Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde está a enfrentar actualmente, provavelmente, o seu maior desafio desde que foi criada há 37 anos em Luanda, tendo como seu grande impulsionador o escritor Jacques Arlindo dos Santos.
E não foram poucos os obstáculos enfrentados, sendo alguns deles perfeitamente artificiais porque resultantes mais de estranhos bloqueios institucionais e viperinas intrigas palacianas a que já estamos habituados.
Destes obstáculos o que mais me entristeceu pelas suas consequências, foi sem dúvida o desaparecimento em combate do grupo carnavalesco “Unidos do Caxinde” que efectivamente para mim foi uma verdadeira lufada de ar fresco pelo impacto que teve na qualidade da referida manifestação cultural.

Trata-se agora e pela primeira vez na sua história de um desafio existencial que, tudo leva a crer, deverá ser um dos temas da sua próxima Assembleia Geral Ordinária já convocada para o próximo dia 15 do corrente.
Há, entretanto, movimentações no sentido de se adiar esta reunião para o mês de Janeiro de modos a conseguir-se uma maior mobilização dos associados, tendo em conta o momento crítico que se vive.
A motivação deste adiamento que se pretende é também fazer coincidir a sua realização com a data da fundação da Chá de Caxinde.
O que é facto é que a Associação depois de ter sido literalmente despejada da sua sede por força das obras que o Executivo decidiu fazer no Teatro Nacional, está neste momento sem eira nem beira.
Para quem tinha um contrato válido com o senhorio Estado que, por definição é uma “pessoa de bem”, ser posto na rua assim sem uma alternativa é no mínimo preocupante.
A possibilidade de nesta Assembleia Geral que se aproxima se avançar com a ideia da extinção da Associação tem estado a ser ventilada nos bastidores e a ganhar alguma força, como consequência dos últimos desenvolvimentos, mas não só.
Esta ideia que está longe de ser consensual, tem pela frente a oposição firme de alguns fundadores da
Associação que entendem que tudo deve ser feito para contrariar o que consideram ser uma “barbaridade”.
Depois de todas as crónicas que já dediquei ao projecto surgido ainda nos tempos cinzentos do monopartidarismo, por ser naturalmente pessimista, receio que depois da realização desta anunciada
Assembleia Geral possa ter de escrever algum epitáfio.
O que é também facto é que nada ainda está decidido e também nada consta na ordem de trabalhos que confirme esta hipótese.
A ver vamos…



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