Figuras de Jogo

ALVES SIMÕES A MODO TELEGRÁFICO

Por: António Félix
felito344@yahoo.com.br

O presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Alves Simões, sacou da cartola o “papo” de que há toda a necessidade telegráfica, para não dizer aqui urgentíssima, de se potenciar a competitividade quer no Girabola quer na Segunda Divisão para, no seu pensar, destes torneios do futebol emergirem craques que suportem fortemente os Palancas Negras.

Mas para muito boa gente, trata-se claramente de um argumento que arregimentou para justificar, como quer, a podre campanha na equipa de todos nós neste CAN do Marrocos, uma actuação vista a todos os títulos como fracassada.

Alves Simões, para não ser tido como único culpado, estendeu a “desdita” a outros seus companheiros, desta forma: ” Tenho sempre dito à minha direcção e à equipa técnica para irmos buscar apenas 25 jogadores na diáspora”.

Mas os mais atentos com o que os Palancas Negras foram incapazes de fazer no Marrocos não embarcaram nesta justificação, considerando-a simplesmente ” para boi dormir”.

Uma das promessas feitas por Alves Simões, no dia da sua tomada de posse foi esta: ” com um legado de honra, alcancemos um futuro de glória”.

Porém, pergunta-se, aqui e agora: qual glória, se a meta no CAN do Marrocos era a de os Palancas Negras de passarem aos quartos-de-final e, depois, sonhando mais alto, atingir, no mínimo as meias-finais?

Ora, estes desideratos não foram logrados e, se assim aconteceu, Alves Simões, que é o oitavo presidente da FAF, para muitos já vê comprometido uma parte do seu programa delineado para o quadriénio 2025-2028, que passa imediatamente por este sonho de chegar longe, mas agora postergado para momento de “sem certeza”…

Alves Simões, confrontado com a onda de descontentamento sobre si, devido à aposta fez ao treinador (francês) dos Palancas Negras, reagiu com musculação no dia da conferência de imprensa: “Não me vou demitir. Quem quiser concorrer que espere pelas eleições”.

É é por isso, assim mesmo !, que há certamente, muita malta do nosso futebol, a esta hora, boquiaberta face a esta extremada forma de falar de Alves Simões. Vale repetir: ” Não me vou demitir. Quem quiser concorrer que espere pelas eleições”…

Mas tudo isto está anotado. Como se sabe, para a eleição de Alves Simões, houve grande impulso de figuras proeminentes, pessoas como Tomás Faria, Bento Kangamba, Sá Miranda e Alexandre Canela e outros.

Esses presidentes de clubes, na altura reconheceram a importância de uma nova postura para o futebol em Angola, destacando a necessidade de os Palancas Negras estarem na crista da onda, onde que fossem ou vão jogar, o que não se viu, agora, no Marrocos.

Artur de Almeida, antecessor de Alves Simões, na passagem de pastas deixou para este um imperativo recado: o país e os Palancas Negras estão acima de qualquer interesse pessoal e manifestou a disponibilidade de cooperar com o novo presidente do órgão reitor do futebol angolano. Este ouve-o, ao menos ?…

É por isso mesmo que Alves Simões, que até já integra o Comité Permanente da FIFA, onde vai estar até 2029; e que teve a coragem de dizer ter encontrado a federação com dívida de mais de dois mil milhões de Kwanzas (cerca de 1,93 milhões de euros), passivo relacionado a dívidas com funcionários da FAF e com parceiros e que dessa dívida conseguiu liquidar 180 milhões de Kwanzas (cerca de 175.000 euros… deve agora reunir com os seus pares a ver se o técnico Patrice Beaumelle é mesmo o puro para todas as “encomendas” dos Palancas Negras.

Portanto, que faça ainda de seu fio condutor outra promessa feita em Benguela, quando ainda corria para o cadeirão da presidência : “O futebol deve ser gerido por gente do futebol”.-

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