ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
2 de setembro 2016 - às 07:00

ZONA ESPECIAL DE LUANDA E BENGO INVESTIR NA PRIVATIZAÇÃO!

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a venda de 53 unidades industriais na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEELB) vai gerar dinheiro a curto prazo e diminuir as despesas, mas afectará as receitas dos arrendamentos de longa duração

 

"A venda vai ajudar as autoridades a gerarem dinheiro a curto prazo, e cortar na manutenção e noutros custos, apesar de as receitas dos arrendamentos a longo prazo serem perdidas", lê-se numa nota divulgada aos investidores pela unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Na análise, os peritos da Economist manifestam concordância com a privatização das 53 unidades industriais e consideram que a medida "está em linha com a resposta política do Governo à crise do preço do petróleo, que é aproveitar a experiência e o capital do sector privado para ajudar a aumentar a produção não petrolífera e criar mais empregos".

Criada "parcialmente com recurso a linhas de crédito da China", a ZEELB está localizada a 30 quilómetros do centro de Luanda, e era um projecto até agora gerido pelo Estado angolano, através da Sonangol, que envolveu um investimento público de quase 80 milhões de dólares (71 milhões de euros) para instalar 73 fábricas e compreende sete reservas industriais, seis reservas agrícolas e oito reservas mineiras, numa área total de 8.300 hectares entre os municípios de Viana, Cacuaco, Icolo e Bengo (Luanda), Dande e Ambriz (Bengo).

"Como tantos outros grandes projetos liderados pelo Governo em Angola, a ZEELB não correspondeu às expetativas; apesar de algumas companhias produtoras se terem estabelecido lá, muitas das 73 unidades continuam vazias ou só parcialmente usadas", escreve a EIU, notando que "a continuada quebra nos preços do petróleo e o efeito que teve no kwanza e no poder de importação significa que muitas firmas na zona estão a debater-se para conseguirem importar as matérias-primas, e as linhas de produção estão paradas".

A petrolífera estatal angolana Sonangol e três ministérios (indústria, finanças e economia)vão gerir o processo de venda das 53 unidades industriais instaladas na ZEELB, que deverá estar concluído até final do mês.

O objectivo da comissão criada em Julho passa ainda por garantir que os "adjudicatários" façam o "pagamento efectivo e integral do valor da alienação patrimonial" e outras responsabilidades, após a homologação das respectivas vendas.

O Estado angolano pretende vender a privados 53 unidades industriais instaladas na ZEELB para poupar nos custos de manutenção e optimizar a geração de postos de trabalho.

A medida consta de um despacho presidencial de 26 de Maio, autorizando a "transferência da totalidade das quotas representativas do capital social" destas unidades industriais para "entidades empresariais privadas detentoras de capital, ‘know-how' e tecnologia suficiente" para as "alavancar".

Estas vendas, cujo preço será determinado "com base na avaliação patrimonial actualizada" e com "critérios técnicos", são justificadas com a necessidade de "garantir" a exploração por parte do sector privado, "de optimizar sobremaneira a eficiência nos aspectos produtivo, financeiro e comercial" e de postos de trabalho, assim como garantir maior receita fiscal e "cessando o custo de manutenção levado a cabo pelo Estado angolano".

No despacho assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, recorda-se que o Estado "investiu na montagem, operacionalização e financiamento da actividade de exploração" destas unidades e que o país possui actualmente uma economia de mercado "assente na livre iniciativa dos vários agentes económicos".

"Com intervenção e participação mínima do Estado nas actividades económicas produtivas, nomeadamente nos sectores da Indústria, Comércio e Serviços", há "necessidade de estimular a intervenção da iniciativa privada no segmento industrial nacional", para "fazer crescer os investimentos originalmente feitos pelo Estado e fomentar a cultura industrial em Angola".

Nos terrenos infra-estruturados e equipados da ZEELB continuam a instalar-se várias empresas, ao abrigo, até agora, de contratos com o Estado angolano, nomeadamente fábricas de cabos eléctricos, acessórios de plásticos, ferragens, panificação, vidro, embalagens metálicas, alumínio, cobre, carpintaria e até de bolachas e confeitaria, entre outras. Lusa.  

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital