FIGURAS DO MÊS

 
2 de dezembro 2014 - às 14:45

TAÍS ARAÚJO JÁ NÃO TENHO VISÃO ROMÂNTICA DA VIDA

Bonita, simpática e grávida do  segundo  filho, a  actriz  faz  sucesso com o seu  novo  estilo de  cabelo afro e torna-se inspiração  para  as mulheres  negras no Brasil.

 

Antes de Taís Araújo partir rumo à festa de aniversário de gente famosa a reportagem de FIGURAS&NEGÓCIOS conseguiu conversar com essa bela e simpática actriz, num papo cheio de risadas. Ela falou de tudo: do cabelo afro à barriga da segunda gravidez. E ela é cheia de bons segredos!
Mãe e esposa dedicada, Taís Araújo, hoje com 33 anos,  emocionou-se ao falar do primeiro filho, João Vicente.
Sozinha numa mesa de canto, com óculos escuros e ligeiramente encoberta por trás do jornal espalmado à sua frente, a actriz Taís Araújo parece querer se esconder de alguém. Não é do assédio dos fãs, certamente, porque ela se encontra no restaurante de um hotel para  a  classe  mais  alta de São Paulo, cujos hóspedes costumam agir de forma comedida diante das celebridades. “Estou até sem coragem de sair para jantar”, diz ela, aos sussurros.
A razão do embaraço está sobre a sua cabeça. Na véspera, Taís havia passado a tarde num salão a testar novos visuais para a sua personagem na novela das 7, Geração Brasil. O cabeleireiro deixou os seus fios com um esquisito tom acobreado, que lembra refrigerante de laranja. Não por sadismo, mas porque as madeixas precisavam descansar das cores antigas antes da aplicação da nova tonalidade. “Mas vai melhorar”, dizia ela, brincando, com os cabelos amarrados num rabo de cavalo.
Um clichê sobre a maternidade diz que, quando nasce um bebê, nascem também um pai e uma mãe. Você concorda?
Ah, achei que fosse citar aquele de que as mães viram uma onça. Esse, sim, é uma mentira.
Por quê?
Falam: “Com o filho nos braços, a mulher se sente a mais forte do mundo”. Eu penso que, então, sou péssima! Na boa, não me sinto assim. A minha sensação, pelo contrário, é de impotência, porque não tenho como lidar com o imponderável, o que gera uma frustração gigantesca. Foi na análise que descobri que isso é da boca pra fora. O meu analista falou: “A supermãe é uma cilada, não existe isso de minha vida, meu filho”. É o que a gente pode ser, é dar o seu melhor, é estar inteira.
Há muita idealização em torno da maternidade?
Tem várias mentiras, passando pela amamentação. Convivi com pessoas que tiveram bebês, não conseguiram amamentar e enfrentaram uma cobrança terrível. Digo sempre: “Se não conseguirem, não alimentem essa frustração!”
Você passou por isso?
Coloquei na cabeça que tinha que amamentar. Minha mãe me amamentou até os 6 anos. Ia à churrascaria, comia picanha, arroz, feijão, batata frita e depois mamava no peito da minha mãe (risos). Insisti e amamentei exclusivamente até os 6 meses – e dou o peito até hoje. Também existe cobrança em relação ao parto. Há mulheres que não conseguem ter parto normal e passam meses chorando por isso.
Como foi o seu parto?
Foi cesáriana. Com sete meses de gravidez, fui visitar a maternidade e minha perna tremia. Fiquei muito nervosa. Liguei para a minha irmã, que é ginecologista e obstetra, e perguntei: “O que eu faço?” Ela respondeu: “Faça o que for melhor para você e seu filho”. Pensei que o melhor seria se ela estivesse comigo na hora do parto. Como mora em Brasília, o único jeito seria marcar a cirurgia. E foi muito bonito. Quando ela tirou o João, eu me lembro da voz dela dizendo: “Eu tenho cabelos” (chora).
O seu corpo mudou muito na gravidez e depois dela?
Muito, e para melhor. Tenho mais curvas, meu corpo é agora mais feminino. Pode ser que eu esteja me aceitando mais, que tenha coisas mais importantes com que me ocupar (risos). Não tenho tempo para me preocupar com celulite. E não tive problemas com a minha barriga – claro que, se eu abaixar, ela faz “tchum”, pra frente. É barriga de mãe, né? Não dá para comparar com a de uma menina de 20 anos que nunca teve filhos.
Você está com 33 anos. Às vezes tem crises do tipo “não sou mais uma garota”?
Penso nisso, mas não como um martírio. Mudei muito dos 20 para os 30, especialmente no que se refere ao comportamento. Eu era muito eufórica, animada, otimista. Agora não tenho mais uma visão romântica da vida e acho que é reflexo da maturidade. Não existe mais aquela coisa de “tudo vai dar certo”. Os problemas estão aí, temos que encará-los. A vida não é um mar de rosas.
Na novela, você vive uma jornalista, num momento em que as relações dessas profissionais com os patrões passam por mudanças no Brasil. Você pensa que, como se diz por aí, estamos mais próximos do padrão de valorização desses serviços dos países desenvolvidos?
Estamos nos aproximando desse modelo. Mas, ao mesmo tempo, não temos uma estrutura que nos permita abrir mão de uma pessoa trabalhando diariamente na nossa casa. A grande diferença é que, agora, as meninas são mais esclarecidas e têm outras opções – podem trabalhar em lojas de shopping, fazer faculdade. Não estão mais condenadas a repetir o modelo de vida da mãe. Penso que este é um momento importante para o país. A única coisa que me preocupa é que economicamente estamos a ir bem, mas não vejo o mesmo avanço na educação.
Já que tem um olhar crítico sobre o país, qual sua opinião sobre a presidenta Dilma Rousseff?
Acho essa mulher incrível, séria e trabalhadora. Eu, meus pais e minha irmã sempre tivemos uma estrutura econômica forte, mas todo o restante da minha família, não. Não preciso olhar longe para ver que a vida melhorou para quem tinha de melhorar.
E aquele clichê de que nasce a mãe junto com o bebê? Você não respondeu.
Antes de os filhos nascerem, somos cheios de teorias; depois nos perguntamos onde elas foram parar. Mas estou realizada. Não quero nada, só fazer meu trabalho da melhor maneira possível e voltar para casa. Minha única reclamação é que gostaria de ter mais tempo para ficar com meu filho. Fora isso, estou feliz.

ABRINDO O CABELO-“Foi o Wilson Eliodorio que me ensinou a mexer no meu cabelo. Ele me convenceu a não passar mais relaxante, coisa que sempre fiz, desde adolescente.
No fim da novela Cobras e Lagartos [em 2006] eu estava com o cabelo loiro e há muito tempo sem fazer relaxamento. Foi nessa época que me aproximei do Wilson. Ele me disse que se eu botasse uma tinta e desistisse da química meu cabelo ia ficar lindo. Descobrimos juntos que ele adora tintura! Ela amolece o fio e o cacho fica mais aberto.
Foi aí que cortei tudo e usei black power. Meu cabelo ficou natural pela primeira vez na vida! E também foi o Wilson que me ensinou a cuidar dos fios.
A rotina é pesada! Eu misturo muito leave-in, óleo e um gel fixador, que mantém o cacho bonito por mais tempo. Só que esse corte tem o tamanho de um travesseiro e cada vez que eu deito o cabelo amassa. Se eu não quero lavar de manhã dou só uma molhadinha que ele volta. Seca bonito.
Mas a verdade é que dá trabalho! Quem faz relaxamento ou escova realmente tem a vida mais prática. Só que é escrava disso, né?
Gosto mais do meu cabelo assim, me reconheço nele. E acho outra coisa importante: a menina que tem o cabelo crespo olha o meu assim e acha legal. Isso é uma conquista. Outro dia o filho de uma amiga, que tem cinco ou seis anos, virou para mim e disse: “uau, o seu cabelo é muito maneiro”. E ela emendou: “a gente sonhou com isso, né Taís?”. E é verdade! A nossa geração chamava o cabelo afro de ruim, achava descuidado, descabelado. As crianças foram todas educadas para achar só o cabelo liso e loiro da princesa bonito.
Quem me olha cuidando do cabelo fica chocado. É muito produto mesmo! Se alguém de cabelo liso usasse esse tanto de coisa ia ficar com o cabelo grudado na cabeça para sempre. Mas o meu adora, absorve tudo!”

GRAVIDEZ DE MENINA - “Estou grávida de quatro meses e meio. E, não sei porque, mas me sinto mais bonita nessa gestação do que na outra. Tô me achando!
Na primeira gravidez eu parei de malhar com seis meses, nessa não quero parar não. Estou sentindo uma enxurrada de hormônios a tomar conta do meu corpo, talvez porque seja menina. Me sinto mais inchada e com mais celulite – dessa vez o corpo parece mudar mais rápido.
A gravidez reduz as opções de produto. Só dá para usar o que é natural ou indicado pelos médicos, né? Outro dia alguém me falou que a Juliana Paes disse que passava o óleo depois do creme hidratante no corpo. Aí eu perguntei para a minha dermatologista e inverti a ordem.
No rosto eu não uso nada além de filtro solar – mesmo sem estar grávida. Nunca fiz laser ou outro procedimento, morro de medo! Enquanto não precisar vou levando! E quase não tomo sol. Aprendi com a minha mãe, que teve uma queimadura séria quando era nova e sempre fez a gente aplicar muito filtro, desde que eu tenho uns 11 anos. Eu achava chatíssimo quando criança.
Aí já dá aquela alegria, um glamourzinho na pele para eu sair de casa mais feliz.”

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