PONTO DE ORDEM

 
29 de setembro 2015 - às 10:47

SOLUÇÕES DE CONSENSO

Não descurando as responsabilidades que cada partido político deve ter na mobilização dos seus militantes em torno dos ideais que persegue, entendo que no nosso País essa visão reducionista como se desenham os cenários da discussão dos problemas, vestidas de rótulos excessivamente partidarizantes, penaliza os interesses mais globais da nação, razão porque hoje se verifica falta de entrega patriótica mais abrangentes em torno das causas que devem condimentar o desenvolvimento do País. 

 

O Bureau Político do MPLA anunciou que está previsto para o mês de Outubro o Iº Encontro Nacional de Quadros do seu partido para se promover uma profunda reflexão sobre a política de quadros no contexto actual do desenvolvimento de Angola, abordando aspectos inerentes à sua valorização e reconhecimento. Uma iniciativa de suma importancia para o momento que só peca por ser redutora porque restringida apenas aos quadros dos Camaradas.

Na verdade, o MPLA como a força dirigente do País tem responsabilidades acrescidas e uma reunião desse calibre não deveria vestir-se de excessiva partidarização mas sim ter uma maior abrangência até na esteira de se cimentar a reconciliação de todos os angolanos. Afinal, o país clama por amplos debates sobre os candentes problemas nacionais na procura de respostas mais consertadas quanto ao engajamento de todos nas tarefas da reconstrução e desenvolvimento.

No País, hoje, se dá o passo para a mudança de gerações onde os mais velhos, cumprido o seu papel, devem saber passar o testemunho às novas gerações, essas mesmo que devem receber o testemunho sem a necessidade de clivagens agudas que possam perigar a unidade. Por outra, numa altura em que se acelera a formação de quadros quer no interior como no exterior do país, é fundamental que se analisem fundamentalmente os ditames da qualidade do ensino e formação de forma que os jovens que estão a ser formados possam estar à altura das responsabilidades que se precisa  e, concomitantemente, urge definir os meandros quanto a cooperação para que não se crie nem a ociosidade paga a preço de ouro nem tão pouco o fecho de portas à nova geração que nasce e não encontra portas abertas no mercado de trabalho. Igualmente importa  pensar colectivamente na forma de melhor aproveitar as capacidades nacionais no desenvolvimento integral do País sem se abraçar politicas reducionistas que permitam apenas uma concentração de quadros na capital ou noutras províncias do litoral penalizando o resto do interior. Para isso, urge criar políticas de incentivo pelo que nada melhor do que acções concertadas que são sempre melhor equacionadas em decisões de consenso no seio da sociedade.

Não descurando as responsabilidades que cada partido político deve ter na mobilização dos seus militantes em torno dos ideais que persegue, entendo que no nosso País essa visão reducionista como se desenham os cenários da discussão dos problemas, vestidas de rótulos excessivamente partidarizantes, penaliza os interesses mais globais da nação, razão porque hoje se verifica falta de entrega patriótica mais abrangentes em torno das causas que devem condimentar o desenvolvimento do País. E não é exagero, no caso, atribuir responsabilidades acrescidas ao MPLA, como força dirigente do País e a Unita, como o segundo maior partido político do País para que se veja a necessidade do diálogo sempre na vertente mais abrangente que não essa que agora se verifica com a iniciativa dos Camaradas. A democracia é, também, o respeito pela diferença de opiniões, mas se é esse o caminho que os angolanos perseguem porque assim o escolheram, não é menos verdade que para o cumprimento desse desiderato não se pode perder de vista a realidade concreta do País que ainda não apagou na totalidade as cicatrizes criadas com uma feroz guerra fratricida e, por isso mesmo,  o diálogo, a concertação de ideias em torno dos problemas mais candentes do País, alguns dos quais se continua a fazer tabú, exigem discussões abertas, opiniões divergentes sempre na mira de se encontrar o melhor caminho para a construção de uma história de Angola verdadeira onde todos os angolanos nela se possam rever. Continuar como estamos, mutila-se o futuro porque se constroi um País sem um fio condutor para ter uma real história de todo o seu percurso. É hora, pois, de todos darmo-nos as mãos e o País está a precisar de uma reunião abrangente de todas as sensibilidades para se discutir sim o que se quer, como definir a estratégia do amanhã..

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