Angola e o seu povo recebeu, de forma verdadeiramente entusiasta, a visita do Papa Leão XIV, que durante quatro dias sentiu o quanto este país conhece a importância da religião católica apostólica romana ao longo de cinco séculos de presença. A chama desta representatividade divina permanece acesa e com ela fez todo o sentido que o Sumo Pontífice tivesse tão carinhoso acolhimento ao longo da sua estadia, quer em Luanda, no Icolo e Bengo como na Lunda Sul.
E
m todos os lugares por onde passou, foi visível a sua alegria e as populações correponderam aos seus acenos; receberam e compreenderam as suas mensagens de paz e de esperança de um futuro melhor para a Igreja, o Estado, a Sociedade e para as famílias.
Quando eram cerca das 14 horas e 45 minutos do dia 18 de Abril, Sua Santidade, o Papa, chegava a Luanda a bordo do Airbase – 330 da companhia Ita Airwais e na placa do Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro”, aguardava-o o Presidente da República, João Lourenço, e a Primeira Dama, Ana Dias Lourenço, que o cumprimentaram com afecto, sorrisos de satisfação e alguma descontracção, apesar de alguns “apertos” impostos à imprensa em ocasiões tão especiais como este evento transmitido por centenas de jornalistas nacionais e estrangeiros, quer os radicados em Angola, como todos os que acompaharam o Papa neste seu primeiro périplo pastoral por quatro países africanos, nomeadamente a Argélia, Camarões, Angola (que, note-se detém o maior número de cristãos na África subsariana) e, por fim, a Guiné Equatorial.
Mas a recepção qualificada como “extraordinária e entusiasta” pela generalidade da comunicação social, do também chefe de Estado do Vaticano e Bispo de Roma, seria melhor confirmada durante o trajecto que fez na viatura papal por algumas artérias de Luanda, sempre com uma boa disposição, sereno e correspondendo as expectativas criadas pelo povo.
João Lourenço , ainda na sala do protocolo, esteve a conversar durante cerca de dez minutos, depois de o ilustre visitante ter sido igualmente saudado por um “ batalhão” de membros do governo, da Assembleia Nacional, bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST ), representantes do corpo diplomático acreditado em Luanda, sob aplausos de centenas de fiéis organizados pela Igreja católica, entre os quais escuteiros que, de forma igualmente entusiasmante, mas responsável, foram os que realmente encarregaram-se de fazer uma “segurança” quase perfeita ao longo da estadia de Sua Santidade Leão XIV em Angola.
Antes, perfilada na placa do aeroporto estava a guarda de honra e um comité de recepção de destaque integrado pelo Governador de Luanda, Luís Nunes, o ministro do Interior, Manuel Homem, para além das forças representativas dos três ramos das Forças Armadas Angolanas (Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra), sem esquecer a Banda Musical igualmente das FAA, que tocaram os hinos nacionais de Angola e do Vaticano.
Estava assim iniciada a visita apostólica deste Papa ao nosso país para uma agenda pastoral intensa, mas tranquila. O que se seguiu foi um banho de multidões desde a sua chegada ao Palácio Presidencial, onde, uma vez mais, os Chefes de Estado estiveram a dialogar, depois de um cortejo emocionante, pois já se calculava que a população de Luanda seria bem representada nesta recepção.
No primeiro dia da sua viagem pastoral a Angola , o Papa juntou-se igualmente ao Presidente João Lourenço, no Salão Protocolar, na Nova Marginal em Luanda, local onde estava reunida uma variada gama de representantes das autoridades, sociedade civil e do corpo diplomático para um breve encontro em que ambos discursaram e foram aplaudidos. Duas intervenções que damos destaque noutra parte desta matéria dedicada à visita pastoral.
Em seguida, o Sumo Pontífice dirigiu-se ao Núncio Apostólico da Igreja localizado no centro da cidade, no sentido de se reunir com os Bispos da CEAST. Ao longo dos últimos dias, acreditava-se que o Governo de Luanda decretasse tolerância de ponto, mas tal não aconteceu. O dia 18 de Abril foi um dia normal de trabalho, as instituições do estado e privadas, as escolas, as universidades, os mercados ou os hospitais funcionaram em pleno, mas, ainda assim, pode-se calcular, sem receio de errar, que pelo menos mais de três milhões de citadinos estiveram nas ruas da capital do país para saudar o Papa Leão XIV e receber o seu conforto, em diversas ocasiões e espaços.
Partida – Em direcção a Malabo, capital da Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV se despediu de Angola no dia 21 de abril, depois de concluir uma visita pastoral de quatro dias ao país, onde deixou mensagens de esperança, reconciliação e paz.
Eram cerca de 9 horas e 20 e minutos em Luanda, e no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro” a sua partida foi testemunhada pelo Presidente da República, João Lourenço, membros do governo e diversas entidades eclesiásticas, especialmente dos membros da CEAST, que, uma vez mais, demonstraram gratidão pela presença em terras angolanas de tão ilustre visitante.
O Papa partiu a bordo da mesma aeronave que o trouxe dos Camarões, mas antes esteve em Saurimo, onde visitou um lar de idosos, proferiu uma homilia, deixando os mesmos votos de esperança aos fiéis, sempre no sentido da preservação da paz e da harmonia entre os homens.
O mesmo aconteceu na província do Icolo e Bengo, especialmente no Santuário da Nossa Senhora da Conceição da Muxima e no extenso largo do Kilamba, que reuniu o maior número de pessoas( cerca de 700 mil). Em todos os locais em que marcou presença, outras milhares de pessoas o aguardavam desde muito cedo para sentirem o peso das suas mensagens, dirigidas particularmente aos jovens.
Balanço positivo – Já a bordo do avião que o transportou para a Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV destacou o apoio do Executivo angolano e o carinho demonstrado pela população ao longo dos quatro dias de visita apostólica.
O Santo Padre sublinhou a forma calorosa como foi acolhido em Luanda e nas demais localidades por onde passou, ressaltando o ambiente de fé, união e esperança vivido durante a sua permanência no país.
De acordo com o Vaticano News, no voo de Luanda para Malabo, na Guiné Equatorial, Leão XIV revelou aos jornalistas angolanos que conversou com o Presidente João Lourenço sobre um trabalho conjunto entre a Igreja e o Estado nos sectores da Saúde e da Educação.
“Pelo menos mais de três milhões de citadinos estiveram nas ruas da capital do país para saudar o Papa Leão XIV e receber o seu conforto, em diversas ocasiões e espaços”



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