ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
6 de maio 2017 - às 06:29

VALORIZAÇÃO DA PRODUÇÃO INTERNA

Um dos principais temas de destaque internacional é a questão do petróleo como recurso estratégico fundamental ao dispor dos estados. As perspectivas para economia nacional em 2017 estão associadas como um ano difícil face a baixa do preço do petróleo que se situou perto dos 46 USD. Esta queda acima dos 70% do preço do petróleo fomenta tensões nos mercados internacionais principalmente nos países produtores desta matéria  prima

 

Este panorama teve impacto na economia nacional com a diminuição da despesa fiscal total em cerca de 27%, depreciação do Kwanza face ao dólar norte-americano em cerca de 35%, aumento da inflação que se situou nos 40% e um défice fiscal de 5,8% do PIB. Para suprir o desequilíbrio orçamental, o governo propôs a financiá-lo  através de desembolsos provenientes de financiamentos internos no valor de  KZ 1.660.166.629.268,00 e externos no  valor de KZ 1.564.423.416.557,00 ou seja, cobrir o défice através da divida pública.

Com este cenário é prioritária a introdução de medidas de austeridade tendo conta o equilíbrio do orçamento público, mas sobretudo, que se implementem estratégias de ajustamento estrutural e de fortalecimento da produção interna para fazer face à situação de crise. Assim, a alteração de um modelo de desenvolvimento excessivamente focado na importação de matérias primas e bens de consumo, deve dar lugar, à criação de um paradigma baseado na eficiência dos factores de produção interna.

É certo que deverá operar melhorias de custos de contexto, e melhoria das condições de investimento, uma vez que persistem constrangimentos operacionais de vária ordem que reduzem a competitividade interna de várias indústrias. A questão dos custos associados ao fornecimento de energia e água, continuam a ser o “calcanhar de aquiles” de vários projectos industriais, custos esses que são repassados ao cliente final, deteriorando de certo modo, o poder de compra dos cidadãos.

 A aposta na agricultura a nível nacional deve ser decisiva com propósito de atrair grandes indústrias, empresas multinacionais, indústrias químicas e genéticas, que investem, criam valor e lucros, com a actividade do agro-negócio, transformando alimentos e água em produtos altamente competitivos direcionados aos mercados internos e externos. Angola pelo potencial agrícola que possui, está em condições de desenvolver esse tipo de indústrias.  

Recentemente, um estudo realizado a nível mundial, envolvendo vários países africanos, concluiu que Angola ocupa a 16ª posição com maior potencial agrícola, mas apenas 3% da terra arável está cultivada. Daí que deve ser dada maior importância ao sector agro-industrial, como mola propulsora do desenvolvimento socioeconómico. 

O aumento da participação do sector agro-pecuário transformador no PIB angolano, será certamente a melhor forma de garantir a sustentabilidade da economia e redução da dependência externa, face a importação de produtos agrícolas, bem como, a eliminação das distorções causadas pela volatilidade do preço do petróleo bruto no mercado internacional.

O investimento agrícola inclui não só o investimento em capital  físico, mas também humano, social e em recursos naturais, os baixos níveis de investimento no sector agrícola podem comprometer o crescimento sustentado e a segurança alimentar.

Nesta perspectiva, uma das razões do fraco desempenho do sector agrícola no país deve-se ao desinvestimento físico institucional e no capital humano. É preciso ter em conta que o desenvolvimento da agro-indústria e em particular do sector agrícola, deve ter em conta três vectores essenciais, o primeiro  prende-se com a afectação significativa de recursos financeiros, quer públicos (infra-estrutura) quer privados, aposta significativa nos recursos humanos,  investimento e introdução de tecnologias que permitam aumentar  o rácio de eficiência dos factores de produção. 

Esta meta deve ser encarada como uma oportunidade para avaliar e rever as principais políticas públicas de apoio ao desenvolvimento no geral, e do sector agrícola em particular. Devemos articular as políticas de forma a corrigir os desequilíbrios existentes, causados pelo défice alimentar e assegurar aos mercados o abastecimento regular dos géneros alimentícios.

Hoje, não há dúvida que o desenvolvimento socioeconómico depende da evolução agrícola, que deve ser a principal alavanca de sustentação da economia  do país.

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano, tem havido ao longo dos últimos anos, uma melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na região do hemisfério sul. A melhoria do índice, prende-se com os bons resultados alcançados sobretudo nos indicadores ligados á frequência escolar, esperança média de vida e aumento da renda per capita. Porém, o referido relatório aponta para o aumento do índice de desigualdade social nesta região, face ao hemisfério norte, e existem ainda outros aspectos críticos que devem ser rapidamente dissipados, como a fome e a insegurança alimentar. No entanto, verifica-se que o crescimento do sector agrícola em muitos países, tem crescido a uma taxa muito aquém dos 10% ao ano.

 O binómio pobreza e insegurança alimentar estão hoje na génese do atraso a que o continente africano está relegado, e cabe, reduzi-los significativamente, senão eliminá-los. A valorização da agricultura é um sinal interessante que denota uma alteração de visão quanto a importância do sector agrícola para o desenvolvimento económico. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital