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Senegal justo campeão LEÕES DE TARANGA DOMINAM E REINAM NO FUTEBOL AFRICANO

Escrito por figurasnegocios

O Senegal, sob as rédeas de um treinador nacional, Pape Thiaw, destilando jogo convincente, de partida em partida, servido por craques de referência, como Pape Gueye que marcou na baliza do Marrocos o único golo do desafio, chamou a si o título da 35ª edição da Taça de África das Nações, vulgo CAN, torneio que fechou em meio de uma grande polémica, largamente mediatizada devido à postura do árbitro.


Trata-se do seu segundo título, desta vez “arrebatado” no Estádio Príncipe Moulay Abdallah, em Rabat, capital do Marrocos, país que em 2030 albergará uma parte do Campeonato Mundial de Futebol.

O Marrocos sonhava conquistar o campeonato, mas acabou por ver frustrado esta ânsia, depois de só o ter logrado há 50 anos. E  “culpa” é do Senegal, que, com ma sua postura grandemente ofensiva, foi fugaz no ataque, testemunhado pelo facto de ter sido o segundo melhor ataque da prova,13 golos, atrás da Nigéria, que apontou 14.

Este somatório de 13 golos, ficaram repartidos entre as suas melhores peças, nomeadamente, Pape Gueye, artilheiro de três golos e os restantes sobe as contas de Chérif Ndiaye e Nicolas Jackson, que marcaram dois cada,  Habib Diallo, Iliman Ndiaye, Abdoulaye Seck e o jovem Ibrahim Mbaye com um.

Esse naipe de jogadores que deram a prova de que o treinador senegalês desenvolveu um grupo capaz de causar estragos em todos os jogos. Selecções tidas de início como grandes favoritas, como o Egipto, Nigéria, Tunísia, Argélia e Côte d´Ivoire, resistiram apenas até onde lhes foi competitivamente permitido.

Muitas delas depois de apostarem nas suas melhores estrelas que jogam em equipas da Europa e de outras parte do Mundo, mas que deixaram no CAN do Marrocos referências de poucas boas actuações e, por isto mesmo, sem figurarem no “Onze Ideal” escolhido após o campeonato.

Essa selecção ficou formada apenas pelo guarda-redes  Bounou, os defesas  Diatta, Niakhaté, Bassey e Mazraoui, os médios El Aynaoui, P. Gueye e Iwobi, os avançados Diaz, Mané e Lookman, e, a melhor treinador,  Pape Thiaw, do Senegal,

O gurada-redes senegalês Yassine Bounou foi na verdade um dos melhores jogadores do CAN do  Marrocos.Não decepcionou do início ao fim da competição. Com cinco jogos efectuados sem sofrer golos, teve duas defesas de penálti na meia final com a Nigéria e na final com o Marrocos.

O defesa senegalês Krepin Diatta, lateral direito, foi muito preciso nas intervenções. O facto de ter recebido apenas um cartão amarelo (no jogo com o Botswana), em seis jogos comprovou a precisão dos seus desarmes e interceptações.  Este  jogador que milita no do Mónaco de França também contribuiu muito além de sua função habitual, sem jamais se deixar levar, mantendo-se disciplinado no seu posicionamento e recuo defensivo.

Moussa Niakhaté, também defesa senegalês, procurou sempre salvar a sua honra, que vinha “beliscada” após o penálti que perdeu diante da Côte d´Ivoire nos oitavos-de-final da CAN de 2023. No Marrocos voltou em grande, cumprindo a sua promessa.

Jogador do Lyon de França, foi um verdadeiro complemento para Kalidou Koulibaly e, posteriormente, um líder quando esse  colega do Al-Hilal estava suspenso. Assumiu a liderança neste CAN e está a caminho de se tornar o novo líder da defesa senegalesa enquanto Koulibaly, de 34 anos, se aproxima da despedida

Calvin Bassey é defesa da Nigéria. Entrou por merecer no “Onze Ideal”. Teve nesse CAN uma actuação excepcional. Após vários anos ao lado do seu capitão Willian Troost-Ekong, que se retirou dos campos pouco antes da CAN 2025, esse defesa que joga no Fulham da Inglaterra assumiu a liderança na defesa das Super Águias.

Impenetrável da disputa da bola “mano a mano”, sólido nos duelos, inteligente na cobertura e preciso na distribuição, tanto curta quanto longa, ao receber passes em profundidade, Calvin Bassey teve um CAN 2025 fenomenal, e a sua actuação na meia final com o Marrocos ficou gravado na memória colectiva dos amantes do futebol africano por muito tempo.

O Marrocos não ficou com o título, mas viu eleito um  defesa seu. Noussair Mazraoui que, na sua selecção, alinhou  em todas as partidas. Inicialmente, ficou na direita, que foi a sua posição preferida até o final da fase de grupos, quando o seu colega Achraf Hakimi ainda não estava totalmente recuperado.

Depois passou a actuar na esquerda face ao retorno do jogador do Paris Saint-Germain. Nunca decepcionou o seu treinador Walid Regragui. Foi, e é, um verdadeiro “jogador substituto” para o técnico dos Leõs do Atlas, que, mais uma vez, pôde contar com seu profissionalismo, solidez defensiva e capacidade de iniciar ataques.

O senegalês Pape Gueye é indiscutível de estar entre os meio campistas eleitos. Teve um desempenho incrível na no CAN. Sempre disponível entre as linhas, esse médio do Villarreal de Espanha cumpriu perfeitamente seu papel como elo entre o ataque e o resto da sua selecção.

A sua  capacidade de avançar e finalização são qualidades que demonstrou, mais uma vez, sempre no momento certo, e que fizeram a diferença para o Senegal, vulgo Leões de Teranga.

Foi fundamental nos oitavos-de-final, com o Sudão (3-0) com dois golos, e em uma final tensa com o Marrocos, onde garantiu a vitória para toda a nação senegalesa ao marcar o golo que garantiu segundo título.

Também entrou no meio campo o nigeriano Alex Iwobi, figura central no meio campo das Super Águias.

Orquestrou-se como um verdadeiro líder e comandou o jogo fluido da Nigéria, que foi um dos mais atraentes do CAN 2025. Seguro com duas assistências, o jogador de 29 anos foi indispensável para as Super Águias, que terminaram no pódio com a medalha de bronze.

Neil El Aynaoui é marroquino. Muitos concordam que foi o melhor jogador da sua selecção no CAN 2025. Meio campista da AS Roma de Itália, portou-se como uma verdadeira máquina de recuperar bolas, interceptando passes constantemente.

Tecnicamente sólido e com uma visão de jogo acima da média, foi o maestro do meio campo marroquino. O seu ritmo de trabalho incansável e esforço implacável foram irrepreensíveis.  A sua coragem e espírito de luta, dignos de um leão, atingiram novos patamares quando jogou por mais de uma hora na final com o Senegal, com a cabeça ensanguentada, após uma violenta colisão em uma disputa aérea com El Hadji Malick Diouf.

Entre os preferidos para atacantes ideais não podia faltar o senhor que se chama Sadio Mané, craque avançado do Senegal.

Não foi o artilheiro, mas provou, neste CAN 2025, que com a sua experiência e idade não precisa, necessariamente, de estatísticas para validar as suas actuações, mesmo tendo sido decisivo, aos 33 anos, com dois golos e duas assistências. Ao longo do torneio, liderou pelo exemplo e com seu altruísmo e sacrifício pela sua Nação.

Tacticamente, foi fenomenal, alternando entre a ponta esquerda para arrancadas de velocidade e o centro do meio campo para criar espaço atrás de si, atraindo os defensores. Será, especialmente, lembrado neste CAN 2025, por seu gesto de classe e liderança na final, quando decidiu chamar os seus companheiros de volta após se recusarem a jogar depois do penálti marcado para o Marrocos.

Ademola Lookman, avançado, com 4 golos e 4 assistências, foi, sem dúvida, o melhor jogador da Nigéria no CAN 2025. Sempre disponível para os seus companheiros, com um altruísmo quase avassalador, o jogador do Atalanta teve a sua segunda actuação na Taça de Nações  de forma excepcional depois daquela na Côte d´Ivoire, onde marcou 3 golos e deu uma assistência em 7 partidas.

A calma com que lidou com a altercação com Victor Osimhen nos oitavos-de-final com Moçambique (4-0) o torna um jogador ainda mais admirável, além do jogador excepcional que é.

TREINADOR – À frente desta “Onze Ideal” está um técnico, agora campeão, mas punido, depois, pela FIFA: Pape Thiaw, que levou o Senegal ao título. Conseguiu recolocar a sua selecção nos trilhos, primeiro nas eliminatórias para o Campeonato do Mundo, e, depois para a Taça de África das Nações de 2025.  Conquistar o título no seu primeiro CAN é extremamente raro e Pape Thiaw está orgulhoso de tê-lo alcançado. Tacticamente foi fenomenal, frustrando os planos de técnico do Marrocos, Walid Regragui,  na final.

A sua conquista é o resultado das suas escolhas, particularmente os integrantes da selecção, incluindo nela de jovens jogadores como Ibrahim Mbaye e Mamadou Sarr, que só optaram por representar o Senegal em Novembro.

ARBITRAGEM CRITICADA Embora a organização e o nível dos jogos  – tenham sido amplamente elogiados, a arbitragem saldou-se numa preocupação nesse CAN 2025.

Desde as primeiras partidas, um clima de suspeita cercou os árbitros, acusados por diversas selecções, de decisões inconsistentes, inclusive de favorecimento ao país anfitrião. Essa desconfiança atingiu seu ápice na final.

A imagem mais marcante do torneio foi a de os jogadores senegaleses deixarem o campo após o penálti marcado a favor do Marrocos no final do tempo regulamentar, poucos minutos depois de um golo dos Leões ter sido anulado. Foi uma cena rara, que revela a perda generalizada de confiança na arbitragem.

A interrupção subsequente, de quase vinte minutos, e quase mudou o rumo da partida. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, condenou posteriormente o comportamento de alguns jogadores senegaleses, pedindo à CAF que tomasse medidas disciplinares.

 

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