Reportagem

Grupo Carrinho em Benguela PREPARA COMPLEXO INDUSTRIAL ANTES DA CORRIDA PARA O NORTE – Retracção no consumo e aos reflexos na indústria alimentar.

Em 2017, no calor da abertura do complexo industrial, o Norte do País foi apontado como “passo seguinte”, mas regras de mercado impõem prudência. Benguela produz “apenas” 850 mil toneladas de alimentos por ano, metade da capacidade total ali instalada. Certificação internacional, após auditoria da SGS, líder mundial em inspecção, verificação, testes e certificação, abre as portas do mercado das exportações. As duas fábricas em perspectiva, uma a impulsionar a produção de soja e girassol, vão aumentar para três mil o número de postos de trabalho no complexo industrial integrado.

Texto e Fotos: Marcos Pontes António

Oito anos depois da inauguração do seu complexo industrial na província de Benguela, hoje com 18 fábricas alimentares, o Grupo Carrinho assume que as limitações no mercado de consumo em Angola sugerem um travão na luta por uma estrutura similar numa província do Norte, Zaire ou Uíge, ambas com potencial para fazer da transformação da mandioca uma imagem de marca.

A prioridade, hoje, é consolidar e reforçar o complexo industrial em funcionamento, já com a certificação internacional FSSC 22000 (Food Safety System Certification), que abre as portas do circuito das exportações.

Situado na zona da Taka, arredores da cidade de Benguela, produz apenas 50 por cento da capacidade instalada, na ordem de 1,7 milhões de toneladas anuais. Por aqui se explica, segundo o director executivo da Carrinho Industrial, Décio Catarro, a necessidade de concentração nos esforços que visam garantir a consolidação do processo produtivo.

“O nosso foco está em Benguela, mas os negócios, tal como o mundo, evoluem”, argumentou o CEO, antes de ter vincado que “está a faltar mercado”.

Ainda assim, e em obediência às perspectivas de aumento da robustez na Taka, está a ser preparada a abertura das fábricas de óleo de soja e de girassol e de refinação de açúcar, prevista para os anos 2026 e 2027.

Inseridos na linha de crédito da Alemanha, os projectos levaram o Presidente João Lourenço a aprovar a concessão de garantias soberanas, de 56,9 milhões de dólares e 57,4 milhões, para cobrir a importação dos bens e equipamentos.

As capacidades diárias apontam para 4 mil toneladas de óleo, o que exigirá o reforço da capacidade de produção de soja, e três mil de açúcar.

Ciente de que o “caminho faz-se caminhando”, Décio Catarro lembrou que o complexo industrial foi idealizado em 2014, três anos antes da inauguração, e arrancou sem moagens nem fábrica de massas.

“Por isso mesmo, antes da fábrica no Norte … vamos ter Benguela no foco, enchendo toda a capacidade instalada”, assinalou o gestor, à espera de uma realidade diferente nos próximos tempos, com famílias e empresas numa situação melhor em termos de poder de aquisição.

Farinhas, massa, arroz (descasque), leite e bolachas são alguns dos vários produtos disponíveis no complexo industrial, que emprega dois mil trabalhadores.

O CEO da Carrinho Indústria salientou que a certificação internacional, concedida pela Société Générale de Surveillance (SGS), representa um marco para a indústria angolana, uma vez que “assegura condições para que o Grupo concorra no mercado mundial”.

Indicou que Angola constitui prioridade, até pela existência de zonas com dificuldades em matéria de produção alimentar, mas assinalou que as exportações serão uma realidade.

“Vamos começar pela SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), aí Namíbia e África do Sul, e depois chegar a mercados mundiais, como as Américas e Europa”, nota.

Já o director de qualidade do complexo industrial, Jader Rossi, fala em reconhecimento global dos aspectos técnicos que garantem segurança dos alimentos. “Os cidadãos podem ter a certeza de que vão consumir produtos seguros, com a  máxima qualidade”, adiantou.

 

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