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Venezuela LIDERANÇA TREMIDA PETRÓLEO HIPOTECADO

Escrito por figurasnegocios

Futuro incerto, liderança pressionada e dependência económica e financeira clara. Surtos de movimentos armados internos reclamam as suas posições num cenário político que a qualquer momento pode explodir. As ordens são ditadas de fora, não há concerteza qualquer sinal que evidencie que , de facto, se possa garantir e assegurar aos cidadãos a soberania do seu território.


Os dados foram lançados por Trump que, em entrevista ao ‘The New York Times’, afirmou que pretende supervisionar o governo venezuelano por tempo indeterminado,e garantiu que a administração interina de Delcy “está a dar tudo o que precisamos”. E mais: afirmou que seu governo deve seguir “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano “por muitos anos”.
“Só o tempo vai dizer”, disse o presidente norte-americano, citado pela G1, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.
“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, garantiu Trump na entrevista.
As sanções ao estado venezuelano vêm de trás. Mas, muito recentemente, e na sequência do seu cerco por mar, terra e ar, a situação degradou-se, pois em Dezembro do ano passado, segunda a agência Reuters, o país acumulava milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido exactamente ao bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Ao contrário do que a maior parte dos analistas previa, o governo da Venezuela (ainda) não caiu. Depois de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, a vice-presidente, tomou posse dois dias depois da captura do seu antecessor, mostrando-se disponível para “colaborar” com a administração Trump, enquanto nos corredores do poder movimentava-se uma verdadeira “caça” a quem eventualmente tenha participado, directa ou indirectamente, na operação militar dos Estados Unidos.
Note-se que no mesmo dia da “extracção” do líder venezuelano, já o Supremo Tribunal ordenava que Rodríguez assumisse o cargo de presidente interina, e a líder recebeu o apoio das Forças Armadas venezuelanas.
Entretanto, em comentários à revista Atlantic no domingo, o presidente dos EUA afirmou que se Delcy Rodríguez “não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”.
Depois da captura do ex-Presidente, Delcy Rodriguez surgiu bastante activa na imprensa, condenando obviamente o ataque à soberania do seu país e acentuando que nada estava à venda, ainda que sob enorme pressão externa e fragilidade política e económica interna.
Entretanto, o tom da indignação de Delcy Rodriguez foi baixando e, diante do “recado” proveniente da Casa Branca, enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento enviado como “gesto de abertura” e uma forma de “assegurar um espaço mínimo de negociação diante da pressão militar e económica dos EUA.
A CNN revela que na carta aberta, Delcy Rodríguez insiste que a Venezuela deseja paz e diálogo, e não confronto directo com os Estados Unidos. O texto afirma que o país aspira viver sem ameaças externas e reivindica o direito à soberania, ao desenvolvimento e ao futuro.
Na missiva, a presidente em exercício sustenta que a paz global começa com a estabilidade de cada nação, reforçando a necessidade de respeito mútuo entre Estados.
De acordo com a G1, os Estados Unidos começaram a comercializar petróleo venezuelano e, segundo informou o Departamento de Energia americano no dia 7 de janeiro, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
Promessas – “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados” , informou o departamento.
Segundo o órgão, os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Trump assegura que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado directamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, revelou, citado pelo Reuters.
Note-se que as refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco actualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infra-estrutura.

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