Por: Édio Martins/ Foto: Arquivo NET
(edio.martins@netcabo.pt)
A cultura contemporânea é atormentada pela paixão de possuir. Está sempre presente a ideia de que uma boa vida é encontrada no acúmulo de bens materiais. Em geral, aceitamos essa ideia sem questionar, e o resultado é que o desejo fervente de afluência na sociedade tornou-se psicótico: perdeu completamente o contacto com a realidade.
Ademais, o ritmo do mundo moderno acentua o nosso sentimento de fratura e fragmentação. Sentimo-nos tensos e apressados.
A simplicidade liberta-nos dessa mania moderna, trazendo sanidade à nossa extravagância compulsiva e paz ao nosso espírito frenético. Ela permite-nos ver as coisas como são – bens para embelezar a vida, não para oprimi-la. As pessoas podem tornar-se, novamente, mais importantes do que os bens materiais.
A Estratégia Maléfica. O plano dos mídia (canais de comunicação usados para transmitir informações, entretenimento e publicidade ao público, como jornais, rádio, televisão e internet) é o de “inflamar o nosso desejo de querer sempre ter mais”. É importante atentar para a maneira como os serviços de comunicação procuram enredar a sua presa: eles são insistentes e, por veicularem muitas vezes a mesma propaganda, acabam conquistando espaço em nossas mentes, fazendo-nos crer que não vivemos sem muitas coisas. Preste bastante atenção à representação abaixo, exemplo de como, progressivamente, a mente vai sendo capturada:
Isto é extravagante → Seria bom ter isto → Realmente eu preciso disto → Eu tenho de ter isto.
A televisão diz-nos que as coisas mais idiotas nos farão loucamente felizes. Pode bem ser que elas nos deixem loucos, mas é genuinamente duvidoso que realmente nos tornem felizes. Os propagandistas famosos estão a trabalhar dia e noite para nos fazer encaixar na sua forma. Eles lançaram-se a um empenho conjunto e concertado de capturar as nossas mentes e as mentes de nossos filhos.
Somos enganados, logrados, persuadidos. Contudo, isso é feito de maneiras tão subtis que nem percebemos o que aconteceu. Pensamos que somos sábios porque conseguimos enxergar facilmente a lógica infantil dos anúncios. Mas, quem escreveu os anúncios nunca tencionou que acreditássemos nesses anúncios bobos, apenas que desejássemos o produto que anunciam. E acabamos a comprar porque os anúncios atingem o seu alvo de “inflamar o nosso desejo”.
Mais diabólico e manipulativo, ainda, é a maneira pela qual a mesma empresa fabrica produtos rivais. Elas sabem que os consumidores sentem que têm poder se houver escolha, e esse sentimento de poder os levará a comprar, comprar, comprar…. Gostamos do poder de nos recusarmos comprar uma marca de detergente com os seus estúpidos cristais branqueadores, e, em vez dele, escolhemos outro. A escolha, contudo, não foi realmente escolha alguma, visto que ambas as marcas serem fabricadas pela mesma empresa e serem basicamente a mesma de qualquer forma.
A aparente competição acirrada é, em geral, nada mais do que uma guerra falsa para nos fazer pensar que estamos a comprar algo melhor. A intenção da propaganda não é a de persuadir o espectador/consumidor a comprar uma marca particular disso ou daquilo, mas de criar a disposição de consumir. Aparelhos mais luxuosos, sofás mais confortáveis, carros mais famosos, mais…mais…mais. O alvo é aumentar o desejo! Como reagir? O que fazer? Estamos juntos!



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