RECADO SOCIAL

 
6 de October 2020 - às 06:40

USD 900 MILHÕES? BOA SORTE SACANA!

Novecentos milhões de dólares é a quantia que o indivíduo depositou no exterior do país, surripiada de uma empresa  criada e financiada com dinheiro público, do Estado, dos contribuintes, que até viam no indivíduo um empreendedor premiado,  com “ficha limpa”, cara de “quem-nem-consegue-enxotar-uma-mosca”, como alguém do Bairro Popular de Luanda o caracterizou.

 

Embora nas redes sociais  houvesse um tímido estardalhaço por conta de mais um escândalo financeiro que envolveu mais uma figura pública, a verdade é que a sociedade em geral recebeu a notícia da roubalheira milionária com mais um encolher de ombros; um faz-de-conta que não ouviu, nem leu nada que fosse surpreendente.Enfim, foi mais um filme protagonizado por um daqueles chicos-espertos encostados ou protegidos pelo anterior regime que, este sim, fez tudo para afogar em mágoas, pobreza e má fama um país inteiro.

Da Suíça chegou mais uma “bomba” que envergonha a todos os homens e mulheres que tudo fizeram para que este país fosse visto, no mínimo, como tendo um governo  liderado por gente honesta e com quem se podia conversar, negociar, assinar acordos, emprestar dinheiro ou investir. Tal não aconteceu no passado e, mais uma vez, Angola está na boca do mundo pelos piores motivos. Na óptica do observador comum, o escândalo da roubalheira em que é acusado, pelas autoridades suíças, um indivíduo próximo ao clã do antigo Presidente e Fundador da Nação, Agostinho Neto, foi apenas “mais um” a se juntar a centenas praticados por mafiosos que tinham um enorme cobertor oferecido pelo poder, sem o qual jamais ousariam transferir centenas de milhões de dólares em benefício próprio e dos seus familiares.

Novecentos milhões de dólares é a quantia que o indivíduo depositou no exterior do país, surripiada de uma empresa  criada e financiada com dinheiro público, do Estado, dos contribuintes, que até viam no indivíduo um empreendedor premiado,  com “ficha limpa”, cara de “quem-nem-consegue-enxotar-uma-mosca”, como alguém do Bairro Popular de Luanda o caracterizou.

Resta uma investigação judicial séria provar se, ao longo de todo este tempo da nova governação, nada se sabia sobre o roteiro encetado pelo indivíduo que liderou uma empresa seguradora financada pelo Estado que, curiosamente, fazia concorrência a outra empresa pública do mesmo ramo, também criada com dinheiros do Estado. 

Um indivíduo que envia somas de tamanho quilate para outros cofres, provavelmente com ramificações a dezenas de paraísos fiscais, bancos suspeitos e outras plataformas que só a máfia conhece, claro que não pode fazer as coisas sozinho, sem protecção ou  fortes ajudas de advogados, empresários de peso nacionais e estrangeiros, banqueiros de prestígio que dominassem o esquema dos saques que afogou o país durante os longos trinta e oito anos. Não pode, não seria possível que não houvesse cumplicidade de gente “grande” nestas negociatas todas que num certo tempo deixou o Tesouro do país com apenas vinte milhões de dólares  e um punhadio de divisas para supiortar apenas três meses de importações de produtos alimentares.

Com mais este escândalo, já se sabe para onde foi grande parte do  dinheiro  que o país devia gastar para que milhares de pessoas não passassem fome,não tivessem falta de escolas e hospitais, assistência médica e medicamentosa, boas estradas e habitações.Chegou a hora de recuperar imediatament estes activos roubados, com tiques de gatunos sabichões,cínicos e mutiladores de sonhos. Eles mesmo que sempre se predispuseram a liderar a tal luta da “pimpa” contra a corrupção, felizmente começam a ser descobertos como fazendo parte de uma realidade nua e crua: estas fortunas, conforme atesta um artigo publicado no site “Outras Palavras”, integram os cerca de 10% do valor da produção total de todas as economias do mundo  que se encontra depositada  em centros financeiros offshore (isto é, com contabilidade feita fora das fronteiras do país onde operam). Will Fitzgibbon e Ben Hallman, autores do artigo, concluem: “o custo para os governos, em receita perdida, é calculado em mais de 800 bilhões de dólares ao ano”.Pois é. Neste montante sujo, mais um angolano contribuiu com cerca de novecentos milhões; mais um “pobrezito”, que, pelo menos até ao momento em que se escrevia estas linhas, ainda não se tinha pronunciado sobre o assunto e que, por isso mesmo, nos escusámos de citar o seu nome de santinho. Boa sorte, sacana!!!  

 

Carlos Miranda

carlosimparcial@gmail.com.

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