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Quatro meses de guerra no Irão

Escrito por figurasnegocios
por Vítor Norinha

O ponto de pressão na guerra que os EUA/Israel movem contra o Irão, está no Estreito de Ormuz, uma faixa de mar por onde passa 20% dos hidrocarbonetos mundiais. Os analistas do segurador Atradius Crédito Y Caución falam “em efeito dominó” na economia mundial.

Após seis meses de atividade económica no corrente ano, a expetativa é de que a economia mundial abrande para 2,4% no final deste ano de 2026, o que significa que ficará abaixo do nível pré-pandemia. Mais. As economias avançadas são aquelas que irão desacelerar mais, para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) anímico de 1,5%, mas os países com economias emergentes serão afetados, com menor crescimento, calculando que a aceleração do PIB fique 3,7% abaixo da série histórica. O que está em causa é o aumento dos preços da energia, segundo a Atradius, para além das perturbações no transporte marítimo e a “elevada incerteza”, sendo que as economias importadoras de matérias-primas, caso da União Europeia, estarão particularmente expostas.

A inflação está a subir, com a expetativa de que a erosão dos preços a nível global se situe nos 4,8% em 2026, sobretudo devido ao aumento de preços da energia, e com impacto na indústria transformadora e nos transportes. A União Europeia poderá fechar o ano próximo de uma média de 3% e o Banco Central Europeu já inverteu a tendência de corte e subiu 25 pontos de base, podendo fazer ainda este ano duas novas subidas. Os analistas da Atradius dizem que possivelmente haverá um novo aperto da política monetária se a inflação “se revelar persistente”.

Um outro aspeto pouco falado tem sido o tipo de investimentos que países do Golfo estão a fazer ou vão deixar de fazer. Com efeito, as decisões de investimento destes países passaram a ser em infraestruturas, rotas comerciais alternativas e nova capacidade estratégica, visando reduzir a dependência dos pontos de estrangulamento que são hoje visíveis. Refere o economista sénior da Atradius CréditoY Caución, Niels de Hoog, que países como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar com competiam pelo investimento em infraestruturas digitais e atraindo grandes tecnológicas, constataram que estas infraestruturas estão vulneráveis e, por isso, passaram a ser infraestruturas criticas, sendo que o risco geopolítico passou a ser considerado nas decisões de investimento. Por outro lado, as redes logísticas estão a ser redesenhadas, para evitar fragilidades, como a que se vive no Estreito de Ormuz onde chegaram a estar retidos dois mil navios, sobretudo petroleiros.

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