MUNDO REAL

 
1 de dezembro 2016 - às 19:02

VOTO EMOCIONAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Uma das opções na senda dessa saída seria o Reino Unido tornar-se membro do Espaço Económico Europeu, o que lhe daria acesso ao mercado de 500 milhões de consumidores mas submetendo-se a regras de um grupo do qual já não faz parte. Mais complicada ainda é a situação do estatuto (especialmente a reforma e os cuidados de saúde) de dois milhões de britânicos que residem ou trabalham na União Europeia, principalmente em Espanha e Portugal. 

 

David Cameron, o então Primeiro-Ministro britânico jogou o “tudo ou nada”, convocou o referendo perguntando aos britânicos se pretendiam sair da União Europeia mas antes conseguiu um acordo com os seus pares da União Europeia para que o seu país tivesse uma série de benefícios da União e o mínimo de obrigações. Na altura ele resumiu que assim os britânicos conseguiriam “o melhor dos dois mundos”.

Apesar do foco da imprensa na questão e do frenesim político que o referendo criou, na altura as sondagens e a opinião pública interna e mundial não indicavam que o resultado seria a saída. A contagem de votos apontou o contrário, o Brexit tornou-se realidade com 51,9% dos votos, enquanto os defensores da permanência da União Europeia conquistaram 48,1% dos votos.

Na avaliação dos resultados, os analistas concluíram que no fundo os eleitores resolveram punir David Cameron e os erros do seu governo bem como os responsáveis da União Europeia por políticas das quais discordavam. É o que chamo de voto emocional que nesse caso trouxe sérias consequências para o mundo e para a Europa em particular. Para o Reino Unido as consequências foram estrondosas e ainda só se viu a ponta do iceberg, visto que o pior mesmo só será conhecido quando o actual governo finalmente acionar o agora famoso artigo 50 do Tratado de Lisboa.

Uma das opções na senda dessa saída seria o Reino Unido tornar-se membro do Espaço Económico Europeu, o que lhe daria acesso ao mercado de 500 milhões de consumidores mas submetendo-se a regras de um grupo do qual já não faz parte. Mais complicada ainda é a situação do estatuto (especialmente a reforma e os cuidados de saúde) de dois milhões de britânicos que residem ou trabalham na União Europeia, principalmente em Espanha e Portugal. 

Quando o Brexit foi confirmado rapidamente começaram a surgir milhões de manifestantes nas ruas de Londres dizendo que, na verdade, queriam ficar. Mas já estava decidido, o voto tinha ditado o contrário.

Agora o mundo confronta-se com outra surpresa saída das urnas, o Presidente eleito dos Estados Unidos da América, Donald Trump. Contra todas as expectativas, com um discurso “politicamente incorreto”, contra o que previam as sondagens, aí está Trump no comando da maior potência mundial.

Os analistas também procuram entender o que aconteceu e dizem que os americanos estão exasperados com o rumo económico e social do seu país, que estão preocupados com a crescente presença de emigrantes nos Estados Unidos da América e particularmente com a influência dos grupos ligados ao terrorismo. Daí que o discurso de Trump tenha sido aceite porque ele promete uma América de “muros”. Mais uma vez foi o voto emocional a vencer mas sem ter em conta o “day after”. 

Dias depois mais uma vez milhares de americanos protestavam nas ruas contra a sua própria escolha. 

Estes dois exemplos mostram-nos mais uma vez que o voto tem que ser consciente, não só no que toca a escolha em si mas em relação as consequências que vão advir da nossa opção.

Todo o caminho tem uma consequência!  

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