Poucos países conseguem traduzir a sua história, alegria e resistência de forma tão intensa através da música como Angola. Dos batuques tradicionais aos palcos internacionais, os sons angolanos são muito mais do que simples entretenimento: são a voz de um povo que canta a sua identidade.
Após 1975, a música tornou-se bandeira de resistência e unidade. Canções falavam de luta, esperança e reconstrução.
E, se há um ritmo que simboliza Angola, esse é o semba. Nasceu da fusão entre sons africanos e influências coloniais, mas rapidamente ganhou vida própria. É impossível ouvir semba sem sentir vontade de dançar. Ícones como Bonga eternizaram esse género, levando-o a conquistar plateias de Lisboa a Paris.
Muito mais do que um género musical: é a batida que traduz a alma de Angola. Considerado o ritmo nacional, o semba nasceu da fusão entre tradições locais e influências coloniais, tornando-se a base sobre a qual se construíram outros estilos angolanos, como a kizomba e até o kuduro.
As suas origens remontam ao período colonial, quando as comunidades urbanas começaram a misturar instrumentos tradicionais com violas, guitarras e percussões europeias. O resultado foi um som contagiante, marcado pela dança e por letras que falavam do quotidiano: o amor, o trabalho, as alegrias e também as dificuldades da vida angolana.
O próprio nome “semba” deriva de um gesto de dança, em que os pares tocam as barrigas no compasso da música, simbolizando alegria e proximidade. É um género profundamente ligado à festa, à convivência e à oralidade, funcionando como um verdadeiro diário cantado do povo.
A partir da década de 1960, o semba ganhou projecção internacional com artistas como Bonga, cuja voz rouca e canções de resistência marcaram a luta pela identidade cultural angolana. Mais tarde, músicos como Carlos Burity, Waldemar Bastos e Paulo Flores deram continuidade à tradição, mantendo viva a essência do semba ao mesmo tempo que o renovavam com novas influências.
Mesmo com o surgimento de outros estilos modernos, o semba nunca perdeu o seu lugar. É comum ouvir kizomba e kuduro nas pistas, mas o semba continua a marcar presença em casamentos, festas populares e grandes concertos. É, em muitos sentidos, a raiz que alimenta toda a árvore da música angolana.
Mais do que um género, o semba é uma herança cultural. Cada acorde e cada verso carregam a história de um povo resiliente, capaz de transformar a sua experiência em arte. É o ritmo que emociona, que une gerações e que se mantém vivo como símbolo de Angola para o mundo.
Em cada canto do país, os ritmos tradicionais continuam vivos. O kissange (piano de polegar), a marimba e os tambores carregam séculos de memória. Cada batida é herança dos povos que moldaram Angola, –
Por: Venceslau Mateus



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