O 1º de Agosto, pelo seu tempo de existência; pela sua dinâmica desportiva que já deu a ver entre nós e, também, fora de portas, é já, indubitavelmente, uma instituição que merece respeito de se lhe tirar o chapéu.
Deve ser visto e saudado com vénia por quem contra si quer medir forças e, do mesmo modo, o próprio D´Agosto não sobrelevar altivez alguma diante dos seus adversários e as instituições com as quais interage, em jogo jogado, bastidores e no campo administrativo, regulamentar e disciplinar.
Só que o presidente do 1º de Agosto, Sá Miranda, quando, no calor daquela querela do clássico, em que prometia cilindrar o Petro de Luanda, falou e disse que, sob as suas rédeas… o clube militar do Rio Seco não é um grupo carnavalesco. E não sei se a malta do carnaval engoliu em seco esta comparação.
Por ser uma analogia que remete para o reducionismo a valorização da nossa cultura, parece-me que o líder da agremiação rubro e negra perdeu pontos, como se diz.
Eventualmente Sá Miranda quereria dizer com tal tirada que o clube que dirige não é desorganizado e que, por isso mesmo, o jogo com o Petro de Luanda tinha sido bem preparado, bem conversado frente a frente com a direcção da Federação Angolana de Futebol, de modo que o palco da compita não podia ser, não senhor, no estádio 11 de Novembro, mas, só e apenas, no França N´Dalo.
Os que conhecem as leis desportivas e regulamentos nacionais, africanos e mundiais alertaram-no que estava, com tal postura, a desafiar a “ordem instituída” pela federação.
Há entre nós o jurista Hipócrates Nicolau que, publicamente, na imprensa, despertou-lhe para esta sábia orientação técnica e legal, assim: ” O 1º de Agosto pode reclamar os seus direitos, mas, ao fazê-lo, precisa saber dos riscos que corre com a penalização, pois tinha conhecimento do local do jogo com mais de duas semanas de antecedência”,
A este aviso à navegação, Sá Miranda fez, digamos, uma espécie de “ouvidos de mercador”.É como se tivesse mandado bugiar este conselho de um homem de lei.
Sá Miranda está, agora, a dançar a música imposta pela FAF, que se sentiu lesada quando indirectamente lhe foi dito que o 1º de Agosto não é uma equipa de carnaval.
A pergunta, que por hora não quer calar – mesmo se recurso houver – é esta: o que valeu, afinal, a intransigência manifestada pelo número 1 do clube militar?
No mundo do futebol, o “fair play”, a verdade desportiva e o decoro no dirigismo são valores a respeitar. Faltou isto e tudo ficou estragado pelas bandas do Rio Seco.


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