PONTO DE ORDEM

 
23 de agosto 2019 - às 08:52

TRIBUTO A MANDELA

Apesar de não se ter feito muito "estrondo mediático"sobre a efeméride, fica registado um facto aparentemente simples, mas significativo.No dia 18 de Julho não houve fogos de artifício, nem festas de arromba nos grandes salões da nobreza, mas se Mandela estivesse vivo, certamente agradeceria o gesto: na sua cidade natal , em Mvezo, na província de Cabo Oriental, no sudeste, foi inaugurada uma clínica.Agradeceria com a sua simplicidade,humildade e amor pelas crianças na sua procura incessante pela terra prometida, pela terra da liberdade, democracia e igualdade.

 

Angola foi um dos poucos países do mundo que não deverá ter feito o suficiente para homenagear o  "Mandela Day". Poder-se-á apresentar a mais completa argumentação sobre tão gritante "súbito esquecimento" ou " curta memória colectiva", mas não se deve admitir que se passe, de forma tão leviana, por cima de tal  efeméride. Foi como se o nosso país não fizesse parte do continente, da sua região austral e, sobretudo, não tivesse sido, também ele, um dos que mais se sacrificou para que a liberdade deste homem do mundo fosse um facto.Nem sequer isto fez com que certas mentes "adormecidas" pelo poder fétido e egos estupidificados parissem algumas ideias, por forma a recordar o legado de Nelson Mandela, um dos quais foi o de ter conseguido riscar do mapa um regime a todos os títulos   desumano e violento na região.

É verdade que se tenham registado alguns actos fugazes comemorativos do centenário do nascimento de Nelson Mandela. É verdade que os sul-africanos terão, no seu cantinho, homenageado um dos homens que mais lutou para que se libertassem do regime mais odiado do continente africano. É verdade que a União Africana terá feito alguns encontros sub-reptícios para lembrar a obra deste gigante que deixou um legado tão ou mais nobre do que dezenas, senão centenas de europeus, americanos ou asiáticos que fizeram a História dos Heróis destes e doutros tempos.

Também é verdade que, na SADC, alguns países recordaram o dia do nascimento de Mandela como mais um marco histórico calendarizado para festejá-lo com orgulho, honra e dignidade, tal como o fazem com outros dias importantes para as suas gerações mais jovens, pois sabem que se estas seguirem os exemplos de Nelson Mandela, o seu futuro estará certamente melhor preenchido com mais  acções benéficas  que prejudiciais.

Faço questão de recordar  a importância do "18 de Julho" como um dia em que todos nós, conscientes  da sua importância, nos devíamos  orgulhar, homenageando aquele que foi, sem dúvidas,  o africano que mais dignificou o continente-berço da humanidade.  "Actuem, inspirem-se na mudança, façam de cada dia um Dia Mandela", exortou há dias a fundação que leva o seu nome, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do primeiro presidente negro da República sul-africana.

Apesar de não se ter feito muito "estrondo mediático"sobre a efeméride, fica registado um facto aparentemente simples, mas significativo.No dia 18 de Julho não houve fogos de artifício, nem festas de arromba nos grandes salões da nobreza, mas se Mandela estivesse vivo, certamente agradeceria o gesto: na sua cidade natal , em Mvezo, na província de Cabo Oriental, no sudeste, foi inaugurada uma clínica.Agradeceria com a sua simplicidade,humildade e amor pelas crianças na sua procura incessante pela terra prometida, pela terra da liberdade, democracia e igualdade.

O sonho de Mandela não foi cumprido tal como desejava e neste ano em que se comemorou mais um aniversário do seu nascimento, urge recordar os objectivos pelos quais foi capaz de submeter o seu corpo e a alma a uma série de sevícias, às quais poucos poderiam suportar.

Está claro que,  25 anos após o fim oficial do Apartheid, a pobreza continua a fazer da vida dos sul-africanos um inferno; a economia está num sufoco e o racismo insiste em dividir a nação, provocando violentos conflitos internos. Mas, no meio de tanto desemprego  também provocado pela má  gestão dos imensos recursos naturais do país,  apesar do quadro económico e social funesto, um nome continua a servir de farol para que  se continue a lutar no sentido de fazer da África do Sul uma terra boa para que todos- negros, brancos e mestiços- possam viver em paz e harmonia, na igualdade de direitos.

 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital