Mesmo antes de se tornar oficialmente público o balanço geral do quadro que deixou Portugal de rastos, devido às tempestades “ Kristin” e “Leonardo”, cujas consequências sociais e económicas ainda estão por se avaliar, variadas análises por parte de especialistas foram feitas e o que se pode resumir é que, em princípio, a vida das pessoas foi salvaguardada.
Fez-se o possível para que o número de mortes não se tornasse numa tragédia semelhante a dos incêndios registados na região de pedrógão e que a acção governativa não chegasse ao nível da dos países chamados “subdesenvolvidos” que,sem meios, diante destas investidas da natureza, pouco ou nada podem fazer, no sentido de evitar todas as sombras do infortúnio, da desolação e a desesperança.
Portugal continua a tentar reerguer-se, depois de se ter transformado num país com milhares de habitações sem telhados, empresas que deverão recomeçar do zero, muitas regiões sem abastecimento de luz eléctrica e água, pois quase tudo o “vento levou”, as chuvas encharcaram e as terras não suportaram.
A natureza reclamou e, devastadora, depois de 40 anos voltou com as maiores chuvas que provocaram, também, deslizamento de terras, fez os rios transbordar, atacando ferozmente as suas margens fragilizadas pelas construções de risco.
No momento em que escrevia estas linhas, uma semana depois da passagem da tempestade “Kristin”, e dois dias da entrada dramática da “Leonardo” na plataforma continental portuguesa, onde foi declarado o estado de calamidade, tudo indicava que os cidadãos estavam conformados com a ajuda financeira do governo, avaliado em cerca de 10 mil euros por cada família, para aliviar os danos materiais causados, quer nas habitações como nos seus pequenos negócios.
O “alívio” governamental alargou-se para as grandes empresas, apoiadas pelos seguros, períodos de mora, empréstimos bancários com juros bonificados e todas estas “relíquias” dadas por quem tem o mando das finanças num país que tem o direito de recorrer , sempre que necessário for, aos cofres da União Europeia.
Ora, bem: façamos um exercício imaginário; e se, por acaso ou mesmo por azar, uma pequena tempestade dessas passasse por Luanda?Antes de mais, rezemos!Numa situação caótica em que se vive nos bairros, só nos restava isso mesmo; pedir a Deus para que não nos entale neste castigo…
A questão é saber com que recursos humanos e meios técnicos adequados devemos contar para lidar com um quadro climático desses. A situação “tuga” no que diz respeito a esse assunto crítico, é real e determinante para colhermos exemplos de como agir e sentir este fenómeno.
No mínimo, preparemo-nos para a chegada de uma “Leonardinha”, pois se esta tempestade chegar já crescidinha, madura e maldosa, não vamos aguentar a sua fúria, pois os nossos bombeiros e a protecção civil ainda não estão, nem de longe nem de perto, munidos de capacidades operacionais para entrar numa guerra dessas. A não ser que os nossos militares contem…
Em Portugal, o exército foi convocado, entrou com meios aéreos, botes, comunicações, transporte, apoio ao resgate, salvação e protecção das populações, transmitindo segurança ao processo de minimização de danos, que deixou a terra de Camões mergulhada em terrenos financeiros movediços, já que muitas obras de construção terão de ser reavaliadas, adiadas ou mesmo riscadas das intenções do governo, no quadro do Plano de Recuperação Económica (PRR), surgido depois da Covid. O referido plano está avaliado em 22,2 mil milhões de euros e serve para apoios sociais, como o reforço do Serviço Nacional de Saúde, ao sector da habitação e a transição climática e digital.
Por cá, rezemos.



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