PAUL BIYA, 92 ANOS, FOI REELEITO PRESIDENTE DOS CAMARÕES PARA UM OITAVO MANDATO COM 53,66% DOS VOTOS. O OPOSITOR TCHIROMA CONTESTA OS RESULTADOS E APELA A MARCHAS PACÍFICAS APÓS UM ESCRUTÍNIO MARCADO POR TENSÃO E MORTES.
O Presidente dos Camarões, Paul Biya, no poder desde 1982, foi reeleito para um oitavo mandato com 53,66% dos votos, segundo os resultados oficiais anunciados pelo Conselho Constitucional.
O ex-ministro e candidato da oposição, Issa Tchiroma, ficou em Segundo lugar com 35,19% dos votos, de acordo com a instituição.
Issa Tchiroma reivindica a vitória sobre o Presidente cessante após as eleições de 12 de Outubro.
“A nossa vitória é clara” e “deve ser respeitada”, escreveu Issa Tchiroma, exigindo que Biya aceite “a verdade das urnas”, sob pena de “mergulhar o país no caos” porque “o povo escolheu e essa escolha deve ser respeitada”.
No domingo, quatro pessoas morreram na capital económica, Douala, durante manifestações de apoio ao opositor, segundo o governador da região do litoral.
As forças de segurança começaram por lançar gás lacrimogéneo antes de disparar “balas reais”,declararam manifestantes à agência de notícias France-Presse (AFP).
“RESULTADOS FALSIFICADOS”- Desde a semana passada, os apoiantes de Issa Tchiroma, que segundo a sua própria contagem obteve 54,8% dos votos contra 31,3% de Biya, têm saído esporadicamente às ruas para reivindicar a vitória nas eleições presidenciais.
Em 2018, nas últimas eleições presidenciais nos Camarões, Maurice Kamto, principal líder da oposição camaronesa, que ficou em segundo lugar na votação e cuja candidatura foi rejeitada este ano, proclamou-se vencedor no dia seguinte, embora a
legislação não permita publicitação de resultados antes de o Conselho Constitucional se pronunciar.
Há sete anos, Kamto foi detido e as manifestações dos seus apoiantes foram dispersadas com gás lacrimogéneo e canhões de água. Dezenas de manifestantes continuam presos ainda hoje.
A maioria dos especialistas esperava que Paul Biya ganhasse um novo mandato de sete anos, num sistema que os seus detratores acusam de ter bloqueado ao longo dos seus 43 anos no poder.
PROTESTOS E TENSÃO NAS PRINCIPAIS CIDADES – Os ajuntamentos foram proibidos e a circulação restringida na maioria das grandes cidades do país até ao anúncio do presidente eleito.
Mas, desde a semana passada, apoiantes de Issa Tchiroma — que, segundo a sua própria contagem, venceu com 54,8% dos votos contra 31,3% para Paul Biya — têm saído esporadicamente à rua para reivindicar a vitória nas presidenciais.
Na quarta-feira, apelou aos camaroneses para se manifestarem caso o Conselho Constitucional proclamasse “resultados falsificados e truncados”.
Desde as primeiras horas da manhã, patrulhas mistas de polícia e gendarmaria estão posicionadas nos principais cruzamentos da capital Yaoundé, enquanto veículos blindados permanecem junto às zonas consideradas sensíveis.
A polícia afirma querer “garantir a segurança do processo eleitoral e prevenir qualquer desordem”.
Em vários bairros de Yaoundé, muitas lojas e bombas de combustível mantiveram as portas fechadas, por receio de distúrbios. Os transportes públicos funcionam de forma reduzida e a circulação está invulgarmente fluida.
PRESIDENTE MAIS VELHO DO MUNDO – Paul Biya é o chefe de Estado mais velho do mundo e antigo de África a seguir ao
homólogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, e é o segundo Presidente do país desde a independência de França, em 1960.
Durante as décadas de governação de Paul Biya, a nação centro-africana de quase 30 milhões de habitantes enfrentou desafios que vão desde um movimento secessionista até à corrupção que condicionou o desenvolvimento do país, apesar dos ricos recursos naturais, como o petróleo e minerais.
Desde 2016, o país da África central enfrenta um conflito contra os separatistas
nas regiões de língua inglesa no noroeste e sudoeste, que são reprimidas pelo Governo. Os Camarões também são ameaçados por grupos extremistas, como o Boko Haram e o Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos.
AFP | Lusa



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