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Parceria com a Aliança Empresarial de Benguela: HÚNGAROS NO SECTOR FARMACÊUTICO PARA CURAR A DOENÇA DA FALTA DE MEDICAMENTOS

Escrito por figurasnegocios

Empresa especializada junta-se a brasileiros e manifesta intenção de produzir fármacos numa Benguela que apresenta como trunfos a fábrica em degradação e o Pólo Industrial da Catumbela. Mas não só: o maior corredor de desenvolvimento do país é sinónimo de via verde para as exportações. Angola gasta cerca de USD 60 milhões/ano com a importação de medicamentos.

Texto e Fotos: Marcos Pontes António

Atraídos pelo Corredor do Lobito (CL), uma plataforma que assegura a exportação de bens e serviços, empresários da Hungria tencionam investir na indústria farmacêutica em Benguela, província que assiste a degradação da Angomédica, uma fábrica de medicamentos exposta a actos de vandalização.

Homens de negócios afectos à companhia húngara Medifood Internacional SA, apresentada como uma referência no ramo farmacêutico, consideram que as exigências do sector implicam o estabelecimento de parcerias com operadores locais.

No fecho de uma visita de trabalho, a convite da Aliança Empresarial de Benguela (AEB), em Novembro, o director executivo da Medifood, Gellért György, disse que uma indústria farmacêutica teria sempre no Corredor do Lobito o veículo para o fornecimento a países da região austral de África.

“Vemos isto como uma cooperação, nunca uma competição, uma vez que esta indústria é gigante”, sustentou o director executivo. Paralelamente a esta intenção, a companhia húngara VHÍD, ligada a infra-estruturas, tem os olhos no CL, mormente no reforço e consolidação da ferrovia.

 

O seu director para as Relações Internacionais, Benedek Hock, disse que “o objectivo é elevar o potencial da infra-estrutura ferroviária”, frisando que a Hungria e Angola são países pequenos que lutam pelo fim da dependência.

Não foi avançado em nenhum momento de uma visita que incluiu assinatura de protocolo e encontro com o governador de Benguela, Manuel Nunes Júnior, um número de fábricas a construir ou outras componentes da indústria farmacêutica, como unidades para matéria-prima e embalagem, mas há um dado a reter: o Governo quer reabilitar a Angomédica.

Fora de serviço há vários anos, o empreendimento teve, praticamente, uma morte à nascença, estando hoje a ser alvo de vandalização.

Se não houver viabilidade para a recuperação, as autoridades empurram potenciais investidores, na perspectiva de uma fábrica nova, para o Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC), como fizeram com empresários brasileiros, também eles atraídos pelo Corredor do Lobito.

Dados oficiais, susceptíveis a actualizações, indicam que Angola gasta anualmente 60 milhões de dólares com a importação de fármacos. 

Nem só de fármacos vive a Hungria – Quando a Figuras & Negócios fechava a presente edição, nos últimos dias de Novembro, tudo apontava para a inauguração, na cidade do Huambo, daquela que o Governo angolano considera ser a primeira fábrica de medicamentos do país.

O anúncio foi feito pelo ministro de Estado para Coordenação Económica, José de Lima Massano, ao apresentar as principais linhas do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026.

Agora, surge a possibilidade dos húngaros da Medifood, criada em 2010, inicialmente com o objectivo de fornecer nutrição clínica para pessoas com necessidades médicas específicas.

Deste país europeu, entretanto, deverão chegar não apenas serviços ligados à indústria farmacêutica, conforme destacou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Hungria/Angola, Célio Njinga.

Olhando para a necessidade de valências ajustadas ao Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), sustenta que os húngaros apresentam capacidades também nas infra-estruturas, transporte, logística e agro-processamento.

“Tudo tem enquadramento no Corredor do Lobito, que pode catapultar a economia, garantindo exportações”, indica Célio Njinga, antes de ter destacado o potencial húngaro na construção de pontes, empreendimentos que, curiosamente, estão previstos para as províncias ao longo do CL.

A província de Benguela contará, à luz de um protocolo rubricado entre as partes, com uma representação da Câmara de Comércio Hungria/Angola, cujo funcionamento será coordenado pela Aliança Empresarial.

O presidente da AEB, Adérito Areias, afirmou que “o nosso objectivo é trazer parcerias”, independentemente do país, e avançou que a cooperação pode significar progresso na agricultura, estradas e formação de quadros.

“Podemos produzir mais milho e trigo, podemos, agora com o aumento de municípios, ter melhores estradas para facilitar o acesso e receber formação no domínio das engenharias”, justificou.

Na assinatura do protocolo, a Aliança Empresarial de Benguela esteve representada por membros ligados às farmácias, infra-estruturas e agro-pecuária.

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