PONTO DE ORDEM

 
28 de julho 2016 - às 07:42

SUSPIROS DA CPLP!

Em 17 de Julho de 1996, compensando um esforço da diplomacia cabo-verdiana, dava-se luz à CPLP, aproveitando-se muito da experiência que já vinha dos Palops-paises africanos de língua oficial portuguesa/,e surgia com objectivos claros de concertação política e pela cooperação entre os estados membros.

 

CPLP, Confederação dos Países de Língua Portuguesa assinalou    no dia 17 de Julho, vinte anos de existência, uma data que, por razões diversas, não mereceu grandes comemorações nos países que a integram, notadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, S.Tomé e Príncipe e Timor Leste. De realce, apenas a cerimónia em Lisboa (Portugal) sede da organização onde o Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa  usou da palavra para enaltecer o espirito e vontade que norteou a criação da CPLP.

Em 17 de Julho de 1996, compensando um esforço da diplomacia cabo-verdiana, dava-se luz à CPLP, aproveitando-se muito da experiência que já vinha dos Palops-paises africanos de língua oficial portuguesa/,e surgia com objectivos claros de concertação política e pela cooperação entre os estados membros. Contemplava, entre outros, o primado dos direitos humanos e a promoção do desenvolvimento nos princípios orientadores fundamentais. No seu conjunto, a CPLP representa uma população de quase 250 milhões de pessoas e as especificidades e a sua descontinuidade geográfica conferem-lhe uma dimensão multicontinental cimentada em quatro continentes: Europa, América, África e Ásia numa área global no planeta de 10.742.000 kilometros quadrados, o que representa 7,2% de terra do planeta.

Se do ponto de vista bilateral as relações entre os países podem ter conhecido algumas referências positivas, até facilitadas pelas relações no seio da própria CPLP ou temperadas numa irmandade na luta pelas independências, como aconteceu com os países africanos, todos eles colonizados por Portugal, não foram acompanhadas do ponto de vista da cooperação multilateral, uma razão que leva observadores de todos os paises a terem dificuldades em reconhecer as vantagens da CPLP que muito pouco fez para o cumprimento de um dos seus objectivos primários, o de aproximação dos povos e instituições dos países membros. Fica por se conhecer no conjunto de países que a integram, quais as grandes iniciativas para se dinamizar a cooperação científica, académica, cultural e econômica entre os estados, quando o primário, como é a língua, até agora não ter encontrado uma linguagem comum para a entrada em vigor de um acordo ortográfico discutido e aprovado o meio vapor.

É, na sua essência, uma organização válida que pode, sim senhor, jogar um papel preponderante na vida dos países e povos mas para isso será necessário que os líderes políticos que hoje governam os estados se invistam de vontade política para se materializar uma cooperação multifacetada que, embora com planos bem elaborados, não consegue ser materializada. Os países membros têm de saber falar a língua de complementariedade de ideias e não se perderem em evasivas de relações cinicas que mais dilatam a distância para uma cooperação saudável quando se junta à descontinuidade geográfica, mais propensa a levar os países para apostas bilaterais ou, mesmo, conferindo importância a outras organizações nos continentes onde estão inseridos.

É certo que os países, hoje, registam estágios de desenvolvimento diferentes, a crise econômico financeira que é um problema mundial se repercute, em alguns com grande intensidade, nos nossos países mas não deixa de ser liquido que se existir uma forte vontade política dos líderes que hoje governam os países que integram a CPLP, ela pode ser mais actuante, mais conhecida primeiro no seio dos povos que a integram e, também, se afirmar no contexto das nações do mundo como uma organização exemplar.   

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