MUNDO REAL

 
28 de fevereiro 2016 - às 13:56

UM PROBLEMA PROFUNDO QUE EXIGE UMA SOLUÇÃO ENÉRGICA

Temos que olhar o drama da violência sexual de frente e combater energicamente este problema, não podemos ficar pelos discursos diante de uma situação tão preocupante e que afecta tantas famílias. 

 

Diariamente ouvimos relatos de casos de violação sexual, incluindo de menores de 12 anos, crianças ainda em tenra idade que deveriam merecer total protecção da sociedade. A última história que ouvi, através de uma das estações radiofónicas do país, referia-se ao caso de uma menina que foi violada pelo avô. Chocante!

Este assunto é tão grave que a Polícia Nacional chegou a reconhecer publicamente que estamos num ponto em que diariamente se registam pelo menos dois casos de violação sexual e estes dados estão aquém do real pois sabemos que em muitos casos, que ocorrem no seio familiar, as pessoas preferem simplesmente ocultar, prejudicando gravemente as vítimas.

Dados divulgados pelo Ministério da Família e Promoção da Mulher revelaram que só no primeiro semestre de 2015 foram registados 716 crimes de violência doméstica, dos quais 519 de violação sexual, sendo 177 de menor de 12 anos.

Os relatos são diários e chocantes mas, para mim, é chegado o momento de agir, agir contra esta onda de violações, agir pela protecção das pessoas em risco e para ajudar as vítimas deste drama que marca a pessoa agredida para toda a vida. Combater o problema da violação exige, em primeira instância, identificar as suas causas para que não se faça uma abordagem superficial. 

Na abordagem desta questão um dos pontos que deve merecer atenção é o facto de que a criminalidade no nosso país, especialmente em Luanda, é cada vez mais preocupante, atingiu níveis exasperantes. Para as pessoas que vivem nos bairros suburbanos, em meio a ruelas e becos, sem energia eléctrica, em que quando a noite cai o breu toma conta do ambiente, em que não há esquadras, enfim, a população está completamente entregue a sua sorte. Neste contexto todo o tipo de crimes, incluindo o de violação sexual, podem acontecer.

O melhor seria evitarmos os crimes mas quando acontecem o ideal seria que as autoridades punissem exemplarmente os agressores, contudo, devido aos crónicos problemas no que toca a actuação dos postos policiais aliado a morosidade processual os agressores acabam soltos pouco tempo depois e em alguns casos nem sequer são detidos, resultado: voltam para a cena do crime e ameaçam as vítimas e suas famílias. 

O grande perigo das falhas no que toca a punição dos agressores é que se gera um clima de impunidade mediante uma equação simples: crimes, agressores soltos, repetição do mesmo tipo crime. A cobertura dos meios de comunicação social, na maior parte dos casos, não ajuda porque apresenta dos casos, relata os crimes mas não faz o seguimento, não questiona as autoridades sobre o processo e nem faz cobertura dos julgamentos resultando também numa equação simples: crimes relatados, ausência de notícia sobre punição, crimes repetem-se porque potenciais agressores não são desencorajados.

Outro ponto que também deve merecer reflexão prende-se com o atendimento multidisciplinar às vítimas. As pessoas afectadas por este problema deveriam receber apoio psicológico (que se podia estender as famílias) e atendimento médico para que pudessem ao menos aprender a viver depois do sucedido.

Temos que olhar o drama da violência sexual de frente e combater energicamente este problema, não podemos ficar pelos discursos diante de uma situação tão preocupante e que afecta tantas famílias. 

É tempo de dar um passo em frente.  

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