Balaio dos Prazeres Cultural

Grupo Elinga Teatro exibe “As Bondosas”

O grupo Elinga Teatro exibiu na Casa das Artes, em Talatona, Luanda, o espectáculo “As Bondosas”, que narra a história de três carpideiras que se surpreendem com situações inusitadas e o comportamento exótico de uma família aristocrática durante o funeral da filha mais nova.

Texto original do brasileiro Ueliton Rocon, com adaptação, cenografia e direcção do dramaturgo angolano José Mena Abrantes, figurinos de Anacleta Pereira e Sunny Dilage e iluminação de Paulo Cochat, o espectáculo de teatro é levado à cena por Anabela Aya, no papel de Angústia, Cláudia Púcuta (Astúcia), Sunny Dilage (Prudência) e Elvira Francisco (Suicida).

A peça recria a imagem triste de quatro jovens, Astúcia, Angústia, Prudência e Suicida, junto ao caixão, contrastando com o ambiente quase alegre do velório, propiciado pelos mexericos dos convidados e pelo vai-vem das bandejas de café.

Em “As Bondosas”, três carpideiras, cujo maior receio é se verem um dia transformadas em estátuas de sal, como terá acontecido à mulher de Loth, estão presentes no óbito de uma jovem que se suicidou. Inconformadas por ninguém reconhecer os seus méritos profissionais, vão-se desviando das rezas para a “fofoca” pura, acabando por deixar finalmente transparecer todos os segredos que escondiam do mundo e umas das outras.

PERFIL DO MESTRE

José Mena Abrantes é natural de Malanje. Licenciado em Filologia Germânica em Lisboa (1969). Co-fundador da agência noticiosa ANGOP (1975-1983) e colaborador da Cinemateca Nacional (1985 – 1987). Quadro superior dos Órgãos de Apoio do Presidente da República de Angola (1987 – 2025). Criou e dirigiu três grupos de teatro, nomeadamente Tchinganje (1975-1977), Xilenga (1977-1980) e Elinga (1988-até à actualidade). O dramaturgo publicou 20 peças de teatro, quatro obras de poesia, quatro de ficção e vários estudos sobre teatro e cinema em Angola. Membro da União dos Escritores Angolanos e membro fundador da Academia Angolana de Letras. Vencedor do Prémio Sonangol de Literatura (1986, 1990 e 1994) e do Prémio de Poesia de Caxinde (ex-aequo). Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Literatura (2012).

PERFIL DAs protagonistas

Sunny Dilage é actriz, residente do grupo Elinga Teatro, desde 1993, com trabalhos apresentados em África, América e Europa. É produtora cultural, figurinista, professora, encenadora e directora de Teatro. Ocupa o cargo de secretária do Património da actual Direcção da Associação Angolana de Teatro (AAT). Em 2025, foi Diva do Teatro, pelo festival Festeatro Mulher, em 2023, com o “Projecto Gente do Sol”, no Circuito Internacional de Teatro (CIT), ganhou os prémios de Melhor Encenação, Melhor Texto Dramático, Melhor Cenário, Prémio Ubuntu e foi distinguida com o “Diploma de Munícipe de Mérito da Cidade de Luanda”, concedido pelo Governo da Província de Luanda, e em 2021, recebeu a distinção de Artista CIT – Circuito Internacional de Teatro.

Anabela Aya é actriz, cantora e compositora. Iniciou-se na música aos cinco anos nos cânticos religiosos do coro da Igreja Metodista Independente Caridade, onde a mãe era professora. A sua formação vem da Igreja onde criou as bases técnicas que lhe permitem a versatilidade e interpretação dos géneros gospel, blues, afro-jazz, soul incluindo o Fado. Internacionalizou a sua carreira, em 2018, ao lançar o seu primeiro CD “Kuameleli”, com 10 faixas musicais. No mesmo ano, venceu o prémio da crítica, do “Top dos Mais Queridos” da Rádio Nacional de Angola e foi nomeada para os prémios “AFRIMA”, em duas categorias, nomeadamente Best Female Artist in Central Africa e “Best Artist, Duo Or Group in AfricanJazz, além da nomeação nos “African Entertainment Awards USA”, na categoria de Best Upcoming Artist. Em 2017, venceu o Prémio “Diva da Música Angolana”. No mesmo ano, venceu o Festival da Canção de Luanda e o prémio de Melhor Voz organizado pela LAC.

Cláudia Púcuta é actriz residente do grupo Elinga Teatro, desde 2010, e da produtora Super Pakata, desde 2019, produtora e mestre de cerimónia. A artista internacionalizou a sua carreira em 2010. Em 2024, recebeu a Homenagem Mulher Pink Day do Gordon’s Premium Pink e o Diploma de Mérito do Ministério da Cultura pelo seu significativo contributo em prol do desenvolvimento da cultura nacional. No mesmo ano foi eleita a 6ª Mulher Mais Influente de Angola pela Revista Chocolate. Em 2023, recebeu o troféu de Melhor Actriz de Cinema da África Austral nos Prémios Sotigui do Burkina Faso, ano em que foi também eleita como uma das 23 Figuras e Factos do Ano do Novo Jornal. Em 2022, foi distinguida como a Melhor Actriz de Cinema no Festival Unitel Angola Move e, em 2018, como Diva do Teatro pelo Festival Festeatro Mulher.

Elvira Francisco é actriz, residente do Elinga Teatro, desde 2023, produtora e estudante de Teatro, na Casa das Artes. A mesma trabalhou com o grupo Elinga Teatro, sob direcção de José Mena Abrantes, nas peças “Caminhos Des-encantados” e “Navita a Filha Amaldiçoada”, sob direcção de Sunny Dilage, trabalhou nos espectáculos “A Bela Adormecida” e “Cabaret das Ilusões”.

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