Reportagem

Empresários convivem com espectro de falência SUSPENSE NA INDÚSTRIA DO SAL EM ANGOLA ATÉ 2026

Escrito por figurasnegocios

Despedimentos e falta de liquidez para salários são indicadores de falência técnica na indústria do sal, com a organização que congrega produtores nacionais a alertar para entraves nas metas em relação à exportação. Não se sabe como sobreviverão os salineiros até Janeiro de 2026, altura em que serão conhecidos os resultados de estudos técnicos sobre os plásticos. Por ora, os argumentos na cruzada contra a fórmula dos asiáticos são a iminência de consequências ambientais e problemas para saúde pública.

Texto e Fotos: Marcos Pontes António

Três meses após a proibição de lonas plásticas na extração do sal, produtores nacionais ainda fazem contas à vida, cientes de que a medida tomada pela Direcção Nacional de Pesca e Sal não significa, afinal, o fim da fórmula usada por empresários chineses e vietnamitas.

Só os resultados de estudos laboratoriais em curso neste momento, como avançou a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento, pouco depois da circular que chegou a animar empresários nacionais, poderão arrumar a questão.

Será, no melhor dos cenários, daqui a quatro meses, no arranque de um ano (2026) projectado para o lançamento das bases rumo a uma produção anual de 400 mil toneladas, o dobro da actual.

O uso de lonas plásticas, inicialmente em Benguela, o maior pólo do País, leva já quase dois anos, mas apenas agora, com produtores nacionais sem mercado para milhares de toneladas, o debate ganha os contornos que se conhecem.

Namibe, Bengo e Kwanza Sul, outras províncias que fazem parte da Associação dos Produtores de Sal de Angola (APROSAL), também já assistem a movimentações de lonas na indústria do sal, também com operadores da China como protagonistas.

Se o presidente da APROSAL, Totas Garrido, alerta para consequências ambientais e no domínio da segurança alimentar, insistindo na tese de que o método ideal implica o uso da argila, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos realça que Angola não deve ignorar a inovação.

A governante assinalou, todavia, que este tipo de sal, mesmo com o iodo, não servirá para o consumo humano se as análises técnicas e laboratoriais indicarem prejuízo para a saúde pública.

“Temos, efectivamente, de olhar para a segurança alimentar, há parâmetros legais. Se o sal das geo-mantas [plásticos] for impróprio … talvez sirva apenas para outras indústrias”, vincou Carmen do Sacramento.

Em reacção, falando sobretudo a propósito do lado económico e financeiro, o salineiro Manuel Rodrigues, que se viu forçado a despedir 159 trabalhadores, avisa que o quadro vigente nas unidades de produtores nacionais compromete a relação com a banca.

“Assim fica difícil reembolsar os empréstimos. O preço de referência do quilograma de sal é de 81 Kwanzas, mas eles [expatriados ] fazem a 50, sem terem em conta os custos de produção”, sustenta, lembrando que a concorrência construiu salinas com lucros de actividades comerciais em Angola.

Manuel Rodrigues, membro da APROSAl, que congrega quinze filiados, explica que chineses e vietnamitas extraem 20 quilos por metro quadrado, contra 10 obtidos pelos nacionais num espaço similar.

“As lonas dão, de facto, uma produção muita rápida, mas dão também o perigo dos micro-plásticos no alimento. Na argila, aí sim, é possível deixar na terra todos os químicos”, reforçou, assinalando que este tipo de concorrência dificulta a afirmação de Angola no mercado das exportações.

A APROSAL está a trabalhar no sentido de dar início a exportações, principalmente para a República Democrática do Congo e Zâmbia, por via do Corredor do Lobito, mas também para o Reino Unido.

Os membros esperam que os expatriados, num total de trinta, pelo menos na província de Benguela, façam parte da organização se deixarem as lonas e optarem pela argila.

Já a associação que congrega os asiáticos, que assume expectativa em relação aos resultados dos estudos anunciados pela ministra, informa que as lonas são específicas, do tipo HDPE, usadas em muitas partes do mundo.

“Passam pelos portos, são certificadas, são as mesmas para tanques de água. Portanto, estão certificadas pelas autoridades angolanas”, vinca, ao garantir que a fiscalização e o laboratório do Luhongo (Catumbela) observam o sal.

“Se alguém estiver a usar lonas plásticas não apropriadas… aí sim. Temos toda a documentação, a começar por aquela que é passada pela Administração, depois pelo IGCA [Instituto Geográfico e Cadastral de Angola] e igualmente do Governo”, assegura.

Pesca– Vila piscatória desafia arrastões no Egipto

Praia: Uma vila piscatória, com infra-estrutura capaz de garantir descarga e processamento do pescado, deverá nascer no município do Egipto Praia, antes comuna adstritiva ao Lobito, província de Benguela.

A proposta para a implementação do projecto, a cargo de um operador privado, levou Carmem do Sacramento Neto ao Egipto Praia, uma região que perdeu, em consequência dos excessos na pesca por arrasto, várias espécies, com realce para a lagosta.

De acordo com a ministra, um plano director vai definir a área para a descarga e a primeira venda do pescado, aquela que antecede a movimentação do produto no quadro do comércio geral.

“Existem [no Egipto Praia] várias oportunidades e imponentes infra-estruturas”, justificou a ministra, antes de ter assegurado um projecto com acessos e espaços para a auto-construção dirigida.

Recentemente, o administrador municipal, José Faria, ainda nas vestes de administrador comunal, denunciou ilegalidades de barcos industriais a 300/400 metros à beira-mar.

“O habitat da lagosta desapareceu, mas também de outras espécies, ali na zona da pesca artesanal. Temos problemas com a fiscalização pesqueira”, dizia José Faria, que dirige um município com Centro de Apoio à Pesca Artesanal (CAPA).

Sobre o autor

figurasnegocios

Deixe um comentário