REPORTAGEM

 
26 de maio 2015 - às 14:48

VENDA DE CARTÕES TELEFÓNICOS O NEGÓCIO ESTÁ NA RUA!

Oficialmente só as operadoras de telefonia e seus agentes oficiais podem vender cartões de recarga ou números de telefone, contudo em Luanda aumenta a cada dia o número de vendedores informais que disponibilizam cartões das duas redes móveis a operar no país

 

A compra e venda de cartões é um negócio que cresce a cada dia que passa nos mercados informais, nas ruas e em algumas lojas existentes na nossa cidade e um pouco por todo o país. O preço, em alguns casos, depende da estratégia usada pelo vendedor.     
Maria André, de 45 anos, residente em Viana, começou a fazer este negócio em 2005. Ela compra uma caixa de cartões de recarga por 42.000 ou 45.000 Kwanzas e ganha 3.000 por cada uma que vende. Apesar da procura, Maria lamenta que, por vezes, demora muito tempo para esgotar o negócio. Segundo ela, as comerciantes informais não têm contrato com a Unitel nem com a Movicel. “Compramos das mãos de alguns revendedores e depois temos que os entregar o dinheiro da venda mas tiramos a nossa margem de lucro”, revelou.
Nos casos em que o cliente compra um cartão mas não consegue usar, a vendedora explica que “muitas vezes aparecem este tipo de reclamações, mas isso acontece quando nos roubam os cartões, comunicamos o agente com quem trabalhamos que comunica a operadora. Nestes casos os cartões roubados são desactivados através dos números de série” acrescentou Maria.
Outro vendedor é o jovem Estoni Mailu Wavila, de 27 anos, de nacionalidade congolesa, morador do bairro Mabor. Por dia, tal como nos explicou, vende 25 a 30 cartões de recarga da Unitel e 15 a 19 da Movicel, porque comercializa num ponto com muita procura. Para além dos cartões também vende números de telefone das duas operadoras de comunicação assim como saldos automáticos.
Os cartões com maior saída são os da Unitel, segundo Estoni, que diariamente leva para casa 80 a 90.000 kwanzas. Pelas vendas das caixas da Movicel ganha 2.000 Kwanzas enquanto que pelas da Unitel lucra 3000. O vendedor revelou-nos que não tem contrato com as duas redes de telefonia móvel mas recebe os cartões de um distribuidor oficial, a quem presta contas e recebe a sua parte do lucro por caixa. No momento da nossa reportagem surgiu o fornecedor de Estoni, que se identificou como Francisco, de 45 anos. Ele  contou-nos que faz este trabalho há 12 anos e que tem uma empresa com contrato de distribuição com as duas operadoras do país. Por dia Francisco consegue distribuir 10 caixas de recargas, tanto da Movicel como da Unitel. O sucesso do seu trabalho, explicou, depende da estratégia de venda que passa pela venda no mercado informal.
Já Bernardo João, 40 anos, morador do bairro Uíge, é um dos vendedores que há três anos optou por este tipo de negócio. Explica que faz este negócio por falta de emprego e que consegue os cartões das mãos dos homens que têm contrato com as redes de comunicação da Movicel e da Unitel. Preocupado com o futuro do negócio, lamentou que alguns vendedores estrangeiros que estão no negócio e em força, vendem os cartões a crédito, por 1000 kwanzas, com uma moratória de quatro dias. Ele considera que este tipo de venda prejudica os outros comerciantes.
A procura por cartões de recarga na rua é grande principalmente para aquelas pessoas que precisam fazer chamadas com urgência mas estão distantes de uma distribuidora, contudo, em alguns casos os clientes são burlados. João Cassule, por exemplo, contou que já comprou um cartão de recarga inativo e quando voltou para reclamar, o revendedor disse que não tinha nada a ver com a situação e perdeu o dinheiro.

UNITEL E MOVICEL ATENTAS A QUESTÃO - Esta situação preocupa as operadoras de telefonia móvel do país. No caso da UNITEL, o director de Atendimento ao Cliente, Humberto Mbote, referiu a Figuras & Negócios que a empresa tem conhecimento de algumas situações de revenda de recargas por agentes não credenciados mas garantiu que estão a trabalhar “no sentido de garantir um maior controlo da situação”.
“Uma das prioridades da Unitel tem sido a expansão da sua rede de agentes, que cobre actualmente todas as províncias de Angola. Isto permite-nos ter um contacto mais próximo e personalizado com o cliente, contribuindo para um serviço completo e eficaz”, acrescentou. Todos os agentes têm um vínculo formal com a Unitel, que os obriga a um conjunto de requisitos entre os quais ter um alvará comercial, explicou Humberto Mbote.
Diante desta realidade, como é que os revendedores ilegais obtêm os cartões? O Director de Atendimento ao Cliente da Unitel explica que é um processo em cadeia: os agentes vendem as recargas telefónicas a subagentes e estes, por sua vez, a outros intermediários.
“Sem dúvida, esta é uma situação de difícil controlo e que preocupa a Unitel. Estudos estão a ser feitos cuidadosamente a fim de se equacionar a melhor estratégia para contrapor a situação actual, uma vez que a Unitel não encoraja a comercialização de produtos Unitel nas ruas”, frisou.
A Unitel dispõe de um Call Center disponível gratuitamente, 24 horas por dia, para que os clientes possam obter informações e apresentar as suas reclamações, sendo também possível fazê-lo directamente nas suas. Segundo Humberto Mobote, tem chegado a empresa reclamações em relação a cartões de recarga comprados na rua “embora não se trate de um número significativo”.
Para dissuadir a venda dos seus cartões de recarga na rua a Unitel passou a credenciar os seus agentes com um cartão personalizado ao qual está associado um código PIN para garantir uma maior segurança. “Temos obtido resultados positivos pois mais de metade dos nossos agentes activos já possuem este cartão. Desta forma, conseguiremos assegurar que exista uma maior responsabilização por parte de todos os agentes revendedores dos produtos Unitel”, referiu ainda o director de Atendimento ao Cliente da empresa.
Por seu turno, do Departamento de Comunicação, Imagem e Marca da Movicel, que enviou-nos respostas através da sua responsável, Tânia Jardim. Ela disse que a empresa possui parceiros que compram e revendem os seus produtos devidamente cadastrados e portadores de contrato de parceria de acordo com os requisitos exigidos por lei. “Todos os nossos parceiros cedem documentação que indica uma morada de comércio”, referiu.
Quanto as reclamações, o departamento de Comunicação, Imagem e Marca explica que a empresa solicita a todos os clientes que reclamem de cartões que forneçam a factura para que seja possível solucionar a questão apresentada mas realçam que aconselham sempre os seus clientes a adquirir os produtos em pontos de revenda autorizados e a solicitar a emissão de factura.

DECRETO DETERMINA ACTUALIZAÇÃO DE DADOS- Tendo em conta que existem muitos números em nome de terceiros uma vez que os vendedores ilegais também vendem números de telefone, em Janeiro de 2014 foi publicado em Diário da República, um Decreto que determina, no caso dos utentes já existentes, que todos os prestadores de serviços de tecnologias de informação e comunicação e seus agentes devem no prazo de 30 dias, proceder a activação e emissão de segundas vias dos contratos para os seus clientes e, no prazo de 180 dias, iniciar a actualização da base de dados, mediante um documento de identificação válido. Integram a comissão que a essa altura já concluiu os seus ......, quadros do Ministério das comunicações, INACOM, Ministério do Interior, Polícia nacional e as operadoras UnitelL, Movicel e Angola Telecom

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