A selecção nacional de basquetebol sénior masculino terá de passar, ainda, triunfalmente, por três janelas que restam, de acesso à Copa do Mundo de Basquetebol, prevista para 2027 no Qatar, meta traçada pela federação, seleccionador e atletas para a campanha em que começaram a competir de 26 de Fevereiro a 1 Março deste ano, em Alexandria, Egipto.
É uma tarefa a todos os títulos árdua, essa a da à busca de carimbar o visto no passaporte para o mundial, onde nessas três fases estão envolvidas, por África, dezasseis selecções nacionais, tendo já, algumas delas, participado na primeira janela para, depois, participarem, igualmente, nas três restantes, se, até lá, lograrem o visto para o Qatar, em 2027.
A selecção angolana, nessa sua primeira presença na janela de Alexandria, regressou a casa com o rótulo de segundo classificado, do Grupo D, com cinco pontos, fruto de duas vitórias e uma derrota, quando o objectivo do grupo era de ser invicto em nos três jogos que disputou diante do Uganda, Egipto e Mali.
Pata todas elas, as duas próximas janelas terão de ser transpostas já de 20 de Junho a 7 de Julho, seguindo-se outras em Agosto e Setembro.
Para Angola o sonho de qualificação à Copa do Qatar mantém-se no ar, a julgar pela confiança manifestada pelo seleccionador, o espanhol Joseph Clarós “Pepe”, pois, uma só derrota averbada em Alexandria para si não ofusca as duas vitórias ali obtidas.
O treinador considera que o grupo que levou àquele palco mostrou coesão e força competitiva, que, a si, aos jogadores e os prosélitos faz alimentar esperanças, sobretudo porque se notou melhoria produtiva e pontual do jogo exterior da selecção.
“O nosso primeiro objectivo era a conquista de três vitórias na segunda janela de Qualificação Zona Africana, realizada em Alexandria, para manter aceso o sonho da Copa do Mundo, mas as duas vitórias foram importantes para os objectivos de apuramento”, sublinhou o treinador ao desembarcar em Luanda.
A safra do “cinco” nacional na janela de Alexandria saldou-se numa vitória estrondosa sobre o Uganda ( 90-68), outra sobre o dono da casa, Egipto (83-72) e, finalmente, uma tangencial derrota, por um ponto, diante do Mali (79-80).
O treinador não subestima as selecções que o seu conjunto derrotou e sequer esperneia por ter caído “in extremis” frente ao Mali, porque, como frisou, da janela de Alexandria sabia que ” seria uma missão extremamente difícil; perdemos apenas por um ponto de diferença com o Mali, o que poderá ser importante para a próxima Janela, pois, como sabem, entraram na nossa selecção quatro atletas novos, comparativamente ao grupo que conquistou o, no ano passado em Luanda, Afrobasket 2025″.
Pepe Clarós considera que, se a selecção fosse a Alexandria com Sílvio de Sousa e Jilson Bango, a prestação poderia ser melhor, o que não foi possível, porque o primeiro só se juntou ao grupo na véspera da abertura da janela e o segundo por estar ainda a recuperar da lesão ao joelho, contraída nos quartos-de-final do Afrobasket disputado em Luanda no ano passado.
Kevin Kokila chegou a quatro dias do arranque da prova e causou também “embaraços”, mas o técnico, que já orienta a selecção desde o primeiro semestre de 2021, considera que, de uma forma global, está feliz com o desempenho dos atletas.
Esta globalidade é justificada pelos números registados nos três jogos, nos quais, em termos de produção ofensiva, a selecção marcou 252 pontos, o que, estatisticamente falando, corresponde, a uma média de 84,0m pontos, por jogo.
No capítulo defensivo a selecção consentiu 220 pontos, com média de 73,3 por partida, números estes que resultam num saldo de 32 pontos.
Na eficácia de lances à cesta, os deca-campeões africanos acertaram 870, do total de 2016 tentados, isso equivalente a 40,3 por cento de aproveitamento.
Nos lançamentos de dois pontos, registou 58 em 125 tentados, correspondentes a 44,4 por cento, e da linha dos tês pontos concretizou 31 em 92 tentados para uma eficácia de 34,1 por cento. Nos lances livres apresentou um rendimento de 72,3 por cento, com 47 convertidos em 65 tentavas.
No domínio nas tabelas, a selecção conquistou um total de 122 ressaltos, com destaque para os 76 ofensivos e 46 defensivos, tendo alcançado uma média de 40,7 por cento e, quanto à organização colectiva, e o controlo de jogo, somou 60 assistências, sendo, assim, um indicador da circulação de bola e criação de oportunidades de lançamento.
No campo defensivo registou, ainda, 42 roubos de bola, mas contabilizou 46 perdas, um aspecto que terá de merecer maior atenção da equipa técnica nas próximas jornadas de qualificação.
No capítulo individual, Childe Dundão, base do Petro de Luanda, continua a ser o grande “abono” da selecção nacional, ao serviço da qual, justificou, nesta janela de Alexandria, o estatuto de Jogador Mais Valioso (MVP).
Na jornada inaugural, em que Angola venceu o Uganda (90-68), Dundão terminou o jogo com 15 pontos, 11 assistência e 8 roubos, em 26 minutos e 43 segundos em campo.
Na vitória sobre o Egipto (83-72), converteu 29 pontos e voltou a ser “gigante” na derrota (79-80) diante do Mali, saindo assim da janela de Alexandria com 68 pontos marcados, o que representa 22,6 pontos por cada partida.
O treinador, promete, por isso, aumentar, individualmente, a outros jogadores, uma preparação diferente no jogo exterior, onde houve grande melhoria em termos percentuais, para haver rendimento na terceira janela marcada para Julho, que, ao seu ver, será muito crucial para aquilo que são os objectivos de qualificação à fase seguinte.
A concorrência para esta etapa posterior da competição está a revelar-se bastante renhida, havendo mesmo surpresas de equipas tidas à partida como meras animadoras, mas afinal, em campo, verdadeiras “tomba-gigantes”.
No grupo A, estão o Sudão do Sul, Camarões, Cabo Verde e Líbia integram o Grupo A. O Sudão do Sul é o actual líder do ranking africano, com 472 pontos, Cabo Verde, medalha de bronze do Africano de 2007, Camarões e Líbia são também selecções de luta. As três primeiras nações terminaram a primeira Janela com cinco pontos cada.
No C figuram a Guiné, Tunísia, Nigéria e Rwanda, grupo onde, em Novembro passado, na cidade de Rode (Tunísia),os guineenses surpreenderam, tudo e todos, ao superar os tunisinos que são tri-campeões africanos, e mesmo a jogaram em casa. A Guiné venceu igualmente o Rwanda (82-70) e a Nigéria, campeã africana de 2015 ( 69-55)
A selecção dos Camarões, atletas que actuam maioritariamente na Europa, ganhou ao Sudão do Sul ( 60-56) e a Côte d´Ivoire, sétima classificada da 31º edição do Afrobasket 2025, superou o Senegal, medalha de bronze (90-80) na jornada inaugural do Grupo B, que decorreu recentemente em Abidjan.
Portanto, para qualquer das selecções nacionais, a caminhada e a disputa para a presença no Qatar ainda poderá dar a ver muitas surpresas, tendo em conta até o sistema de disputa agora definido pela Federação Internacional de Basquetebol (FIBA), que estabelece critérios claros para o avanço das selecções e para a eliminação das nações que terminam nas últimas posições dos grupos.
Após a disputa da primeira e segunda janelas, as 16 selecções serão distribuídas em quatro grupos de quatro nações. Seguem todas para o segundo turno, agendado para finais de Julho de 2026, em palco ainda por definir, onde vão disputar mais quatro partidas.
No final dessa etapa, apenas os três primeiros classificados de cada grupo seguem em frente na competição, enquanto as selecções que terminarem na última posição são automaticamente afastadas da corrida à Copa do Mundo do Médio Oriente.
Concluída a primeira, as 12 selecções apuradas são reorganizadas em dois novos grupos de seis equipas e, nesta, a pontuação da primeira fase é transportada para a etapa final.
No término da segunda fase, só ficam qualificadas para a Copa do Mundo as duas primeiras selecções de cada grupo e a melhor terceira entre as duas séries, completando, assim, assim, a cinco vagas para o continente africano.
A Janela foi disputada entre 24 de Novembro e 21 de Dezembro de 2025, com jogos dos Grupos A e C, enquanto a segunda Janela decorreu de 26 de Fevereiro a 1 de Março do corrente. A próxima etapa da competição está marcada para 20 de Junho a 7 de Julho, seguindo-se posteriormente novas janelas em Agosto e Setembro



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