RECADO SOCIAL

 
23 de dezembro 2015 - às 08:04

UM MURRO NO ESTÔMAGO DOS POBRES

Fiz umas contas muito mal feitas e concluí que provavelmente temos um registo de dois mil e trezentos políticos com dinheiro suficiente para aliviar essa crise chata, incompreensível para alguns e malandra para muitos.

 

Por incrível que pareça, existe uma grande legião de políticos de pelo menos duas gerações. Tiveram a oportunidade de lutar pelo país e mesmo que qualquer um deles estivesse na trincheira para defender a sua causa, fê-lo com dignidade.Claro que refiro-me aos bons mais –velhos.Dos maus prefiro pura e simplesmente ignorá-los (não consigo)porque, na hora da verdade, de defesa dos nobres ideais de defesa dos seus princípios, sempre o fizeram deslizando sem pudor e decência para a ladeira do individualismo primário e meio malandro, enfim, sempre a pensar que seriam os “donos disto tudo”. 

Uns conseguiram atingir os seus objectivos, outros partiriam para sempre sentando-se ao lado de direito de uma divindade qualquer que a maior parte desconhece. Outros políticos viraram de cartilha ideológica, transformaram as arenas de maus vícios comunistas, maoistas ou nem tanto à esquerda nem à direita,  em locais de conversão religiosa que da imagem do senhor lá de cima nada têm. São os líderes morais que, uma vez chegada a altura de mostrar o seu lado generoso e bonzinho, investiram forte e foram esquecendo os momentos horríveis em que,sob sua orientação esperta, foram capazes de  “produzir” uma massa enorme de gente predisposta a pagar o dito dízimo mesmo sacrificando a família. 

Fiz umas contas muito mal feitas e concluí que provavelmente temos um registo de dois mil e trezentos políticos com dinheiro suficiente para aliviar essa crise chata, incompreensível para alguns e malandra para muitos. Mas o que mais me chateia é o facto de que, mesmo sendo sócios de algumas empresas, cujo nome juro que não sei e não me interessa,passam o tempo todo de costas viradas. Minto; umas horitas são suficientes para  contabilizar os rendimentos e cada um vai à sua vidinha, depois  de tomarem uns copos na primeira loja da esquina da rua da sede parlamentar. Reina a desconfiança, um espírito de trair para melhor aproveitar a ocasião e o país vai girando à volta de discussões hipócritas sobre o estado lastimável da nação, sem que se chegue a uma conclusão simples: entre continuar a dar um murro no estômago do cidadão comum e aliar-se ao cinismo permanente existente entre os políticos há que escolher.

Acontece que os políticos superaram-se num sentido único ao longo dos anos. Apertaram as mãos quando lhes apeteceu; sonham todos juntos para que os donos dos poços mundiais de petróleo e detentores da verdade e da mentira dos preços tenham dó;  desejam que sejam estabelecidas as antigas regras subsidiárias; rezam para que a sociedade civil compreenda  o quadro, se sacrifique, sofra e faça  outras escolhas que não o grito de indignação diante de um quadro que embora não atingindo o caos não  está longe deste estádio. 

Ora bem, vendo mal o orçamento geral do Estado previsível para este ano, estima-se que os mesmos que elevaram a fasquia dos seus rendimentos ao longo dos anos (sem prestarem contas de espécie alguma), continuam a usufruir os mesmos privilégios acobertados por um suposto manto estendido pela nobreza instalada. Não interessa que os preços do bendito crude se elevem a valores concordantes com o volume das despesas sociais que o Estado deve suportar, pois os nossos santos políticos continuam a investir forte noutros países.

Enquanto isso, no seu próprio país morrem por dia de fome os seus parentes , clama-se por melhor justiça social e um salário mínimo para os que têm a sorte de ter um emprego precário que apenas consegue sustentar uma refeição diária magra.Enquanto isso, as pessoas  exigem, no meio de um silêncio assustador, que lhes expliquem melhor o que realmente se passa no país, rezam para que alguns destes milionários retirem da sua farta bolsa um dízimo, no sentido de acudir os mais debilitados pela crise criada principalmente a nível das empresas públicas preguiçosas e mal geridas .P.S.- Por defeito propositado, preferi mesmo tratar os empresários suspeitos por “políticos”. Provavelmente porque, por falta de confiança e credibilidade, não autentico a sua postura diante da crise…

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