perduram, ergue-se com muitas dificuldades, mas resiste! Sobrevive. Luta para a consolidação da sua soberania, da sua liberdade e da paz.
Textos de: Carlos Miranda (Jornalista)
Fotos: George Nsimba e F&N
Cinquenta anos depois, olha-se já com alguma nostalgia o passado, a data marcante da vida deste país: o “11 de Novembro de 1975”. E houve, sim, motivos mil para que este marco histórico fosse comemorado da forma como o foi…A Praça da República, localizada na Nova Marginal de Luanda foi a “banda”, preparada para acolher os convidados especiais; gente proveniente dos quatro cantos do mundo e gente cá da terra-mãe-pátria que, às dezenas de milhares, tornaram o acto central das festividades um local mais bonito, alegre e simpático. É a sina da nossa gente.
Perante este quadro económico-social pouco animador que vivenciamos, verdade se diga: terá valido a pena o país cinquentão ter chegado até aqui, uma vez que foi capaz de sobreviver, resistir e sonhar com um futuro melhor. Parado é que não está, nunca esteve, e continuará a dinamizar certamente melhores estratégias rumo ao desenvolvimento menos penoso nas próximas décadas, embora o “chicote” da crise económica global e as estúpidas guerras e descaradas invasões além- fronteiras ainda se façam sentir por mais algum tempo. Oremos.
… No quadro da celebração do “11 de Novembro de 2025”, foi criada uma Comissão Interministerial para a Organização das Acções Comemorativas Alusivas ao 50.º Aniversário da Independência Nacional. Foi esta a entidade organizadora do extraordinário Acto Central das celebrações, realizada na Praça da República.
A referida Comissão antes revelara que “ a celebração de tão importante marco impõe a necessidade de uma incursão, clara e inequívoca, pela evolução da história de Angola, centrando-se, necessariamente, em três momentos cronológicos: (I) a luta contra a dominação colonial e pela independência nacional, (II) a conquista da paz e a salvaguarda da unidade territorial e, por fim, (III) a reconciliação nacional e a construção dos pilares para o desenvolvimento. Esta linha cronológica tem servido, entretanto, de esteio para as actividades comemorativas, cujo enquadramento de base requer um alinhamento com o carácter histórico das celebrações e com os desígnios políticos de transmissão de legado, recuperação e reforço dos valores pátrios”.
Dito e feito. No passado dia 11 de Novembro, a partir das 8 H 30 minutos, com a chegada do Presidente da República deu-se o início a um acto que certamente ficará registado nas nossas memórias, porque, afinal, não houve outro ocorrido no mesmo local com tão grande solenidade e impacto a nível interno.
Mais de dez mil convidados, em representação de todos os segmentos da sociedade, testemunharam “ in situ” a presença de dezenas de chefes de Estado, Vice-Presidentes, Primeiros-Ministros, Presidentes de Parlamentos e Ministros dos Negócios Estrangeiros. Enfim, numa só “assentada” , pisaram o solo angolano, cerca de 45 delegações estrangeiras, para além dos cerca de 350 jornalistas credenciados para a cobertura da cerimónia, que, decorreu sem qualquer incidente.
Tal como previa o programa oficial do acto central das comemorações, antes da cerimónia propriamente dita, o Presidente da República, João Lourenço, acompanhado pelos Chefes de Estado convidados, prestaram homenagem ao Presidente António Agostinho Neto, no sarcófago existente no local, ao que se seguiu um outro facto solene: a condecoração com a medalha de honra ( a título póstumo) ao Presidente António Agostinho Neto, proclamador da Independência Nacional, por ter sido o primeiro Presidente da República e pelo contributo prestado à nação.
Desfile cívico – O dia esteve carregado de surpresas, pois poucos previam que o acto fosse tão preenchido por tanta e farta manifestação de cidadania representativa de todos os extractos sociais, económicos e culturais das vinte e uma províncias do país, num desfile que envolveu mais de seis mil participantes, maioritariamente jovens de sonhos, desejos , dúvidas e incertezas, mas com espírito de confiança numa Angola melhor.
O Desfile Cívico, tal como o denominou , e bem, a Comissão Interministerial para a Organização das Acções Comemorativas Alusivas ao 50.º Aniversário da Independência Nacional, esteve muito bem; apresentou as potencialidades naturais das suas respectivas regiões em blocos durante cerca de uma hora; levantou das tribunas os convidados “especiais”, e fez dançar os menos forçados a obedecer as sempre arreliantes regras protocolares.
Desfile militar
“A PÁTRIA AOS SEUS FILHOS NÃO IMPLORA; ORDENA !!”
Depois das 12 horas e 30 minutos desfilaram as armas e as forças angolanas, demonstrando todo o seu poderio bélico aéreo, marítimo e terreste, sobretudo um potencial humano capaz de intervir, em nome da paz, onde quer que seja chamado, desde que a “PÁTRIA ORDENE”, como se ouviu dizer ao longo do desfile militar.
Mas o que é um desfile militar? Interessa saber através de uma fonte geralmente muito bem informada – a wikipédia: “um desfile militar ou parada militar é um acto ou evento em que os soldados de uma ou mais unidades do exército de uma nação ou organização militar marcham ordenadamente em formações através das ruas de uma cidade ante uma autoridade e o público assistente; seja com propósito cerimonial, de render honras, comemorativo ou de propaganda (mostrar a capacidade armamentística e de forças da nação que o realiza).
Durante o mesmo levam seus uniformes, distintivos, bandeiras e parte de suas armas e veículos. Costumam estar acompanhados de música ou marchas militares.Os desfiles costumam ensinar a capacidade dos diferentes exércitos de que se compõe a milícia: marinha, força aérea e exército, e em alguns casos, também das forças policiais. Geralmente são presididos, nos actos nacionais, pelo chefe de Estado”.
Pois foi isso exactamente o que sucedeu na Praça da República, em Luanda, na manhã/tarde do dia 11 de Novembro de 2025! Cumpriu-se um objectivo: demonstrar a prontidão e modernização das forças da ordem e de defesa do país…
Coube ao Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas ( FAA), o General de Aviação Altino Carlos José dos Santos, pedir autorização ao Comandante-em-Chefe das FAA, General João Lourenço, para que se desse o início do desfile militar que duraria cerca de duas horas e meia.
Quarenta e dois antigos combatentes e veteranos da Pátria transportados em viaturas fizeram as honras da abertura, seguindo-se-lhes as companhias e batalhões da Força Aérea Nacional, que em marcha cadenciada, deram lugar aos marinheios, os fuzileiros, as tropas especiais do exército, as forças de reacção rápida e de patrulhamento, bem como um destacamento feminino da Polícia nacional.
A hora e vez da exposição dos meios técnicos operacionais da Polícia Nacional diante da tribuna deu sinais claros de que a manhã seria extraordinariamente interessante, uma vez que algum equipamento mais sofisticado dos demais ramos das Forças Armadas seria apresentado em “primeira mão” ao público.
Para muitos, foram vistos pela primeira vez as famosas viaturas de comando e controlo móvel, munidas com sistemas de comunicação moderna, que permitem encetar operações em ambientes hostis, bem como um veículo blindado multifuncional, com capacidade sub-aquática e os famosos blindados BTR.
O exército fez jus à sua dinâmica de cada vez mais ser moderno e eficaz com a exibição de variados veículos como os tanques BPM 2, os T55 AM2, que continuam em exercício em diversos cenários de combate internacionais, pois foram actualizados com equipamentos de visão nocturna e de controlo do tiro, por exemplo.
À frente do bloco dos tanques T 72, destacou-se uma senhora, cujo nome marcou este desfile militar: tratava-se da Tenente Flávia, Comandante da 2ª Companhia do Batalhão de Tanques!
Outros veículos de combate que actuam em todas as condições climáticas foram igualmente apresentados, nomeadamente os lançadores de mísseis balísticos e peças de artilharia de alto calibre, como a M 46 de longo alcance, concebida para atingir alvos blindados e infantaria.
O lançador múltiplo, conhecido por BM 21, ou mais cá entre nós, por “ Monacaxito”, possui um sistema de lançamento de quarenta tubos, com um alcance de 20 Km. Mas hoje pode facilmente chegar aos 40 Km, nas versões mais avançadas. Ele trouxe-nos à memória a guerra, sobretudo o seu desempenho eficaz para que se consolidasse a nossa soberania e integridade territorial nos períodos mais “quentes” do país .
Não tardou, surgiu um “monstro” assustador em campos de batalha: o BM 27, um lançador múltiplo de foguetes. É mais conhecido por “Uragan”, que chega a atingir alvos acima dos 70 Km. Os tipos de ogiva incluem alto-explosivo de fragmentação. Pode dispersar minas anti-tanque e utilizar munições químicas. O Uragan foi também projectado para saturar grandes áreas de instalação de artilharia, atacando alvos como a concentração de tropas, veículos blindados e infraestruturas erguidas.
Seguiu-se a artilharia auto-propulsada, com os seus respectivos sistemas e na vanguarda apresentou-se o 2 S 1, de 122 mm, que também é sub-aquático, equipado com um motor diesel V8 de 300cv, bem como o 2 S 3, o famoso “Pion”, cujo poder de fogo alcança 47 Km quando assistido por foguetes.
A vez dos drones já se esperava que arrebatasse alguma incredulidade, dada a sua raridade visual em termos de actuação nestas paragens. Pois, alguns foram expostos, especialmente os “Verkut” e os “Airstar”, que são usados para reconhecimento, observação aérea óptica electrónica, mesmo em condições climáticas adversas, permitindo a localização exacta dos alvos para a artilharia.
Seguiram-se outros equipamentos militares, com grande capacidade de fogo e eficácia contra alvos aéreos e em determinados contextos de combate. É o caso das ZU23, usados para a protecção de unidades militares, bases e infraestruturas estratégicas contra ataques aéreos, contra alvos em conflitos de insurgência; fornece apoio às forças em terra, combatendo a infantaria e veículos blindados.
Ainda sobre os sistemas anti-aéreos, transportadas em viaturas robustas, tivemos no desfile os S60, veículos blindados de artilharia aérea alto-propulsados, os sistemas de mísseis guiados por radar, alguns dos quais projectados para interceptar mísseis de cruzeiro.
Para apresentação, foram à Praça da República os meios operacionais utilizados pela Polícia Nacional, tais como o Centro Integrado de Segurança Pública, esquadras e postos de comando móveis, drones de apoio com autonomia de voo de 72 horas, atingindo uma altura de 1500 pés, bem como as viaturas e motorizadas ao serviço da Ordem Pública, Polícia Fiscal Aduaneira, Polícia Guarda Fronteiras, de apoio ao patrulhamento, à prevenção e controlo rodoviário, bem como variado equipamento de fiscalização das fronteiras marítimas, fluviais e de lagoas navegáveis.
…Todos os olhares foram fixados no horizonte. Começaria o desfile dos meios aéreos ao serviço da Força Aérea Nacional, com três helicópteros (AW139, AW109 e o 11715 H ), transportando a bandeira da República e a alusiva às celebrações dos 50 anos de independência do país.
Sobrevoaram a imensa tribuna, as aeronaves de transportes táctico, de carga, como o Antonov e o IL 76, com quatro motores. A sua capacidade é demolidora: tem 46 metros de comprimento, uma envergadura de 50 metros e uma altura de 14,8 metros. Para fechar em festa, os supersónicos Sukoi 39 e os K8W, que pulverizaram os céus com as cores da bandeira nacional.
Minutos depois, na Baía de Luanda continuava a festa, com o desfile naval da Marinha de Guerra de Angola, que envolveu 12 unidades articuladas em lanchas de patrulha, lanchas de interceptoras, navios de patrulha oceânica, sendo de destacar o “Águia do Oceano”, quer pela sua beleza e versatilidade, como pelo seu sofisticado aparelho instalado para cumprir missões de vigilância marítima, operações de busca , salvamento e resgate, de protecção às plataformas petrolíferas.
O navio “Águia do Oceano”, também foi concebido para o rastreamento do litoral, oceanografia costeira e apoia as forças especiais.
Quando eram cerca das 14 horas e 30 minutos, estava dado como encerrado o maior desfile militar de Angola ao longo dos seus cinquenta anos de existência como país independente. A cultura, a arte do bem cantar Angola e os seus feitos ficou sob responsabilidade dos seus filhos; jovens e veteranos artistas cantaram o hino feito para enaltecer a data de celebração, sob o comando do autor, o músico-compositor “Totó”. Lá estiveram 26 colegas seus, entre os quais, Calabeto, Robertinho, Lulas da Paixão, Adão Miranda, Dj Tafinha, Edmásia Mayembe, Euclides Dalomba, Yola Semedo, Dom Caetano, entre outros.
Bem haja!
Cronologia
MUITAS PEDRAS PELO CAMINHO, MAS VAMOS INDO…
Ao longo da cinquenta como país independente, muitos foram os obstáculos encontrados no percurso, mas foi-se andando e cá estamos: temos mais caminho a desbravar: o da consolidação das nossas conquistas como a paz e a reconciliação nacional, sem as quais torna-se impossível caminharmos rumo ao desenvolvimento económico e social: Vale a pena recordar a História:
1954 – Fundação do PLUA – Partido da Luta dos Africanos de Angola.
1956 – Do PLUA emergiu o MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, sob a presidência de Agostinho Neto.
1956 – Um manifesto do MPLA circula pelas ruas de Luanda a denunciar a opressão colonialista.
1958 – O MIA – Movimento de Independência de Angola – une forças com o MPLA.
1975 – 11 Novembro – O Presidente Agostinho Neto proclama em Luanda a independência de Angola.
1976 – 27 Março – Retirada das tropas sul-africanas que, a partir da Namíbia, haviam lançado em Outubro, a “Operação Savannah”, contra o território angolano.
1977 – 27 Maio – Tentativa frustrada de um Golpe de Estado, conduzido por Nito Alves e outros dissidentes do MPLA.
1979 – 10 Setembro – Morre em Moscovo, vítima de doença, o Dr. Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola. José Eduardo dos Santos é proclamado o novo Presidente da República no dia 21 de Setembro.
1981 – Agosto – Quinze mil soldados sul-africanos, apoiados por blindados e aviação de combate, invadem Angola, bombardeando a província da Huíla e ocupando parte da província do Cunene, na operação designada por “Prothea”.
1983 – Setembro – As Forças Armadas angolanas desencadeiam a “Operação Berlim” para impedir a abertura da intitulada “segunda fase estratégica” da UNITA, na região do Mussende no Kwanza-Sul.
1984 – 25 Março – A UNITA ataca a cidade do Sumbe, capital do Kwanza-Sul.
17 Novembro – O Presidente angolano apresenta uma “Plataforma da Paz” numa carta dirigida a Javier Perez de Cuellar, secretário-geral da ONU, onde requer a retirada imediata e incondicional das forças sul-africanas e a cessação das agressões contra Angola, e a cessação de todo o apoio à UNITA a partir do exterior.
1986 – Janeiro – O Líder da UNITA, Jonas Savimbi, é recebido na Casa Branca pelo Presidente Ronald Reagan.
1987 – Setembro – Tropas sul-africanas invadem o sudoeste angolano para contrariar a ofensiva governamental contra a UNITA.
1988 – Janeiro – Forças sul-africanas atacam as posições angolano-cubanas a Leste do Kuíto Cuanavale, no Kuando-Kubango, com tanques, carros blindados e aviões de combate.
11 de Maio – Realização da Primeira Reunião Quadripartida entre delegações de Angola, Cuba, África do Sul e EUA em Londres, com vista à resolução do Processo de Paz em Angola e da independência da Namíbia.
Julho – Em Nova Iorque e Genebra realizam-se a 4ª e 5ª Reunião Quadripartida, onde se alcança um acordo sobre um conjunto de princípios e anuncia-se um cessar-fogo provisório.
1989 – 22 Junho – Um Plano de Paz é estabelecido entre o Presidente angolano e o líder da UNITA em Gbadolite, no Zaire. Cinco dias depois o Governo denuncia a violação, por parte da UNITA, do acordo de cessar-fogo e Jonas Savimbi desmente ter aceite o seu afastamento da cena política.
1990 – Face à falha do acordo de Gbadolite, Angola prescinde da mediação zairense e opta pela portuguesa. Várias reuniões realizam-se em Portugal entre delegações do Governo e da UNITA, sem quaisquer resultados. Portugal defende a participação futura de observadores norte-americanos e soviéticos.
1991 – 31 Maio – É assinado em Bicesse, Portugal, um Acordo de Paz entre o Presidente angolano e o Líder da UNITA, que prevê o cessar-fogo e normas de convivência entre as partes, nomeadamente a constituição de um exército único e a marcação de eleições multipartidárias. As Nações Unidas, através da UNAVEM-II, fiscalizarão o cumprimento do cessar-fogo no país.
1992 – 29/30 Setembro – Primeiras eleições gerais multipartidárias, presidenciais e legislativas, na História do País. O Presidente José Eduardo dos Santos vence a primeira volta das presidenciais com 49,57% dos votos e o MPLA obtém a maioria absoluta nas legislativas com 53,74% dos votos.
1993 – 7 Março – A UNITA ocupa militarmente o Huambo, a segunda cidade do país. Cinco dias depois, o Conselho de Segurança da ONU aprova mais uma resolução que condena “as persistentes violações pela UNITA das principais provisões do Acordo de Paz”, por se ter retirado das novas Forças Armadas e não ter participado nas instituições políticas saídas das eleições.
1994 – Novembro – As Forças Armadas Angolanas (FAA) retomam as cidades do Huambo e Uíge. No dia 20, o Governo e a UNITA assinam formalmente o Protocolo de Lusaka, que assinala “supostamente” o fim das hostilidades no País.
1995 – 9 Dezembro – Em Washington, o Presidente de Angola reitera o seu total empenho no processo de reconciliação nacional e no programa de reformas económicas do Governo.
1996 – Setembro – O III Congresso da UNITA rejeita a indicação de Savimbi para ser um dos vice-presidentes. O MPLA recomenda ao Governo que declare a caducidade da cláusula do Protocolo de Lusaka que conferia ao líder da UNITA um “estatuto especial”.
1998 – 9 Dezembro – A UNITA anuncia que está a organizar as suas forças para reatar a guerra. Dias depois, forças militares cercam as cidades do Huambo e Kuíto. O Conselho de Segurança da ONU deplora a “grave deterioração da situação em Angola” e atribui a responsabilidade a Jonas Savimbi.
1999 – Janeiro – A UNITA inicia um ataque à cidade de Malanje. O Secretário-Geral da ONU propõe em Washington o fim das operações da ONU em Angola.
Agosto – O Presidente Angolano anuncia em Maputo que o seu Governo não voltará a negociar com Jonas Savimbi.
2000 – Fevereiro – O Presidente de Angola denuncia que a UNITA, derrotada na guerra convencional, procura agora bases de apoio no interior e no exterior para passar à guerra de guerrilha.
2000 – 11 Novembro – Numa mensagem à Nação, por ocasião do 25º Aniversário da Independência nacional, o Presidente José Eduardo dos Santos anunciou uma larga amnistia para todos os que abandonem a guerra e optem pela Democracia, para iniciar os preparativos das próximas eleições presidenciais e legislativas. Garantiu que o Governo continua empenhado em vencer a crise económica e social.
2002- Morre Jonas Savimbi
2002- Acordos de Paz
2008- Eleições gerais . Votaram pouco mais de oito milhões, tendo o actual partido no poder obtido uma maioria esmagadora. O MPLA conseguiu conquistar 81, 73 por cento ( mais de quatro milhões de votos) e a UNITA 10,38 por cento ( mais de 500 mil votos), enquanto que outras formações políticas como o Partido de Renovação Social (PRS) Nova Democracia ( a grande surpresa) e a Frente Nacional de Libertação de Angola encarregaram-se de abocanhar as “migalhas” restantes do pleito.
2012- Eleições gerais – O MPLA conseguiu uma maioria qualificada. José Eduardo dos Santos mantém-se como Presidente da República, Manuel Vicente passa a Vice Presidente da República e o MPLA conseguiu ainda eleger 175 deputados ao ciclo nacional. Notícias
2017 – José Eduardo dos Santos retira-se da vida política activa. O general João Lourenço, até então Ministro da Defesa e vice-Presidente do MPLA, é eleito Presidente da República nas eleições gerais de Agosto.
2022- João Lourenço é reeleito Presidente da República nas eleições gerais de agosto, num pleito com maior competitividade e contestação por parte da oposição, principalmente a UNITA.
2024 – O Presidente Joe Biden visita Angola aos 2 de fevereiro deste ano.Tratou-se de uma primeira visita de um estadista norte-americano a África sub-sariana e durou três dias. Em Junho deste mesmo ano, Angola acolhe a 17ª Cimeira Empresarial EUA-África que ocorreu em Luanda. O evento reuniu mais de 1.500 participantes, incluindo chefes de Estado africanos, altos funcionários do governo dos EUA, e representantes empresariais, com o objectivo de fortalecer as parcerias económicas e promover investimentos em áreas como infraestrutura, energia e tecnologia. Durante a cimeira, foram prometidos mais de 100 mil milhões de dólares em investimentos americanos, com um foco especial no Corredor do Lobito.
2025 – Angola alcançou um marco histórico ,no dia 15 de fevereiro de 2025. Pela primeira vez, o país assume a presidência rotativa da União Africana, representado pelo seu Chefe de Estado, João Manuel Gonçalves Lourenço. A cerimónia de investidura decorreu em Adis Abeba, na Etiópia, durante a 37.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização.
P. R. no acto central das comemorações do 50º Aniversário da Independência nacional
“NÃO DEIXEMOS QUE AS DISPUTAS PARTIDÁRIAS CONSUMAM GRANDE PARTE DO NOSSO TEMPO”
“Precisamos de nos focar em acções e iniciativas que contribuam para a solução dos inúmeros problemas que o país ainda enfrenta”, disse o Chefe do Estado
O Presidente da República considerou que, alcançada a paz, todos os angolanos devem trabalhar juntos para a consolidação da economia e para o desenvolvimento económico e social do nosso país. “Este deve ser nosso principal foco. Não deixemos que as disputas e querelas partidárias consumam grande parte do nosso tempo e de nossas energias”, disse.

João Lourenço fez este apelo ao discursar no acto central das comemorações do 50º Aniversário da Independência nacional, que decorreu na Praça da República, em Luanda, e que foi testemunhado por mais de 40 delegações estrangeiras convidadas, entre as quais destacavam-se dezenas de chefes de Estado, Vice-Presidentes, Primeiros-Ministros, Presidentes de Parlamentos e Ministros dos Negócios Estrangeiros, numa cerimónia que também foi presenciada por mais de 15 mil pessoas.
“Precisamos todos de trabalhar mais e melhor e de criar a consciência de que o progresso, o desenvolvimento, não vem apenas da acção dos governos, mas sim do esforço colectivo e conjugado de toda uma sociedade”, afirmou o Chefe do Estado.
João Lourenço lembrou que, entre ameaças externas e internas, desde o dia da proclamação da Independência Nacional, o país enfrentou um longo conflito que perdurou por 27 anos consecutivos, provocando a perda de um elevado número de vidas humanas, uma grande destruição de infra-estruturas, dividiu famílias, situação, no entanto, ultrapassada, com o alcance da paz a 4 de Abril de 2002.
“Uma vez conquistada a paz e criadas as premissas para uma efectiva reconciliação nacional, aproveitemos esta oportunidade única para construirmos juntos uma sociedade inclusiva e com igualdade de oportunidades para todos os cidadãos”, sublinhou o Presidente da República, considerando que pela frente ainda existem desafios enormes e de grande complexidade. “Precisamos de nos focar em acções e iniciativas que contribuam para a solução dos inúmeros problemas que o país ainda enfrenta”, reafirmou.
“Nestes 23 anos de paz, elegemos como prioridade e como objectivo fundamental resolver os principais problemas herdados da guerra, no âmbito de uma definição de prioridades em que, para além da reabilitação das principais infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento, o combate à fome, à pobreza e às desigualdades sociais estão no centro de todos os nossos esforços e atenções”, disse, acrescentando que “imediatamente após o fim da guerra, tivemos de resolver o problema de milhares de deslocados e refugiados, restituindo-lhes um mínimo de condições humanas de vida, para que acreditassem que a paz tinha valido a pena e que tinha chegado a hora de desarmarmos os espíritos e as mentes, para nos dedicarmos sobretudo às tarefas do desenvolvimento”,recordou.
Para o Presidente da República, o país está a fazer um grande esforço para a desminagem, com vista a garantir a livre circulação de pessoas e bens, viabilizar o desenvolvimento de projectos agro-pecuários e a implantação de quaisquer outros projectos de desenvolvimento económico e social.
“Continuamos a trabalhar nas reformas para a melhoria contínua do ambiente de negócios, propício à atracção do investimento directo estrangeiro, na diversificação da nossa economia e no aumento da oferta de bens e serviços para consumo doméstico e para a exportação”, sustentou, sublinhando que “tudo isso tem como objectivo garantir o bem-estar social das nossas populações, através de maior oferta de serviços sociais como o acesso à escola, habitação, água, energia e assistência médica e medicamentosa”.
Mas, neste contexto, João Lourenço considera que “há ainda muito por fazer”, lembrando que a grande obra da promoção do desenvolvimento de Angola “não é realizável em apenas duas décadas de paz”.
“É preciso, por isso, que cada angolano saiba preservar e valorizar as conquistas alcançadas para que juntos possamos construir um futuro melhor e Angola se possa orgulhar dos seus feitos. Estamos a dar passos firmes para rompermos o ciclo de subdesenvolvimento em que nos situamos. Por isso, entre outras acções, temos feito apostas decisivas em infra-estruturas de produção de energia eléctrica, sem as quais não podemos industrializar o país, em alinhamento com as tecnologias mais modernas do mundo dos nossos dias”, acentuou.
Para João Lourenço o país já dispõe de uma produção de energia eléctrica suficiente para as suas actuais necessidades e que quer, tão rapidamente quanto possível, levar a todos os cantos do território nacional e vender aos países limítrofes, pelo que tem procurado atrair investidores interessados na construção de linhas de transmissão e na comercialização de energia eléctrica.
Entre as muitas realizações do governo concretizadas com sucesso, o Presidente apontou algumas, entre as quais o arranque do Corredor do Lobito, “um projecto de grande envergadura, cujo alcance e benefícios vão para muito além das fronteiras angolanas”.
“O Corredor do Lobito tem despertado um grande interesse internacional porque tem um grande potencial de oportunidades para a realização de negócios com parceiros e investidores estrangeiros para alavancar o desenvolvimento de Angola e tornar a economia nacional mais robusta e mais capaz de responder às ingentes necessidades do nosso país e da África Austral”, afirmou, destacando que , no referido Corredor, está projectado um conjunto bastante variado de empreendimentos, que vão desde o transporte de mercadorias e minérios e o seu escoamento rápido a preços competitivos para o resto do mundo, passando pela agricultura, pelos serviços, até à criação de indústrias relevantes na região.
Em relação a outras conquistas, o Chefe do Estado relembrou que o Governo, nestes últimos anos, dedicou uma atenção muito especial à saúde dos angolanos e, neste contexto, criou infra-estruturas hospitalares de alta categoria, capazes de atender um vasto leque de especialidades médicas e dotadas de equipamentos e tecnologias modernas.
“Essas infra-estruturas prestam um serviço tanto melhor ao povo angolano quanto mais capacitados estiverem os seus quadros, sendo que, por isso, estamos a cuidar da formação de mais especialistas nas nossas escolas e universidades, assim como em instituições de referência mundial em outros países”, sustentou. C.M.
População angolana cresceu e muito…
EM 1975 ÉRAMOS CERCA DE 7 MILHÕES… HOJE SOMOS MAIS DE 36 MILHÕES
Reza a história que o último Censo Geral da População realizado em Angola, antes da independência, aconteceu em 1970. O país tornou-se independente em 1975 e apenas 39 anos depois, exactamente em maio de 2014, Angola acabou por realizar o seu primeiro processo do Recenseamento Geral da População e Habitação que iria abranger o seu vasto território nacional:
“O Governo quer saber quantos somos e onde estamos para que possa fazer os planos de desenvolvimento do país com dados certos.Desse modo, estaremos em condições de aprofundar o nosso conhecimento sobre as reais necessidades das nossas populações, adoptando as melhores políticas para satisfazê-las”, anunciou na altura o Presidente José Eduardo dos Santos.
“ O Recensemento Geral da População e Habitação, ou simplesmente Censo, constitui a maior operação estatística realizada por um país. O Censo de 2024 representa a segunda operação censitária da população e habitação em todo o território nacional no período pós- independência, após o censo de 2014, o primeiro digital em todas as suas fases ( recolha, processamento e divulgação dos dados)”, escreveu o Presidente da República no preâmbulo do Relatório dos Resultados Definitivos do RFPH, publicado em Novembro deste ano.
Para João Lourenço, a divulgação dos resultados do Censo 2024, em véspera das comemorações do Quinquagésimo Aniversário da Independência Nacional, consubstancia-se num marco importante para o fortalecimento e consolidação do Sistema Estatístico Nacional, permitindo uma melhor avaliação sobre a realidade demográfica e sócio-económica do país, e reformular as políticas públicas de planeamento e do desenvolvimento nacional.
“Os resultados do último Censo permitirão, de igual modo, reavaliar as metas e objectivos estabelecidos nos diferentes instrumentos de planeamento e gestão do Executivo, noemadamente a Estratégia de Longo prazo ( Angola 2050), Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional 2025-2034, Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2023- 2027), Plano Nacional de Ordenamento do Território, entre outros”, acentuou.
Na apresentação pública dos resultados definitivos, o INE sublinha que este Censo 2024 “é o primeiro Censo digital, onde as entrevistas foram suportadas pela plataforma tecnológica CAPI (Computer Assisted Personal Interview1) e complementadas pelo CATI ((Computer Assisted Telephonic Interview2) durante as visitas de controlo”.
CENSO 2014
A população total do país era de 25.789.024 habitantes, sendo 63% residentes em áreas urbanas e 37% em áreas rurais. A província de Luanda foi a mais populosa, com mais de 6,9 milhões de residentes, enquanto o Bengo foi a menos populosa. O censo, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), foi o primeiro após a independência em 1975 e forneceu uma base de dados para o planeamento do desenvolvimento do país.
• Distribuição por área: 63% viviam em áreas urbanas e 37% em áreas rurais.
• Província mais populosa: Luanda, com 6.945.386 habitantes.
• Província menos populosa: Bengo, com 356.641 habitantes.
• Sexo: A maioria da população era do sexo feminino.
• Estrangeiros: Foram recenseadas 586.480 pessoas estrangeiras, representando 2,3% do total.
• Religião: 41% da população era católica e 38% protestante.
• Esperança de vida: Subiu para 60 anos.
• Índice de masculinidade: 94 (94 homens por 100 mulheres).
(I.A.)
Dr Agostinho Neto, há cinquenta anos :
AS RELAÇÕES COM PORTUGAL VÃO ESTABELECER-SE NUMA BASE DESPIDA DE QUALQUER VESTÍGIO COLONIAL
Em 11 de Novembro de 1975, o Dr António Agostinho Neto proclamou a independência de Angola e num discurso histórico marcou, com toda a solenidade que o acto encerrava, as linhas a seguir pelo país. A história remete-nos ao passado; que se deve recordar.Sempre. Já lá vão cinquenta anos, é verdade, mas vale a pena relembrar este discurso. Eis alguns extractos :
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Em nome do Povo angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), proclama solenemente perante a África e o Mundo a Independência de Angola.(…)Correspondendo aos anseios mais sentidos do Povo, o MPLA declara o nosso País constituído em República Popular de Angola.
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“O nosso Movimento enfrenta no terreno várias forças reacionárias que integram uma espécie de brigada internacional fascista contra o Povo angolano. E nessa aliança incluem-se forças reacionárias portuguesas que participam na invasão do Sul do País, que o governo português não só não combateu como legitimou tacitamente pelo silêncio e passividade. Mais uma vez deixamos aqui expresso que a nossa luta não foi nem nunca será contra o povo português. Pelo contrário, a partir de agora, poderemos cimentar ligações fraternas entre dois povos que têm de comum laços históricos, linguísticos e o mesmo objectivo: a liberdade.
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“O longo caminho percorrido representa a história heróica de um Povo que sob a orientação unitária e correcta da sua vanguarda, contando unicamente com as próprias forças, decidiu combater pelo direito de ser livre e independente. Apesar da brutalidade da opressão e do terror imposto pelo colonialismo para asfixiar a nossa luta, o Povo angolano, guiado pela sua vanguarda revolucionária, afirmou de uma maneira irrefutável a sua personalidade africana e revolucionária”.
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“Assim nasce a jovem República Popular de Angola, expressão da vontade popular e fruto do sacrifício grandioso dos combatentes da libertação nacional. Porém, a nossa luta não termina aqui. O objectivo é a independência completa do nosso País, a construção de uma sociedade justa e de um Homem Novo”.
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“Angola é um País subdesenvolvido. Devemos ter uma profunda consciência do significado e consequências deste facto. Os índices tradicionalmente usados para definir o subdesenvolvimento são plenamente confirmados em Angola. Eles dão a imagem da profunda miséria do Povo angolano. Mas dizer que o nosso País é subdesenvolvido não basta, é necessário acrescentar imediatamente que Angola é um País explorado pelo imperialismo; que gravita na órbita do imperialismo”.
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“Pondo ponto final ao colonialismo e barrando decididamente caminho ao neocolonialismo, o MPLA afirma, neste momento solene, o seu propósito firme de mudar radicalmente as actuais estruturas definindo desde já que o objetivo da reconstrução económica será a satisfação das necessidades do Povo. Longo caminho teremos de percorrer. Teremos de pôr a funcionar em pleno a máquina económica e administrativa, combater parasitismo de todo o tipo, acabar progressivamente com as distorções entre os sectores da economia, entre as regiões do País, edificar um Estado de Justiça Social”.
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“A luta pela Independência económica será, consequentemente uma constante da nossa estratégia. Assim, coerente com as linhas traçadas, a República Popular de Angola lançar-se-á cada vez mais em projectos de industrialização das nossas próprias matérias-primas e mesmo em projectos de indústria pesada. No entanto, tendo em conta o facto de Angola ser um País em que a maioria da população é camponesa, o MPLA decide considerar a agricultura como a base; e a indústria como factor decisivo do nosso progresso”.
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“A República Popular de Angola estará aberta a todo o mundo para as suas relações económicas. Aceitará a cooperação internacional com o pressuposto indiscutível de que a chamada “ajuda externa” não deve ser condicionada ou condicionante. A longa história do MPLA demonstra à evidência que como força dirigente da República Popular de Angola jamais trairá o sagrado princípio da Independência Nacional. As nossas relações internacionais serão sempre definidas pelo princípio da reciprocidade de vantagens”.
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“A República Popular de Angola tratará com especial atenção as relações com Portugal e, porque deseja que elas sejam duradoiras, estabelecê-las-á numa base nova despida de qualquer vestígio colonial. O actual contencioso com Portugal será tratado com serenidade para que não envenenem as nossas relações futuras”.
Maria Luísa Abrantes
A CIMEIRA UNIÃO EUROPEIA/ÁFRICA
À semelhança da organização da Cimeira do G20, a realizar no dia 22 e 23 de Novembro em Joanesburgo, pelo Presidente Cyril Ramaphosa, a Cimeira União Europeia – África, realizada em Luanda, de 24 a 25 do mesmo mês, realizada sob a égide do actual Presidente da União Africana , João Lourenço, na qualidade de Presidente de Angola, colocam ambos países nos holofotes da mídia internacional, prestigiando-os.

A diferença é que, na África do Sul há democracia e por essa razão, não obrigaram a população a fechar-se mais uma vez em casa, como é habitual em Angola, sempre que acolhemos visitantes estrangeiros ao mais alto nível. Por isso , naquele país estão a manifestar-se livremente. Enquanto a África do Sul tem uma economia diversificada, assente numa agricultura e indústria sedimentadas e num sector financeiro robusto, (não apenas baseada na extração e exportação de recursos minerais brutos), Angola não tem nem sector agrícola, nem sector industrial e muito menos financeiro funcionais . Dessa forma, a BODIVA tarda em iniciar a sua actividade como bolsa de valores de facto.
É certo, que durante a recessão económica de 2008/2009, (que se prolongou até 2011/2012) , em anos de alta de preços do petróleo, quando o nosso país tinha uma produção diária de cerca de 2 milhões de barris/dia, grandes investimentos com financiamento da China, em infraestruturas, agricultura e na construção civil, o PIB de Angola a dado passo, ultrapassou o PIB da África do Sul. Passou para o 2o lugar em África, atrás do Egipto.
Porém, a corrupção, a má gestão dos recursos financeiros escassos, a falta de visão e a ausência de uma estratégia sustentável, piorou com a nova liderança desde Setembro de 2017, à vista desarmada dos angolanos. Desde 2017, assiste-se à paralisação de obras, ao enceramento de empresas, ao desemprego em massa, à fome, à mendicidade, pondo a população a lutar pelos restos dos contentores do lixo e a morrer descontroladamente (a maioria morre em casa e é enterrada em cemitérios improvisados clandestinos).
Os elogios de incentivo do FMI ao Executivo angolano, vem apelar que se apertem mais os “cintos” dos angolanos em fase terminal, para se continuar a retirar da renda interna, mais de metade do PIB (já baixo), para pagamento da dívida externa, para além dos juros (muitíssimo mais elevados do que para os países desenvolvidos), o que lhes dá bastante jeito. O FMI que foi criado com uma finalidade bem definida pelos Estados Unidos, está pouco se preocupando, se morrem mais ou menos cidadãos dos países em desenvolvimento por onde passam. A sua consultoria de “copy e paste”, baseada nos dados do nosso INE (duvidosos), nada trazem de novo e em nada acrescentam.
– O que leva a liderança da União Europeia a reunir com os membros do G20 na África do Sul e com os membros da a União Africana em Luanda?
– Tem relação com o programa da União Europeia para África, denominado GLOBAL GATEWAY, aprovado a 1 de Dezembro de 2021. Esse programa financeiro, que está alinhado com a Agenda 2030, sobre as alterações climáticas e com o Acordo de Paris, tem uma previsão total de 300 milhões de Euros até 2035. O programa conta com uma primeira “tranche” de 150 milhões de dólares disponível, para financiar prioritariamente infra-estruturas tísicas de qualidade, nas áreas digital, clima e energia e dos transportes, mas inclui também saúde, investigação e educação.
– O programa financeiro Global Gateway para África, estará disponível para apoiar investimento directo (de risco)?
-Não. Esse programa destina-se a FINANCIAR projectos de empresas EUROPEIAS que pode incluir parcerias locais, para VENDER SERVIÇOS a Angola, EQUIPAMENTOS, PEÇAS, ACESSÓRIOS, INSUMOS, CONSULTORA, etc.
– Será bom para Angola?
-Sim. Trarão emprego, porque os serviços necessitarão de mão-de-obra. Indirectamente incentivarão o sector agro-alimentar e a construção civil, nas localidades onde forem prestados os serviços.
– O valor do pacote inicial do programa financeiro Global Gateway , tem um valor significativo?
-Não. Se dividirmos 150 milhões de euros por 55 países africanos (1 em vias) grosso modo, cada um deles teria apenas cerca de 2,7 milhões de dólares para o seu investimento.
Todavia, quer durante encontros anteriores que tive com Presidentes e Vice-Presidentes do EXIM-BANK americano, quer no âmbito da US/Africa Business Center, da US Chamber of Commerce, recordei sempre que, à semelhança da Engenharia financeira que fizeram com instituições financeiras europeias, quer para o financiamento (empréstimo) para construção do projecto Angola LNG, quer para o financiamento (empréstimo) da aquisição de aviões Boing, poderiam sempre utilizar financiamento da União Europeia para África se houvesse acordo.
Foi o que o foi feito. O Presidente Biden negociou com a União Europeia e muito bem, (para a política “Americans First”), o financiamento cruzado , para a reabilitação e prolongamento do corredor do Lobito. Desta feita, deduzido o valor já acordado para financiar o projecto do Corredor do Lobito, que beneficiará 3 países, nomeadamente Angola, RDC e Zâmbia, não restará muito para restantes 52 países africanos.
De recordar, que a RDC é um dos países do mundo com uma maior variedade de recursos minerais e espécies raras. Se verificarem, quer nas brochuras como nas ex websites ao tempo da ANIP (AIPEX), sempre esteve em evidência, o facto de Angola estar estrategicamente localizada em termos geográficos, constituindo uma placa giratória. Está em evidência, que porto do Lobito, através do Corredor do Lobito, é a via de saída mais curta para o oceano Atlântico, para a RDC e para a Zâmbia.
Aliás, 300 milhões de Euros, de 2021 a 2035 (14 anos), são migalhas para os “pombos” africanos, como habitualmente, se comparados com o Plano Marshall, após a 2a Guerra Mundial. O Plano Marshall, foi um programa financeiro de 13 bilhões de dólares, (que deflacionado para 2020, equivaleria a 132 bilhões de euros), para impedir a influência Soviética a 16 países da Europa Ocidental, por um período de 1948 a 1951 (3 anos).
Todavia, à semelhança do que se pretende actualmente de África, isto é; obrigar o mais possível a obter financiamento SOLIDÁRIOS, por regiões de África, a Europa segue a receita que já lhes foi servida pelos americanos, para terem acesso ao Plano Marshall, que assentava no PROJECTO DO CARVÃO e do AÇO . Após 2a. Guerra Mundial, o carvão e o aço eram a fonte de energia e a matéria prima da época, imprescindíveis para aquela época. Hoje em dia, estamos na era digital e da redução das emissões de CO2. Assim, tanto os ocidentais do oeste e do leste, como os orientais, procuram mercados para exportação dos seus produtos acabados e de serviços em excesso. Mais ainda, procuram recursos minerais e sobretudo terras raras escassas, em África.
Nunca deveremos ignorar, que África é um território no qual caberiam vários grandes países, tais como os Estados Unidos, China, Índia, Rússia, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal e sobra espaço.
África tem um imenso potencial hidrográfico, florestal, mineiro, piscícula, etc. e tem apenas cerca 1,6 bilhões de habitantes. E ‘uma população inferior um só país, como a Índia (1,46 bilhões em 2025), ou a China (1,409 bilhões).
Quanto ao discurso do Presidente da União Africano na Cimeira do G20 em Joanesburgo, longe está a autonomia financeira com que ele sonha. Ao sul do Saara, à excepção da África do Sul e possivelmente do
Quénia, os restantes países tem a maioria da população estagnada, numa fase similar à Idade Média Europeia, outra parte mais residual, encontra-se na fase da idade da pedra. A dívida aumenta com o analfabetismo e com este cresce o desemprego e a fome. A prestação de serviços sem investimento directo (com risco) e os monopólios criados pelas elites ligadas ao poder, desinvestem, através da fuga de capitais de forma pouco transparente. A culpa do nosso subdesenvolvimento é dos que ainda temos emprego , porque temos medo de perder o “pão”, ou de ir parar injustamente na cadeia.
Por: Maria Luísa Abrantes
Sétima Cimeira União Africana-União Europeia
DISCURSOS BONITOS, MAGROS RESULTADOS
Luanda acolheu com pompa e circunstância dezenas de delegações e de chefes de estado e governo da Europa e da África, para uma cimeira onde o cortejar mutuo e as promessas contrastaram com a dura realidade africana e os constrangimentos da geopolítica e económica global, sem menosprezar os obstáculos domésticos.
Por: Mario Paiva / Fotos: Arquivo F&N
A realização da 7.ª Cimeira União Africana–União Europeia, em Luanda, marcou mais um momento de reafirmação política entre dois continentes cuja interdependência histórica continua inegável, mas também profundamente assimétrica. Ao longo de décadas, a narrativa da “parceria estratégica” foi reciclada com novas terminologias — desenvolvimento sustentável, transição verde, integração regional, resiliência — mas raras vezes acompanhada por transformações estruturais, implicando os governantes de ambos os lados. Novembro de 2025 não foi uma exceção. O que dizem os factos e que obstáculos continuam a travar a aproximação real entre África e Europa?
Relacionamento desequilibrado
A Europa mantém-se como o principal parceiro comercial de África, absorvendo uma parcela substancial das exportações do continente. No entanto, esse comércio continua ancorado no padrão clássico de centro–periferia: África vende recursos primários — petróleo, gás, minerais estratégicos, produtos agrícolas — e compra bens transformados — maquinaria, medicamentos, automóveis e tecnologia industrial. Uma estrutura que limita o valor acrescentado interno e perpetua vulnerabilidades macroeconómicas.
Em termos financeiros, a situação é ainda mais complexa. Os fluxos de investimento directo para África registam crescimento modesto, concentrados em sectores extrativos; a ajuda oficial ao desenvolvimento enfrenta cortes significativos na Europa; e são as remessas das diásporas, superiores a 90 mil milhões de dólares anuais, que hoje constituem o fluxo mais estável para o continente. Paradoxalmente, o dinheiro enviado por trabalhadores africanos no exterior é maior do que muito do que a Europa disponibiliza nos ditos mecanismos formais de cooperação.
Cimeira de Luanda: promessas políticas, execução incerta
Teoicamente, a Cimeira de Luanda produziu compromissos importantes em áreas como transição energética, infra-estruturas, fluxos financeiros ilícitos e segurança marítima. A inclusão da agenda fiscal e da mobilização de recursos internos representa um avanço conceptual significativo: o reconhecimento que África perde mais em evasão, transferências ilegais e isenções mal negociadas do que recebe em ajuda externa.
Contudo, tal como em cimeiras anteriores, o fosso entre anúncio e implementação permanece profundo. A Europa encontra-se pressionada por crises internas — energia, populismo, estagnação económica — e orienta a sua política externa por prioridades imediatas, sobretudo contenção migratória, acesso a metais críticos e expansão da energia verde. Já a União Africana insiste na industrialização, no financiamento climático e na diversificação produtiva. Temos um desalinhamento é estrutural, mas não ocasional. A guerra na Ucrânia e a obsessão europeia numa agenda de despesismo militarista constituem outro factor que indicia pouca probabilidade de aumentar o IDE em África e se concretizar uma agenda de benefícios mútuos.
Geopolítica:
África negocia com mais opções
O contexto internacional mudou radicalmente: China, Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia disputam influência no continente com ofertas competitivas de financiamento, infraestrutura e crédito. Para África, isto significa mais alternativas e maior margem de negociação; para a Europa, significa perda relativa de influência. A Cimeira de Luanda tentou reposicionar a relação num quadro de multilateralismo eficaz, mas a prática mostra que o continente africano se move hoje num tabuleiro multipolar onde a UE já não dita o ritmo e procura compensar a perda de peso específico em termos geopolítico e económicos nas cadeias de valor globais hodiernas.
Corrupção, conflitos e limitações institucionais internas
Não se pode, porém, atribuir todos os obstáculos à Europa. A fragilidade institucional em vários Estados africanos, a persistência de conflitos regionais e a corrupção sistémica continuam a limitar a absorção de investimento, a execução de projectos e a confiança dos parceiros. O custo da insegurança — do Sahel ao Corno de África, passando pela instabilidade marítima no Golfo da Guiné — consome recursos que deveriam ser orientados para industrialização, educação ou saúde. Pior que isso, há uma regressão em termos democráticos com o retorno de golpes de estado, regimes autoritários dominados por elites predadoras, fraudes eleitorais sucessivas, aumento da pobreza e desigualdades sociais extremas que tem desencadeado uma vaga de protestos sociais, especialmente da chamada geração Z. Não por acaso a cimeira fugiu a abordagem directa destes temas.
Migração: o ponto mais frágil da relação. É na agenda migratória que o divórcio político se torna mais evidente. Enquanto a UE privilegia acordos de retorno e externalização de controlos fronteiriços, África insiste numa abordagem que combine mobilidade legal, respeito aos direitos humanos e criação de emprego nos países de origem. As mortes no Mediterrâneo e os relatos de abusos em rotas de trânsito transformaram-se em símbolos de uma parceria que, muitas vezes, falha na sua dimensão humana.
Oportunidades reais: industrialização, AfCFTA e recursos críticos
Apesar dos obstáculos, existem oportunidades concretas. A consolidação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) cria um mercado de 1,4 mil milhões de consumidores e abre espaço para cadeias de valor regionais que podem, finalmente, romper com o padrão histórico de dependência. Para a Europa, há três áreas de cooperação mutuamente benéficas:
- Indústrias de processamento e transformação em África, ligadas a minerais críticos e agricultura.
- Financiamento de infra-estruturas estratégicas — logística, digital, energia — com transparência e mecanismos de partilha de risco.
- Transferência tecnológica para transição energética e adaptação climática.
Estas áreas permitem criar empregos de qualidade, aumentar exportações de valor acrescentado e reduzir a dependência africana de matérias-primas brutas.
O caso de Angola: posição estratégica e dilemas internos
Para Angola, anfitriã da cimeira, o momento é particularmente relevante. O país procura reposicionar-se como plataforma regional de energia, logística e diplomacia económica. A transição do petróleo para sectores como gás, minerais críticos e agricultura exige investimentos massivos em infra-estruturas, capital humano e governação económica. A parceria com a Europa pode acelerar este processo — desde que seja orientada para industrialização e inovação, e não apenas para extração de recursos.
Contudo, desafios internos persistem: debilidades fiscais, baixa produtividade, concentração económica e dependência de receitas petrolíferas e os cenários de imponderabilidade das eleições de 2027. Sem reformas profundas, Angola corre o risco de permanecer no mesmo ciclo de vulnerabilidade externa, mesmo com maior atenção europeia.
O futuro das relações África–Europa dependerá de três factores-chave:
Primeiro, execução real, e não apenas anúncios: transparência, monitorização e metas mensuráveis.
Segundo, transferência tecnológica efectiva, especialmente em energia, agro-indústria e digitalização.
Finalmente, reequilíbrio de prioridades, com a Europa a olhar para África não apenas como fonte de matérias-primas ou barreira migratória, mas como parceiro económico estratégico. Sem isto, a retórica da parceria continuará a esbarrar nos limites da prática.
A relação África–Europa de 2025 é marcada por necessidade mútua, mas por expectativas profundamente diferentes. O continente africano exige autonomia, industrialização e justiça económica; a Europa procura segurança energética, lógica extractivista de recursos, estabilidade e gestão migratória. A Cimeira de Luanda procurou conciliar estas agendas, mas só reformas estruturais — internas e externas — poderão transformar uma relação historicamente desigual numa parceria verdadeiramente produtiva. Sem mudanças políticas e económicas profundas no próprio continente, sem esquecer as cadeias de valor do século XXI como a economia da IA e a economia de dados, não se podem esperar milagres.
FACTOS E NÚMEROS – NOVEMBRO 2025
Cimeira UA-UE (Luanda, 24–25 Nov 2025): líderes da União Africana e da União Europeia adoptaram uma declaração conjunta durante a 7.ª Cimeira, com compromissos em áreas como investimento em infra-estruturas, transição energética, combate a fluxos financeiros ilícitos e cooperação em migração e segurança.
Comércio mercadorias (UE ↔ África): o comércio continua a ser significativo mas assimétrico: as importações da UE provenientes de África são fortemente dominadas por combustíveis e matérias-primas, enquanto as exportações da UE para África concentram-se em bens de equipamento e produtos manufacturados. (Eurostat — ficheiros regionais e análises 2024/2025).
Investimento directo estrangeiro (IDE): fluxos globais de IDE para economias em desenvolvimento têm sofrido volatilidade e redução relativa em anos recentes; a AfDB/World Bank registam crescimento modesto dos fluxos totais para África em 2024–25, mas a captação de IDE continua concentrada em poucos países e sectores (energia, mineração).
Remessas e financiamento privado: remessas globais para países de rendimento baixo e intermédio subiram em 2024 (estimativa ~US$685 bi para LMICs em 2024) e as remessas para África representaram uma fatia relevante do PIB em vários países (ex.: ~US$96.4 bi estimados para África em 2024). Isto torna as diásporas um fluxo financeiro maior que muitos instrumentos oficiais.
Ajuda oficial (ODA): a ODA global mostrou cortes em 2024 e a OECD projectou quedas adicionais em 2025 (projecção de redução de 9–17% em 2025), afectando programas humanitários e de desenvolvimento destinados a África.
Migração irregular e mortalidade: apesar de variações, as travessias do Mediterrâneo e rotas para a Europa continuam a registar números elevados de passagens perigosas e mortalidade; 2024–2025 mantiveram-se crises humanitárias e pressões políticas sobre controlos fronteiriços.
(Relatórios IOM/UNHCR / DTM 2024–2025).
Principais obstáculos
1. Assimetria económica e dependência de matérias-primas
África exporta maioritariamente recursos primários; a industrialização e integração em cadeias de valor regionais/globais são lentas. Isso limita ganhos de valor acrescentado e torna as economias africanas sensíveis a choques de preços.
2. Financiamento insuficiente e volatilidade do IDE/ajuda
Queda projectada da ODA e padrão volátil do IDE complicam planeamento de longo prazo para infra-estruturas e transição energética. A fragmentação das fontes (Europa, China, Golfo, EUA) cria competição e condicionalidades distintas.
3. Geopolítica e concorrência externa
Actores como China (grandes fluxos comerciais e infra-estruturas), EUA e países do Golfo aumentam alternativas a parcerias europeias, alterando poder de negociação e prioridades de cooperação.
4. Governança, corrupção e fluxos financeiros ilícitos
Fraca capacidade de arrecadação, evasão fiscal e IFFs (illicit financial flows) drenam recursos domésticos que poderiam financiar desenvolvimento — tema recorrente em negociações UA-UE.
5. Segurança e instabilidade política
Conflitos regionais, terrorismo e insegurança marítima afectam investimento e corredores comerciais, forçando gasto público elevado em segurança em vez de investimento produtivo.
6. Migração e direitos humanos
Políticas europeias centradas na contenção e externalização de controlos (acordos com países do Norte de África, operações em alto mar, repatriados) reduzem passagens mas levantam problemas humanitários e tensões diplomáticas.
7. Mudanças climáticas e choque ambiental
África é vulnerável a choques climáticos que afectam agricultura, deslocamentos internos e segurança alimentar — exigem financiamento climático substancial e mecanismos de adaptação/transferência tecnológica.
Implicações e recomendações
Reequilibrar o padrão comercial: Europa deve focar não só em comércio de matérias-primas, mas em programas que apoiem industrialização local, transferência tecnológica, e integração de PMEs africanas em cadeias europeias (upstream+downstream). (política: acordos condicionados a contentores de valor acrescentado).
Finanças inovadoras e co-investimento: com cortes na ODA, é necessário criar veículos mistos (blended finance) e garantir instrumentos de mitigação de risco para atrair IDE de longo prazo para infra-estruturas sustentáveis. Iniciativas como o Global Gateway da UE deverão alinhar-se com prioridades africanas e com a AfCFTA.
Combater Fluxos Financeiros Ilícitos e aumentar Gestão de Direitos Digitais: cooperação fiscal AU–EU para troca automática de informação, apoio a capacidades de cobrança e combate à evasão; isto amplia base fiscal africana sem depender exclusivamente de ajuda externa.
Pacto de migração com respeito aos direitos: soluções conjuntas que combinem vias legais de migração laboral, investimento em emprego juvenil em África, e mecanismos de retorno voluntário e reintegração — evitando políticas exclusivamente de contenção que geram violações e crises humanitárias.
Coordenação multilateral e transparência: maiores esforços para coordenar actuações (UE, UA, AfDB, ONU, parceiros bilaterais) e condicionar programas a indicadores de transparência e resultados. Inclusão real e abrangente dos actores (empresários) privados e da sociedade civil
A relação África–Europa em 2025 mantém importância estratégica mútua: volume comercial e nexos históricos continuam fortes, mas o relacionamento enfrenta desafios estruturais (assimetria comercial, financiamento instável, competição geopolítica e crises migratórias). A Cimeira de Luanda trouxe um impulso político, mas a concretização passa por medidas práticas: co-investimento, promoção de valor acrescentado em África, reforço de capacidades fiscais e um quadro de migração mais justo e sustentável.













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