África

Mortes na mina de moçambique Quando a pobreza se sobrepõe aos riscos

Escrito por figurasnegocios

Onze garimpeiros morreram num desabamento de terra numa mina em Vanduzi, província moçambicana de Manica. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito deslocou-se ao local. Autoridades apelam a responsabilidade no sector.

Sebastião Ngoera, um dos vários garimpeiros que operam na mina que voltou a desabar há pouco mais de uma semana, disse que os mineiros têm estado a ignorar o decreto que proíbe a exploração artesanal por falta de emprego – acrescentando que a atividade é a única fonte de renda do grupo.

“Com a pobreza que nós temos, ninguém tem coragem de sair daqui sem ter dinheiro, enquanto por cima já tem racha. Quando cede, não avisa. Mesmo estando 20 pessoas ou 30 pessoas, todos morrem”, explica.

Pelo menos, onze pessoas morreram no desabamento de terra na mina “Seis Carros”, que tem mais de 20 metros de profundidade, no distrito de Vanduzi.

“Os meus amigos acabaram
de morrer”

O garimpeiro conta que viu muitas pessoas a morrer: “Eu escapei e saí com a minha bagagem para fora. Mas os meus amigos acabaram de morrer.”

Fenias Zacarias, outro garimpeiro, pede ao Governo para repor alguns poços mineiros que já não estão em uso, visando prevenir os acidentes que culminam com a morte de garimpeiros. “Pedimos aos nossos chefes para colocarem aqui uma [máquina] para poder arranjar [a área] de forma a que as pessoas consigam viver. Estes garimpeiros estão a entrar no buraco só porque lá em casa estamos a morrer a fome”, lamentou.

Autoridades moçambicanas exigem responsabilidade

O secretário de Estado de Minas, Jorge Daúdo, anunciou a interrupção imediata das actividades naquela mina, alertando sobre os perigos da mineração artesanal.

“Há um trabalho que está a ser feito aqui para vos mapear, para criar cooperativas para resolver isso. Porque nós sabemos que muitos de vocês estão aqui e não é a intenção do Governo tirar as pessoas, mas não [podemos ter] aquilo que está ali a acontecer”, salientou Daúdo.

O dirigente indagou: “Vocês estão a ver, as pessoas estão a morrer. Estão a usar práticas que não são admissíveis na actividade mineira, [estão] sem nenhuma protecção e estão a ceifar vidas dos nossos irmãos, estão felizes com isso?”

A Comissão Parlamentar de Inquérito, chefiada pelo deputado Aires Aly, deslocou-se à província de Manica para reavaliar a actividade mineira.

Depois da suspensão das actividades, o político da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder), explicou que os deputados têm estado a acompanhar a situação da mineração em Manica, destacando a importância de que a actividade seja exercida de forma responsável e sustentável.

 

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