PAÍS

 
3 de abril 2018 - às 07:01

DAS NOTÍCIAS DRAMÁTICAS AOS “CALMANTES” OFICIAIS ERA UMA VEZ UM SATÉLITE DESAPARECIDO

Horas depois de ter sido lançado, a imprensa internacional anunciou que na Rússia perdeu-se o contacto com o Angosat. As informações foram avançadas sucessivamente por canais de informação da Rússia,pela AFP, que divulgou uma interrupção "temporária, com perda de telemetria" e pela Euronews, que foram logo retomados pela imprensa portuguesa

 

A Rússia perdeu o contacto com o primeiro satélite angolano de telecomunicações Angosat, lançado (no dia 26 de Dezembro) do cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, segundo uma fonte espacial russa”, divulgou o Diário português de Notícias.

“Receia-se um novo revés um mês após a perda de um outro aparelho. O contacto cessou temporariamente, perdemos a telemetria", indicou a mesma fonte à AFP, dizendo esperar restabelecer o contacto com o satélite”, lia-se no “despacho” do DN.

Em Angola, a notícia caiu como uma bomba e teve um impacto muito forte nas redes sociais, que de repente se transformou num “depósito” de descrença, frustrações e desapontamento por parte de milhares de internautas nas mais diversas plataformas digitais.

Entretanto, directamente da Rússia, os enviados da imprensa nacional desdobravam-se em contactos para tornar possível o envio de despachos informativos a partir de uma das partes mais interessadas no sucesso da missão espacial. 

Num destes “despachos”, Honorato Silva e Edivaldo Cristóvão, ambos  do Jornal de Angola, a partir de Moscovo, exactamente no dia 28 de Dezembro, escreveram que a perda da comunicação registada um dia antes, entre o satélite angolano Angosat1 e as estações de controlo de Baykanour, no Cazaquistão, e Rovobono Sport, na Rússia, é considerada “normal”, previsto no protocolo de activação do engenho.

“A informação foi avançada pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, em Moscovo.

Em declarações aos jornalistas, na capital russa, o titular do pelouro desvalorizou os cenários criados no sentido de um eventual prejuízo, por se tratar de um acontecimento “normal” em processos do género.

O ministro prestou estas declarações depois de a Rússia ter anunciado a perda do contacto com o Angosat1, lançado terça-feira”, lia-se na notícia.

Segundo o governante angolano,  

“é normal que as pessoas estejam preocupadas e queiram ter acesso a informações concretas. Fomos informados, pela equipa que está na estação de Baykanour, que o satélite está na sua base orbital. Precisamos, agora, das próximas 12 ou 14 horas, para que os engenheiros possam concluir com exactidão o que se está a passar, com recurso à observação microscópica. Deste modo, será possível determinar que comandos enviar para o engenho”.

 Citando ainda o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação. 

O ministro aventou a hipótese de se tratar de um problema relacionado com os painéis solares ou do seu alinhamento com o sol. Mas isso o que vai determinar são as observações feitas pelos engenheiros. “Portanto, não há razões para alarmes. É normal que haja preocupação, visto ser a primeira vez que Angola entra para o domínio espacial”.

Especialistas dizem que a recuperação de um satélite parece difícil, mas não é impossível. 

Em 2010, a JAXA perdeu controlo sobre o satélite Akatsuki, que faria estudos na órbita de Vênus. Cinco anos depois, a Agência Espacial Japonesa retomou contacto com o satélite e o recuperou, colocando-o na órbita venusiana, lembrou os enviados do Jornal de Angola,  a partir de Moscovo, acrescentando que, até hoje, já foram efectuados milhares de lançamentos desses corpos ao espaço, mas a maioria já está desactivada.

Governante reage- Um dia depois de terem sido veiculadas notícias, segundo as quais o satélite estaria “desaparecido” na órbita e “incomunicável”,o Secretário de Estado para as Telecomunicações e Novas Tecnologias de Informação, Manuel Homem, desmentiu as informações que davam conta do desaparecimento do primeiro satélite Angosat, lançado um dia antes a partir do Cazaquistão, confirmando, sim, que o aparelho  entrou em órbita com sucesso, e que   estaria em  “estado de prontidão” horas depois.

Mais dramática foi a notícia publicada pelo Sputnik, site russo, que, para além de se ter perdido o contacto com o engenho, dava mesmo conta de poder vir a ser reconhecido como “inoperante”.

Entretanto, horas depois, a mesma plataforma digital  reconheceu que uma “outra fonte” revelou-lhe que  os especialistas esperam recuperar o contato perdido com o satélite angolano em 11 horas. "Ainda há esperança de que o contato com o aparelho seja recuperado. Temos aproximadamente 11 horas para que isso aconteça", comunicou-se.

No meio de tanta (des)informação, em Angola  as horas foram passando e as dúvidas quanto ao “paradeiro” e o estabelecimento das comunicações foram se acirrando.

Pelo meio , dados foram lançados sobre os seguros previstos, caso o satélite se constituísse em mais um  dos milhares amontoados de “lixos espaciais”, facto que provocou outra polémica, uma vez que o investimento feito de cerca de 320 milhões de dólares, ficava muito aquém do estabelecido no acordo/contrato de seguros (pouco mais de 120 milhões de dólares). O Angosat está segurado na SOGAZ e na Insurance Company VTB Insurance, revelou à Interfax.

"No momento, não temos dados oficiais sobre o destino do satélite, mas podemos descobrir as circunstâncias da situação, até agora só posso confirmar as informações sobre o contrato de co-seguro com acções de 50 a 50 por US $ 121 milhões", disse Alexei Gusev, porta-voz da Sogaz.

Em Angola, para gáudio de quem esteve a acompanhar “com o coração nas mãos”, as autoridades confirmaram a localização do  primeiro satélite angolano em órbita. “O satélite fez o seu percurso normal, está na órbita para o qual foi planificado (...) temos sob controlo o satélite" - sublinhou na altura Manuel Homem.

Por outro lado, vale a pena ler o que escreveu no facebook (é público,é de interesse público…), o engenheiro Aristides Lemba: “qualquer aluno do terceiro ano de telecomunicações, mecatrônica ou electrónica, sabe que a perca da telemetria não significa perca total de comunicação”.

Para si, a telemetria é uma espécie de comunicação feita em dois sentidos numa única via, na fase transitória é normal ser possível apenas o envio de comandos e não receber dados, isso acontece na maioria das vezes devido a queda de tensão resultante do aumento da distância de transmissão, e para o melhor funcionamento do sistema opta-se por usar a via pra comandar o sistema e abdicar de receber dados, basta ajustar os parâmetros pré-definidos para novos parâmetros i.e fazer um “ booster” na tensão que o sistema volte a transmitir os dados novamente. Rematando,“(…) alguns engenheiros da banda têm de repetir cadeiras de electrónica digital e sistemas de transmissão. Está tudo bem com o nosso satélite ". 

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