Por Vítor Norinha
Jornalista
Fortes investimentos na área da Defesa e na melhoria das infraestruturas vão marcar o consulado do novo Governo alemão e que resulta de uma coligação entre os democratas cristãos da CDU e dos sociais-democratas do SPD. As medidas de incentivo representam cerca de 20% do PIB do país.
O Governo está formado, mas a aprovação das novas medidas de incentivo fiscal com investimento massivo para reanimar a economia, e que é a maior da União Europeia, irão acontecer ainda com o atual Governo e antes do futuro 21º Bundestag, ou seja, antes do parlamento recém-eleito. No novo espectro político o centro direita, representado pela AfD, poderá vir a formar uma minoria de bloqueio a nível parlamentar e a inviabilizar estas deliberações.
Aquilo que o atual Governo alemão anunciou é um pacote fiscal que tem como ponto critico o Fundo Especial de Infraestruturas, um fundo extra orçamental de 500 mil milhões de euros ao longo de 10 anos para investir em infraestruturas. De acordo com o estudo do BIG, este fundo inclui financiamento para proteção civil, transportes, energia, educação, cuidados de saúde, infraestruturas científicas, hospitais, investigação e digitalização. Revela o documento que cerca de 100 mil milhões de euros estão reservados para estados federais e municípios com défices orçamentais.
O pacote fiscal inclui gastos com Defesa fora dos limites da dívida, pois os gastos que excedam 1% do PIB serão excluídos do “travão da dívida” constitucional da Alemanha, e que normalmente delimita o endividamento do Governo a 0,35% do PIB. Isto significa que poderá haver um aumento do investimento militar sem impactar as restrições do endividamento do orçamento federal, e permitindo aumentar os gastos com Defesa até 3,5% do PIB. Outro pilar deste pacote fiscal passa pelo aumento do endividamento dos Estados federais que poderão contrair empréstimos até 0,35% do PIB anualmente para fins de investimento.
Estas opções representam uma alteração substancial àquilo que tem sido a política fiscal dos últimos anos na Alemanha, pois vão significar um estímulo económico substancial e rearmamento militar acelerado. Estas medidas vão, segundo o BIG impulsionar as taxas de crescimento da economia nos próximos anos, mas também aumentar a relação dívida/PIB que está em cerca de 64% na atualidade, contrastando com o nível de dívida pública sobre o PIB que é de 112% no caso de França.
Os analistas do BIG consideram que as medidas são boas catalisadores para o mercado acionista alemão, e também para os mercados europeus, especialmente nos setores ligados a infraestruturas, defesa e produção industrial. A nível de mercados de ações, a mesma fonte adianta que o aumento da necessidade de endividamento fará com que as yields das obrigações do Tesouro a 10 anos, os bunds, possam subir. Estes ativos passaram de uma média de 2% a 2,5% no início de 2025 para 2,90%. Também é esperado que a rendibilidade das obrigações de outros países europeus, venham a subir. Refere a mesma fonte que a subida generalizada das taxas de juro na Europa possa ser um catalisador positivo para termos valorizações no câmbio Euro/USD.
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