POLÍTICA

 
2 de setembro 2016 - às 06:45

VII CONGRESSO DO MPLA: DOS SANTOS ASSUME-SE COMO LÍDER INCONTORNÁVEL

O  cenário foi montado há meses e o palco do VII Congresso do partido maioritário que governa o país há quarenta anos teve  como estrela maior José Eduardo dos Santos, para o qual estavam apontados todos os holofotes desta vida, como seria espectável. Subiu ao palco e foi aclamado, idolatrado e mereceu vênias de rei. Foi reeleito Presidente, líder de todas as estrelas da constelação mandante,  e conduziu os trabalhos do conclave sem que alguém lhe apontasse algo que fizesse com que o sentido dos ponteiros do relógio invertesse

 

Para trás, fica a sensação de que ele vai concorrer e ganhar as eleições gerais previstas para 2017 e com ele também a perspectiva de que com João Lourenço, eleito vice-presidente do MPLA e Paulo Cassoma, Secretário Geral, estão reunidas as condições para que a Moção Estratégica do Líder proposta ao congresso e aclamada, seja implementada e o partido dos camaradas vença todos os desafios.

Dos Santos  acabou por ser reeleito com 99,6% de votos de um total de votantes (2.553), com  cinco a manifestaram-se contra e uns cinco indecisos desta vida partidária abstiveram-se. Dos 272 candidatos a membros do Comité Central, constantes da lista geral, foram eleitos por 2.511 votos a favor, 35 votos contra e sete abstenções, correspondendo a 98,35 por cento dos votos validamente expressos, de um total de 2.553 votantes. É a Angop que divulga estes dados e é de considerar.E diz como deveria fazer como empresa pública controlada de cima o seguinte: “A votação foi feita de forma livre, consciente, democrática e transparente, de acordo com a coordenação da comissão eleitoral”. 

Querem saber o que é isto de emagrecer a direcção do partido maioritário? Cá vai: “O novo Comité Central foi alargado para 363 membros, contra os 311 do elenco anterior”.  José Eduardo dos Santos  disse no seu discurso de abertura que o  MPLA nunca abandonou o povo e  nunca combateu contra o povo. “Construímos um grande Partido, um Partido que não é do Sul, não é do Norte, não é do Leste, mas de toda Angola, de Cabinda ao Cunene. Um Partido para todos os angolanos, sem distinção de raça, tribo, região, credo religioso ou nível cultural e académico. Pode ser do MPLA quem quiser e aceitar os seus Estatutos e Programa, mas mais rigorosos são os critérios para se ascender à sua Direcção e a cargos de responsabilidade”.

Para si, é justo render a merecida homenagem a todos os que se bateram e deram a vida para que hoje estejamos livres e em paz. Que a vida dos que tombaram não tenha sido em vão e que o passado nos sirva a todos de lição.

Considerando que o VII Congresso do Partido constituiu um importante momento para fortalecer a sua união, reforçar os ideais que sempre nortearam o MPLA e de mostrar que este MPLA é o Partido da Grande Família Angolana, Dos Santos salientou que o “seu” partido “está preparado para o combate político, para ganhar as próximas eleições e para continuar a governar a República de Angola, correspondendo aos anseios das populações”.

Todavia, o presidente do MPLA confirmou que  a actual situação económica e financeira  coloca aos militantes importantes desafios. “Devemos olhar para trás e analisar o que fizemos com o necessário sentido de crítica e de auto-crítica, para constatarmos o que não foi bem feito. Os erros deverão ficar no passado e servir de critério para corrigirmos o presente e projectarmos o futuro.

Só não erra quem não trabalha, mas o MPLA trabalha e faz e o povo sabe. Está sempre empenhado em fazer mais e melhor. Devemos por isso basear-nos naquilo que fizemos de bom e com coragem, determinação e sentido de responsabilidade, para redefinir as nossas prioridades à luz do actual contexto e adoptar as melhores práticas e as opções mais vantajosas para realizar o bem comum”, afirmou.

 Entre outros aspectos abordados e sempre numa linha discursiva optimista, Dos Santos salientou o facto de se prestar maior atenção ao desempenho dos quadros da saúde e da educação, promovendo o rigor, o profissionalismo e a disciplina. “Temos de tornar a Administração Pública menos burocratizada e mais próxima dos cidadãos. A tecnologia hoje disponível deve ser usada para melhorar os procedimentos administrativos e aproximar governados e governantes. A reforma do Estado deve dar lugar a uma Administração Pública mais eficiente e voltada para os resultados.Por outro lado, temos de ter um Sistema de Defesa e Segurança Nacional adequado e capaz de prevenir e vencer eventuais ameaças e que tenha na qualidade do serviço a sua matriz. Estou certo de que existe a capacidade, a vontade e a experiência necessárias para concretizar este objectivo”, destacou no seu discurso, bastas vezes interrompido por aplausos.

Para si, diante da mudança de paradigma da Segurança Nacional e Internacional, face ao surgimento de vários crimes, novos métodos de actuação e também de fenómenos como o terrorismo ou as pesudo-revoluções, não se deve permitir que as  diferenças políticas sejam aproveitadas por forças externas para dividir e pôr em causa a paz duramente conquistada.

“Temos de ser capazes de prevenir eventuais acções subversivas, para manter a nossa soberania, a paz e a estabilidade, reforçar a nossa democracia e trabalhar no sentido de fazer prosperar a Nação angolana”, disse o presidente do partido e único candidato ao cargo .

“Iremos deixar de governar para o cidadão e passar a governar com o cidadão. Com ele iremos identificar não só os problemas, mas também as soluções para os nossos desafios, no quadro de uma democracia participativa”, afirmou, salientando que na organização partidária que dirige há mais de trinta anos surgiram  

questões internas, mas se soube superá-las. “As nossas diferenças, em vez de nos enfraquecerem, fortalecem-nos ainda mais no nosso propósito de termos um Partido cada vez mais firme, mais disciplinado e mais determinado em alcançar e consolidar as suas vitórias. Por essa razão, mais do que um Partido, o MPLA é, como já antes afirmei, uma grande Família!

Na verdade, o nosso amanhã passa também por conseguirmos criar uma economia mais forte e mais competitiva, que não dependa excessivamente do petróleo. Passa por deixarmos de depender excessivamente das importações. Precisamos de investir com sabedoria e aproveitar melhor os nossos recursos naturais da melhor forma possível”, disse.

Para  si, há que priorizar os projectos estruturantes, os de maior rentabilidade, os mais competitivos e inovadores. Há que apoiar mais os empresários com provas dadas em eficácia e responsabilidade e mais comprometidos com o futuro do país, portanto bons patriotas.

José Eduardo dos Santos e o seu partido comprometeram-se em apoiar  os empresários que sabem realizar licitamente os seus negócios no mercado interno e externo para constituírem riqueza e contribuírem para aumentar o emprego e fazer crescer a economia.

“Não devemos confundir estes empresários com os supostos empresários que constituem ilicitamente as suas riquezas, recebendo comissões a troco de serviços que prestam ilegalmente a empresários estrangeiros desonestos ou que faça à custa de bens desviados do Estado ou mesmo roubados. Angola não precisa destes falsos empresários, que só contribuem para a sua dependência económica e política de círculos externos.

Por outro lado, há muito que se sabe que a verdadeira riqueza de um país não está no seu subsolo, nem na profundeza dos seus mares. Está, acima de tudo, na força, na habilidade e na capacidade criativa do seu povo. Diz-se que o que gera a riqueza hoje são as boas ideias. Quem as tiver por favor que avance e que seja criativo”, alertou. 

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