MUNDO REAL

 
6 de abril 2017 - às 15:29

TEORIA DA FRAUDE ANTECIPADA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Em todas as eleições anteriores os partidos da oposição alegaram fraude, portanto, este é um assunto que “ensombra” os nossos processos eleitorais e é comum em todo o continente africano. No que toca aos eleitores angolanos entendo que este tipo de mensagem acaba por criar desinteresse nas eleições por parte da população visto que a ideia que fica é que independentemente do voto o resultado está ditado a partida. 

 

país caminha há passos largos para as eleições e já se nota o movimento dos partidos políticos na caça aos votos. Tendo em conta que o partido que governa mudou de rosto no que toca ao candidato a Presidente da República, que o maior partido da oposição tenta a vitória após ter perdido nos dois pleitos anteriores e que temos uma terceira força política que baralha as contas, no caso a CASA-CE, adivinha-se que essas eleições serão muito disputadas. 

Em jogo estão pelo menos 9 milhões de eleitores (a estimativa do Ministério da Administração do Território em termos de registo eleitoral), é esta população que precisa ser convencida no que toca as propostas dos partidos, são estes que precisam ser mobilizados para o voto no sentido de evitarmos os altos níveis de abstenção como ocorreu nas últimas eleições (37,23% de acordo com dados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral).

Chegados a este ponto importa abordar a questão da chamada “fraude antecipada” que muitos partidos da oposição têm referido fazendo denúncias de situações que dizem não estar a correr bem no que toca ao registo eleitoral e ao processo como um todo. Não vou aqui julgar o mérito das reclamações pois muitas são sustentadas por longos memorandos e factos mas penso que é preciso fazer uma análise do impacto deste tipo de posição nos eleitores.

Em todas as eleições anteriores os partidos da oposição alegaram fraude, portanto, este é um assunto que “ensombra” os nossos processos eleitorais e é comum em todo o continente africano. No que toca aos eleitores angolanos entendo que este tipo de mensagem acaba por criar desinteresse nas eleições por parte da população visto que a ideia que fica é que independentemente do voto o resultado está ditado a partida. 

Voltando a percentagem de pessoas que se abstêm nas eleições e porque a maior parte dos que não votam são os descontentes com a situação, continuar com o discurso da fraude antes do processo decorrer é desvantajoso para quem o faz. No meu entender é importante promover a confiança no processo, acordar os que optam por não votar, chamar todos às urnas. 

As reclamações devem ser feitas sim, a sociedade deve ter conhecimento das mesmas mas nesta fase devem ser encaradas como tal, como reclamações, sendo que a mobilização de todos os actores deve estar na adesão as eleições no sentido de que cada eleitor faça a sua escolha de forma livre.

Quanto a mim, pela avaliação que faço resultante da cobertura dos processos eleitorais anteriores o maior adversário dos partidos políticos da oposição em Angola são os altos níveis de abstenção e os votos nulos, ou seja, as pessoas que vão ao posto de voto para deixar o boletim em branco. 

Tal como já o fiz em artigos anteriores volto a frisar que a melhor opção para todos os angolanos com capacidade eleitoral é fazer a sua escolha no dia das eleições, não basta apenas tratar o cartão eleitoral, é preciso afluir as urnas e fazer a sua escolha. 

Decidir ficar em casa e não votar porque achamos que nada vai mudar não é solução. Os que decidirem votar vão escolher por nós, o partido que ganhar vai criar políticas e governar para todos.

Finalmente, espero que o processo eleitoral deste ano decorra com normalidade e que tenha uma participação massiva dos eleitores no sentido de Angola romper com o ciclo de maus exemplos em processos eleitorais em África.

Independentemente do que se possa pensar ou dizer o futuro de Angola está nas nossas mãos (de todos os angolanos).  

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