Economia & Negócios

Há um novo fator de risco no comércio mundial

Escrito por figurasnegocios
por Vítor Norinha

A pressão sobre a Reserva Federal feita pelo Presidente Trump e que vai culminar na substituição do presidente da Autoridade Monetária americana, constitui um novo fator de risco para o comércio global, revelam os analistas do segurador Crédito y Caución.
Os desenvolvimentos em torno da futura liderança da FED (Reserva Federal americana é o responsável pela política monetária do país) estão a criar pressão. Os mercados financeiros têm reagido com calma, sendo que a confiança na política monetária “continua a ser um pilar fundamental para a atividade empresarial transfronteiriça”, dizem os analistas. E isto porque são essenciais para o comércio global que existam custos de financiamento previsíveis, estabilidade nas divisas e um comportamento fiável dos compradores. Referem os analistas do segurador que os preços atuais do mercado “sugerem que os investidores continuam a esperar que a política monetária dos EUA seja orientada principalmente por dados económicos e não por pressões externas”. Ainda assim as expetativas de inflação continuam moderadas e os custos de financiamento de longo prazo estão estáveis.

O Crédito y Caución antecipa um crescimento global do PIB de 2,8% em 2026 e 2,9% em 2027 e um crescimento nos EUA em torno dos 2%. Estes analistas não esperam que a FED faça alterações nas taxas de juro, embora o ainda presidente tenha sido pressionado nesse sentido pela administração Trump. No entanto, o futuro responsável pela FED é conhecido por pensar por si e não se deixar pressionar, o que significa que política monetária não deverá fugir muito daquilo que tem sido a matriz atual. O economista-chefe da Atradius, John Lorié, espera que possam ocorrer dois cortes nos juros americanos da ordem de um quarto de ponto durante o corrente ano. Adverte o mesmo economista que uma “perceção mais elevada do risco pode resultar em custos financeiros mais elevados, maior volatilidade cambial e alterações no comportamento de pagamento dos compradores, afetando fluxos comerciais e o acesso ao financiamento”. Conclui que, por enquanto, os mercados globais continuam a funcionar normalmente.

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