Cultura

Ana Paula Tavares: VENCE PRÉMIO CAMÕES 2025

Escrito por figurasnegocios

A poetisa e historiadora angolana Ana Paula Tavares venceu o Prémio Camões 2025, anunciou a Direcção-Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

O júri desta edição decidiu distinguir Ana Paula Tavares pela sua “fecunda e coerente trajectória de criação estética e, em especial, o seu resgate de dignidade da Poesia”.

O júri sublinhou que, com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crónica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica.

Nascida em 1952, na cidade do Lubango, província da Huíla, Ana Paula Tavares fez grande parte da sua carreira profissional e académica em Portugal, sendo actualmente docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi nesta instituição onde se licenciou em História em 1982, prosseguindo também aí um mestrado em Literatura Brasileira e Literaturas Africanas, concluído em 1996.

Parte do seu percurso passou ainda pela Universidade Nova de Lisboa, onde fez o doutoramento de Antropologia da História, em 2010.

Ana Paula Tavares faz parte da “novíssima geração de 80” de Angola, tendo-se afirmado como uma das mais importantes intelectuais do país africano. A sua utilização da palavra poética, através de um sujeito poético feminino, é veículo de denúncia, afirmação e de libertação da carga tradicional, enquanto jugo opressor da mulher africana nos seus diferentes contextos sociais e culturais.

A escritora iniciou o seu percurso literário em 1985 com o livro de poesia Ritos de Passagem, editado pela primeira vez em Portugal em 2007 pela Editorial Caminho, que se tornou a sua editora portuguesa em 1999 com outra obra poética, O Lago da Lua.

Desde então, a agora chancela do grupo LeYa, tem vindo a publicar todas as suas obras literárias, a mais recente das quais Poesia Reunida, seguida de Água Selvagem, de 2024.

O Prémio Camões tem sido atribuído, sobretudo, a autores do Brasil e de Portugal, e em 36 anos de história do galardão apenas foram distinguidas outras oito mulheres.

Além de Brasil e Portugal, com 15 e 14 premiados, respectivamente, o Prémio Camões foi ainda atribuído a três personalidades literárias de Moçambique, duas de Cabo Verde e duas de Angola, para além do lusoangolano Luandino Vieira.

Ana Paula Tavares junta-se a oito outras mulheres que receberam este galardão. As autoras brasileiras Rachel Queiroz (1993), Lygia Fagundes Telles (2005) e Adélia Prado, as portuguesas Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Maria Velho da Costa (2002), Agustina Bessa-Luís (2004) e Hélia Correia (2015) e a moçambicana Paulina Chiziane (2021).

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa, instituído pelos Governos de Portugal e do Brasil, foi atribuído pela primeira vez em 1989, ao escritor português Miguel Torga. Em 2024, distinguiu a brasileira Adélia Prado.

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em Novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

A história do galardão conta apenas com uma recusa, a de Luandino Vieira, em 2006.

Por: Venceslau Mateus

 

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