Hoje gostaria de meter conversa sobre as preces feitas pelo novo seleccionador nacional de futebol, o camaronês Aliou Cissé: “peço aos angolanos que rezem por nós”. Por mim, é melhor que o faça quando escolher a dedo a rapaziada que vai ao CAN.
Oportuno seria, igualmente, colocar a pena no tinteiro e discorrer sobre a passeada de João Lourenço montado sobre a bicicleta para que, com as suas pedaladas, incentivar o povo à prática fisico-desportiva conforme exaltou a sua equipa de imagem.
O assunto de ponta são as eleições. Eleições desportivas, sublinhe-se… para, sem ironia, não se confundir com os escrutínios políticos e os concorrentes. Se justas, livres e democráticas, isto é para se ver mais lá pra frente, em 2017, embora estejam já a dar que falar sobre o campo inclinado.
As eleições que deram o pontapé de saída em 1992 , à saída do mono sistema e regime da Primeira República é que foram, e continuam a ser, um modelo livre, justo e democrático, de tal sorte que os debates mediáticos “face-to-face” nos deram a ver.
O ministro Rui Falcão, conhecedor profundo do movimento desportivo feito no país, prometeu mudar as regras do “jogo eleitoral” no desporto, ao anunciar que uma Lei afim está a ser gizada pelo Executivo de que ele integra.
É que, ao contrário dos seus camaradas de militância, como Marcolino Moco (1989-1991), Osvaldo de Jesus Serra Van-Dúnem (1991-1992), Justino Fernandes (1992-1995), Sardinha de Castro (1995-1999), Marcos Barrica (1999-2008), Gonçalves Muandumba (2008-2016), Albino da Conceição (2016-2017), Ana Paula do Sacramento Neto (2017-2022) e Palmira Barbosa (2022-2024, Rui Falcão já deixou claro que é chegada a hora de, por uma vez por todas, haver a Lei que defina quem tem direito de voto nas federações, para, assim, se “sacudir” dúvidas e contestação em vários processos eleitorais no desporto nacional. Todos poderão concorrer em igualdade de circunstância e ponto final !
É no fundo uma Proposta de Lei que o mesmo – em nome do Executivo – defende , no sentido de haver transparência e redução de conflitos e, com ela, garantir maior credibilidade nos actos eleitorais das diferentes federações, num momento em que cresce a exigência por melhor governação no sector desportivo.
Assim, a velha “maka” em torno da população votante nas eleições, que tanta polémica tem suscitado, ao ponto de até questões de alegadas fraudes serem dirimidas em tribunal, motivou o actual ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, a dizer que a Lei das Associações terá de ser revista com a participação pública e democrática dos agentes desportivos. A meu ver, isto deverá mexer com…os estatutos
Homem feito escravo das suas palavras, Rui Falcão vai mesmo avançar sem rodeios e coragem não lhe faltará.
Estávamos a 10 de Julho de 2024 quando, neste espaço, chamei à baila a figura do ministro Rui Falcão para dizer que era, de facto, a pessoa certa para voltar a colocar o nosso desporto nos carris, quer em termos de ganhos desportivos, quer na gestão da política administrativa e organizativa do sector.
Lembrei, na altura, que este ministro da Juventude e Desportos faz parte daquela nata de praticantes que, a seguir à independência nacional, deu movimentação dinâmica a este fenómeno social – o Desporto – quando vingou o slogan ” ser desportista é também ser revolucionário” .
Os cargos desportivos eram ocupados por confiança política!E que, atendendo a esse “chamado político”, neste fenómeno, ele assistiu a adesão política de milhares de entusiastas nos clubes, nas escolas e nos centros produtivos, onde a prática desportiva, nas mais diversas disciplinas, era uma realidade, dando a ver campeões de grande valia. Hoje os tempos mudaram.
Contei também, na altura, neste espaço, que a entrega e empenho de Rui Falcão catapultou-o, à época, para cargos de relevância na então Secretaria de Estado para a Educação Física e Desportos, de onde saíra, depois, para servir tarefas partidárias no “seu” MPLA.
O MPLA, como se diz, não brinca em serviço. Vai a votos em 2027 com uma nova Lei no desporto. Há, contudo, no ar, o resgate da sua velha máxima política: é do MPLA quem merece e não quem quer.
Sem cravo e nem ferradura, pergunto: vale isto, também, para o desporto? Deve nele, desporto, ser eleito apenas quem merece e não quem quer, sem que haja transparência que acendam conflitos, passando um mata-borrão à credibilidade que merecem os actos eleitorais das diferentes… corporações , ou melhor, nas federações ?…


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