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Cabo verde PAICV REGRESSA AO PODER COM FRANCISCO CARVALHO A CHEFIAR

Cabo Verde vive um novo ciclo político com o regresso do PAICV, liderado por Francisco Carvalho, ao poder depois de 10 anos na oposição. Conforme os resultados eleitorais provisórios, conseguiu a maioria absoluta de 37 deputados, permitindo-lhe governar o país com estabilidade política, derrotando o MpD que elegeu 33 parlamentares.

Carvalho, que vai ser o novo primeiro-ministro, anuncia formar um governo enxuto e começar a cumprir, logo nos primeiros 100 dias da governação, as principais promessas feitas durante a campanha, com destaque para o acesso grátis à saúde, ao ensino universitário e à formação técnico-profissional, bem como transportes marítimos e aéreos inter-ilhas a preços mais baixos.

Em Cabo Verde os holofotes estão agora voltados para as autoridades eleitorais que prepararam para publicar, até 31 deste mês de Maio, no Boletim Oficial, os resultados finais das eleições gerais de 17 de Maio, que deram vitória ao PAICV. Depois serão empossados os 72 deputados eleitos na actual legislatura, sendo 37 dos quais do PAICV, 33 do MpD e dois da UCID. Seguindo a Constituição da República, o chefe de Estado, José Maria Neves, vai, por seu turno, ouvir os partidos políticos e indigitar o líder do PAICV Francisco Carvalho, como o mais votado, para o cargo de primeiro-ministro para formar o novo governo da República. O processo culmina com a tomada de posse do novel executivo e aprovação do programa da governação e respectiva moção de confiança pelo parlamento cabo-verdiano.

Nas suas recentes declarações, Francisco Carvalho anunciou o início de “um novo Cabo Verde para Todos”. Garantiu formar um Governo com “muito menos membros” do que o actual executivo. Prometeu, logo no início, cortar as gorduras do Estado para libertar receitas para financiar a execução do seu programa de governação.

O novo primeiro-ministro asseverou que, nos primeiros 100 dias de governação, pretende cumprir as principais promessas feitas durante a campanha eleitoral: o acesso gratuito à universidade pública, o acesso gratuito à informação tecnológica, o acesso gratuito aos cuidados de saúde e medidas para os transportes inter-ilhas, incluindo tarifas de “500 escudos para barco e cinco mil escudos para avião”. “Tudo aquilo que eu disse na campanha é para cumprir”, arrematou.

Dia histórico e democracia – Na sua primeira declaração ao país, após o anúncio dos resultados eleitorais provisórios, Francisco Carvalho concluiu que “os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara” de que “já era hora de mudar a gestão de Cabo Verde e mudar a perspectiva sobre a construção do futuro”.“Hoje (17 de Maio) é, de facto, um dia extraordinário. Cabo-verdianos já falaram. Democracia é assim”, analisou, felicitando que o momento é de agradecimento “a todos os que fizeram parte desta caminhada”.

O líder do PAICV acusou, no entanto, o MpD de alegadas práticas de compra de votos e consciência durante a campanha eleitoral, defendendo que o assunto “não pode passar em branco”.“Espero que comecem a falar de roubo de votos, de compra de consciência em Cabo Verde. Espero que isso não passe em branco”, advertiu, referindo-se à distribuição de cestas básicas, alegando que “200 mil contos em cestas básicas não podem passar em branco”. “A Procuradoria-Geral não actuou, a Comissão Nacional de Eleições não actuou”, contestou. Em comunicado, as duas instituições refutaram tais declarações.

Diante das práticas referidas, o presidente do PAICV defendeu um aprofundamento da democracia em Cabo Verde, criticando aquilo que chamou de “democracia de fachada”.

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