O jurista Rui Verde defendeu para Angola uma “transição à espanhola”, num processo que não cabe “a lógica de vencedores e vencidos”, que marcou a época de guerra, mas sim um pacto nacional.
Adecisão foi tornada pública no comunicado final da primeira sessão do Conselho de Ministros deste ano, que refere que a nova sociedade, com sede no município do Lobito, terá como missão administrar, articular e impulsionar projectos de desenvolvimento económico ao longo do corredor ferroviário, numa lógica de valorização nacional desta plataforma logística.
Com cerca de 1.300 quilómetros de extensão, o Corredor do Lobito liga o porto atlântico de Benguela à fronteira com a República Democrática do Congo, assumindo-se como uma das principais rotas de exportação de minerais críticos provenientes do Copperbelt, na RDC, e de Kolwezi, na Zâmbia, num contexto de crescente disputa internacional por matérias-primas estratégicas.
Segundo o Executivo, a criação de uma entidade pública dedicada permitirá transformar o corredor numa alavanca efectiva de desenvolvimento económico, atraindo investimento estruturante para sectores como agricultura, indústria, turismo e serviços, além de reforçar a integração económica regional.
O Governo defende ainda que uma gestão institucionalizada do corredor reforça a competitividade de Angola face aos países vizinhos, contribuindo para a criação de emprego, transferência de tecnologia e maior inserção do país nas cadeias globais de valor.
Apesar da nova estrutura pública, a operação ferroviária do Corredor do Lobito continua a ser assegurada pela Lobito Atlantic Railway, consórcio liderado pela portuguesa Mota-Engil, em parceria com a Trafigura e a Vecturis, num projecto avaliado em cerca de mil milhões de dólares, com financiamento de instituições como a Development Finance Corporation e o Development Bank of Southern Africa.
O corredor integra igualmente a estratégia europeia Global Gateway, no âmbito da qual a União Europeia anunciou um pacote de 600 milhões de euros através da Partnership for Global Infrastructure and Investment, sinalizando o peso geopolítico crescente desta infraestrutura no xadrez internacional.



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