CULTURA

 
28 de junho 2016 - às 08:02

TROPICAL BAND DE VOLTA AOS PALCOS

Depois de terem sido convidados para o Festival Tropical de Zouk em Moçambique, o maior festival que existe a nível daquele país africano, o grupo Tropical Band, adormecidos há mais de quinze anos, decide voltar aos palcos.

A volta do grupo será marcada por um espectáculo a acontecer numa discoteca na Cidade de  Lisboa, no final do mês em curso.

E para frente, os “meninos” dos anos 90, que provavelmente trazem o seu disco The best para esse ano, dizem que agora, pretendem ser mais selectivos e cautelosos com os seus trabalhos, mas nunca saindo do foco inicial.

Os autores de sucessos como “Meia noite” e “Mwangolé”, garantem que de maneira alguma pretendem cair para a rotina, mas lutar para um lugar no coração das novas gerações, assim como marcaram uma geração mais antiga. Uma pequena entrevista com Hernani Lagrosse, um dos integrantes do grupo, põe-nos a par de todas as novidades... 

 

Figuras & Negócios (F&N)- A que se deveu o desaparecimento dos Tropical Band?

Hernani Lagrosse (HL) - Sendo verdadeiro, parámos naquela fase em que apareceu a RTP Á​frica, e que na altura éramos muito assediados a nível da televisão portuguesa. Como a RTP Á​frica canalizou esta audiência, e nós sempre fomos mais ouvidos pelo público português, a nossa e toda a música africana feita em Portugal começou a ter pouca promoção, porque boa parte do​ nosso público não via a RTP África. Foi também a altura em que os membros do grupo começaram a constituir família, e a ter menos tempo para a banda.

F&N - O que os membros do grupo estiveram a fazer durante este tempo?

HL - Eu pessoalmente andei a fazer algumas produções e gravações em estúdio. Fiz também trabalhos noutras áreas, nomeadamente fotografia e vídeo; e estou integrado ao grupo de músicos que acompanha o cantor Bonga Kwenda. No que respeita aos outros membros, o Ciro Cruz  está em Angola, e a trabalhar no sector de águas; o Rui Pereira está cá em Portugal também e ligado a uma empresa de segurança; e o Belito Campos é que não se afastou do ramo, esteve a fazer uma carreira a solo, cá em Portugal.

F&N - O que é que foram os Tropical Band, nos anos 90?

HL - Considero que fomos uma banda de referência da música angolana, com influência da música antilhana, que na altura tocava muito.

Éramos muito jovens e recém chegados de África. Chegados a Portugal tivemos outras influências, mas trabalhamos nomeadamente no estilo Kizomba. Estivemos no mercado entre doze e quinze anos, e ao longo deste tempo e em sete discos, fizemos apenas dois sembas, duas ou três salsas, três ou quatro afro baladas, e o resto foi kizomba.

F&N - O que se pretende fazer diferente agora, em que o mercado musical está muito mais competitivo?

HL - Independentemente do mercado estar mais competitivo, com a idade de agora,  temos a obrigação de ter mais cuidados a nível do que vamos escrever, é um facto, para além de defendermos mais a nossa cultura africana.

F&N - Os Tropical Band, pensam ​que conseguem?

HL - Claro que sim! Temos a certeza que conseguimos entrar para este mercado competitivo e fazermos imperar o que fomos, e que na verdade achamos que não deixamos de ser.

F&N - Não vos parece bem que antes do “The best” se fizesse um outro CD de apresentação ao público, para marcar o recomeço?

HL - Sendo nós um povo muito saudosista, e tendo certeza de que a geração que se habituou a ouvir-nos,​ aceitaria muito bem, preferimos que seja agora o The best. Mas é claro que pretendemos acrescentar a ele dois os três temas novos.

F&N - Nos novos temas, trazem aquilo que o público se habituou a ouvir dos Tropical Band (kizomba, nomeadamente), ou pensam navegar para outros estilos musicais?

HL - Outros estilos, não. Mas passados estes anos todos, como disse, pretendemos apenas fazer melhor. E ir um pouco mais à​ raiz da nossa música.

F&N - Como foi a vossa participação no Festival de Zouk, em Moçambique? Como sentiram a aceitação do público?

HL - Após todos esses anos, já sentíamos ​saudades do palco. E voltar ao palco foi como que voltar ao nosso verdadeiro mundo.

A aceitação foi boa, embora muita gente da nova ​geração não conheça a nossa música. Mas sentimos a boa ​reacção por parte das pessoas que fazem​ parte da nossa geração, e a grande saudade que eles demonstraram.

F&N - Parece que agora o grupo, conta com mais membros. É oficial?

HL - Sim, oficialíssimo. Temos agora mais quatro membros; dois sopristas e dois tecladistas. O Ciro não vai continuar a ser um integrante do grupo, e temos ainda um baterista novo, porque, como todos sabem, o Dinho é agora um baterista freelancer de muito sucesso, hoje, em Angola.

F&N - Como se quer o espectáculo agora do dia 30, que será a grande estreia do vosso renascer como grupo?

HL - Vamos fazer um espectáculo intimista, fazendo recordar as pessoas todo esse passado presente com os Tropical Band.

Também fazemos questão de surpreender a nova geração.

F&N - E a seguir, já têm agendados outros trabalhos?

HL - Não temos agendado nada ainda. Estamos mais focados no espectáculo de  reaparecimento, para então vermos que passos daremos a seguir.  

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